A jogada de Azeredo Lopes


João Pedro Pimenta,

Apertado entre o caso de Tancos e o ricochete que as suas desastradas declarações provocaram, fragilizando ainda mais a sua situação, José Alberto Azeredo Lopes teve agora uma intervenção discreta mas surpreendente. Depois de ter sido o porta-voz da candidatura de Rui Moreira em 2013 e seu chefe de gabinete até ir para o Governo, o Ministro da Defesa vem agora apoiar Manuel Pizarro, recandidato do PS à câmara do Porto, com a desculpa apressada de que “algo mudou”. Azeredo Lopes, nitidamente pouco à vontade, ainda esteve numa acção de campanha de Pizarro, tentando passar despercebido e sem dar mais explicações.

 

Pode parecer estranho que um Ministro sem filiação partidária, que fazia parte do núcleo duro de Moreira, que era um dos rostos da sua campanha, e que aparentemente saiu sem zangas, venha de repente, e de forma inesperada, apoiar o candidato do PS contra o actual inquilino dos Aliados, tendo ainda por cima de ouvir o adjectivo “cata-vento” atirado por forças políticas como PSD ou Bloco. Mas há uma explicação plausível: Azeredo Lopes vê a sua posição de tal forma fragilizada que se agarra agora a uma candidatura do PS para ganhar as boas graças do partido do governo e assim conquistar algum apoio. Apoiando Pizarro, pode ser que o aparelho socialista o tente segurar por mais uns tempos. Mas é uma jogada de eficácia duvidosa, e só demonstra o quanto a sua situação é delicada. Se Azeredo não resistir no cargo a seguir às autárquicas, não voltará certamente a conquistar a confiança de Moreira, e tão cedo também não será chamado pelo PS, pelo que ficará com a sua carreira política e institucional seriamente comprometida. O mais provável é ter de regressar a reger a cadeira de Direito Internacional Público e que tão cedo não saia de lá.

 

 

4 comentários em “A jogada de Azeredo Lopes”

  1. O homem apresenta-se onde lhe cheire a merenda em saco plástico.
    Mais duques sem carácter, de frete em frete vão-lhe dando cobertura.
    Com toda a solenidade institucional vão enrolando, afinam agulhas entre si, e cá ficamos a saber o mesmo.
    Esta gente representa o povo ou está ao serviço de quem em secreto?
    Se todos dão tanta certeza que o jornal que publicou está a fazer falcatrua ninguém tem tomates para o chamar à barra da justiça?
    Até parece que estão com medo de andar à procura de lã e sair tosquiados.

  2. Já meteu tanta água… que muito brevemente vai limpar o casco no Alfeite!

    Coisa estranha: – Já repararam que o seu adjunto Perestello, nunca abriu a boca para nada! Estará na reserva?!!!

    E o bispo-reformado- impiedoso : com vergonha (dele) refugiou-se em algum convento?

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