
Eu estou ao balcão do café, aqui nos Olivais. A comitiva PS entra, 5/ 6 carros de gente, campanha algo abonada, até “hino” próprio para a freguesia se gravou, e algo piroso, como manda a tradição destas coisas. Nela há alguém da junta, dizem-me, baixo, outros clientes. Pedem ao (afável) dono do café para afixar cópia do edital com o mapa das secções de voto, como é costume nas eleições. Resmungo para mim, que até andei a fazer eleições em alguns outros países, que não devia ser assim, é uma caravana partidária a distribuir material eleitoral, é uma confusão sempre desaconselhável. Depois saio, e vejo o que colaram. Atrevidos, aproveitaram a óbvia concordância do dono para encimarem a cópia do mapa eleitoral da freguesia com um cartaz partidário, que simula o apoio do estabelecimento comercial a esta candidatura. À revelia do proprietário. Este encolhe os ombros, desagradado mas, como qualquer pequeno comerciante, nada atreito a comprar conflitos locais.
43 anos de democracia e ainda não aprenderam a separar o partido do Estado. E treinaram-se nestas (pequenas?) malandrices. Um (pelo menos um) dos da caravana é professor, conheço-o. É esta trapalhada, indigna, que veicula como a tal “cidadania” que se ensina no secundário?

os ddt que a caravana a poia
Jpt esse professor por acaso não tem qualquer tacho no agrupamento escolar?
Não sei.
Obrigado.
Já agora, bem sabe que a disciplina de Cidadania que se ensina nas escolas é uma farsa. Assim como Religião e Moral. Muitas vezes são advogados que ministram esta cadeira , o que é um paradoxo, para com a Moral. E a maioria dos alunos que escolhem esta cadeira fazem-no em virtude da viagem de final de período.
Não sei, a minha filha não frequenta o ensino em Portugal. Teve uma disciplina se Ética, que deverá ser mais ou menos correspondente, que a marcou bastante, no bom sentido.
Ainda bem. Penso que o ensino da filosofia/história também deveria ter mais horas no currículum escolar.
Mas espera melhor da parte dos pattidos políticos? Não se engane. Há muitos anos que previa que seria assim: uma democracia disfarçada de partidocracia.
Isto já para não falar mudança de ideais da parte dos candidatos, como e o caso de um candidato à freguesia onde sou residente, foi PS, Independente, independente associado ao PSD, independente e agora PS, outra vez!
Como é possível as pessoas sujeitarem a sua imagem a isto? O mais curioso é que o candidato em causa venceu sempre. Os eleitores dizem que o que interessa é a pessoa/candidato propriamente dito. Então para quê associarem partidos?
Não consigo responder. É melhor ser abstencionista, pois nunca me acreditei nos políticos e não vejo futuro para alterar a minha posição.
A democracia precisa de partidos. E estes tendem para a partidocracia por modorra (e degenerescência) institucional e por apatia dos cidadãos. Quanto ao salta-provinhas que refere, e que é algo relativamente recorrente, o que choca é … tudo!
Acrescente-se mais um que não vai votar.
É tanta a hipocrisia e ânsia de protagonismo desta malta que nos põem a fugir a sete pés.