Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana
18 comentários em “Pensamento da semana”
Quando faço turismo, aborrecem-me os turistas que pretendem visitar o mesmo lugar que eu obrigando-me a filas intermináveis. Quando estou de férias e sou turista, o que mais detesto é ver outros turistas, por isso evito os resorts e os cruzeiros (só arrastado). Será um problema de fobia? Devo procurar ajuda médica ou psicológica?
Digamos que tudo é uma questão de feitios. Uns gostam de ter sempre a casa cheia de amigos e convidados. Outros, como eu, acham que a casa é o reduto da família e do sossego. Não há que fazer juízos de valor sobre “esta matéria” (como diriam os políticos). João de Brito
Não há que fazer juízos de valor contra os xenófobos que querem devolver os turistas às suas terras? Há que fazer, sim. O contrário seria deixá-los sem contraditório, como se fossem os detentores absolutos da razão. Nem pensar nisso.
Para um país cuja principal receita é o turismo, ser -se xenófobo em relação aos turistas é um contrasenso . Para quem vive quase exclusivamente do turismo, a palavra é formação, que ainda é uma palavra pouco familiar para a larga maioria das empresas que trabalha directamente com o turismo. Apesar de ser obrigatória, a formação regra geral é uma chatice e a abstenção às sessões semestrais das diversas formações só não ultrapassa os 50% por saberem os funcionários da sua obrigatoriedade e sequente penalização. Se assim se passa ao nível de pequenas , médias e grandes empresas, muito pior em termos de preparação está o País, porque todos os individuais formam um colectivo que funciona mal. Nunca estivémos estruturalmente preparados para receber muita gente, por isso que dizer do boom dos últimos anos ? Muitos hotéis, muitos restaurantes, muitas agências, muitos tours. Pessoal sem formação , preços exorbitantes, falta de manutenção nos lugares públicos com interesse turístico… por enquanto estamos na moda, mas as modas passam e qualquer dia voltamos a ver-nos a braços com maismoferta do que procura como há anos aconteceu no Algarve, que infelizmente está a voltar aos ( maus) hábitos antigos. Com profissionalismo , competência , manutenção e organização, respeitando os usos e costumes com um twist moderno, respeitando a nossa identidade, podemos oferecer qualidade e receber de volta, por parte de quem nos visita, o respeito que nós é devido e não têm sido devidamente reconhecido.
E haverá ainda outra coisa, temo (mas relacionada com tudo o que escreve): mal de quem largamente chame a si, e dele pareça depender, um mercado que busque essencialmente álcool barato; um mercado pouco ou nada sofisticado e para quem o monumento, o marco geográfico ou cultural que se visite vale pela selfie aí tirada em atitude simiesca e logo espalhada nas “redes sociais”. Já não é só o turismo de “pé descalço”, pobre mas educado, é o turismo grosseiro, mal-educado, arrogante. O turismo dos voos a 9,99 € apresentados como a salvação da pátria.
Foi o que se quis, foi o segmento de mercado em que se apostou. É o que se tem. Um dia acaba.
Há demasiada gente a dar para o peditório do “Oh não! Vêm aí mais estrangeiros…” Gente que preferia os saudosos tempos em que os centros de Lisboa e Porto se tornavam paisagem deserta a partir das seis da tarde, com os prédios desocupados e a cair de podres, o comércio inexistente, a circulação pedonal tornada monopólio dos delinquentes. Que maravilha.
Quando faço turismo, aborrecem-me os turistas que pretendem visitar o mesmo lugar que eu obrigando-me a filas intermináveis. Quando estou de férias e sou turista, o que mais detesto é ver outros turistas, por isso evito os resorts e os cruzeiros (só arrastado). Será um problema de fobia? Devo procurar ajuda médica ou psicológica?
Não. É sinal de saúde detestar o seu semelhante – ” o Inferno são os outros”
O Xico foi bafejado pela misantropia
Ditosos países onde não existem multidões turísticas. Iémene, República Centro-Africana, Coreia do Norte…
E um probleminha mental, também…
É isso, sobretudo.
Digamos que tudo é uma questão de feitios.
Uns gostam de ter sempre a casa cheia de amigos e convidados.
Outros, como eu, acham que a casa é o reduto da família e do sossego.
Não há que fazer juízos de valor sobre “esta matéria” (como diriam os políticos).
João de Brito
Não há que fazer juízos de valor contra os xenófobos que querem devolver os turistas às suas terras?
Há que fazer, sim. O contrário seria deixá-los sem contraditório, como se fossem os detentores absolutos da razão. Nem pensar nisso.
Para um país cuja principal receita é o turismo, ser -se xenófobo em relação aos turistas é um contrasenso .
Para quem vive quase exclusivamente do turismo, a palavra é formação, que ainda é uma palavra pouco familiar para a larga maioria das empresas que trabalha directamente com o turismo. Apesar de ser obrigatória, a formação regra geral é uma chatice e a abstenção às sessões semestrais das diversas formações só não ultrapassa os 50% por saberem os funcionários da sua obrigatoriedade e sequente penalização.
Se assim se passa ao nível de pequenas , médias e grandes empresas, muito pior em termos de preparação está o País, porque todos os individuais formam um colectivo que funciona mal. Nunca estivémos estruturalmente preparados para receber muita gente, por isso que dizer do boom dos últimos anos ?
Muitos hotéis, muitos restaurantes, muitas agências, muitos tours. Pessoal sem formação , preços exorbitantes, falta de manutenção nos lugares públicos com interesse turístico… por enquanto estamos na moda, mas as modas passam e qualquer dia voltamos a ver-nos a braços com maismoferta do que procura como há anos aconteceu no Algarve, que infelizmente está a voltar aos ( maus) hábitos antigos.
Com profissionalismo , competência , manutenção e organização, respeitando os usos e costumes com um twist moderno, respeitando a nossa identidade, podemos oferecer qualidade e receber de volta, por parte de quem nos visita, o respeito que nós é devido e não têm sido devidamente reconhecido.
E haverá ainda outra coisa, temo (mas relacionada com tudo o que escreve): mal de quem largamente chame a si, e dele pareça depender, um mercado que busque essencialmente álcool barato; um mercado pouco ou nada sofisticado e para quem o monumento, o marco geográfico ou cultural que se visite vale pela selfie aí tirada em atitude simiesca e logo espalhada nas “redes sociais”. Já não é só o turismo de “pé descalço”, pobre mas educado, é o turismo grosseiro, mal-educado, arrogante. O turismo dos voos a 9,99 € apresentados como a salvação da pátria.
Foi o que se quis, foi o segmento de mercado em que se apostou. É o que se tem. Um dia acaba.
Costa
Sim, não tenho dúvidas. Um dia acaba. E os mesmos que hoje reclamam contra os turistas hão-de suspirar pelo regresso deles.
uma vez mais, é apontar ao lado. o ordenamento e planeamento de alojamentos é que deveria ser o alvo (perdoai tanta rima pobre).
A rima pode ser pobre, mas a mensagem foi clara.
O horror, a tragédia, “estão a matar a ‘alma’ tripeira”.
Descanse em paz.
Como é que o provincianismo serôdio desta gente conseguiu chegar aos microfones do simulacro dos nossos tele”jornais”?
Há demasiada gente a dar para o peditório do “Oh não! Vêm aí mais estrangeiros…”
Gente que preferia os saudosos tempos em que os centros de Lisboa e Porto se tornavam paisagem deserta a partir das seis da tarde, com os prédios desocupados e a cair de podres, o comércio inexistente, a circulação pedonal tornada monopólio dos delinquentes. Que maravilha.
Quem trabalha, ou precisa deles ou não os vê.
Dos xenófobos, não precisamos. Não criam riqueza: retiram-na.
Boa noite, Pedro.
Sorrio, com a escolha do seu pensamento.
Pano para mangas que daria para arregaçar… 🙂
É verdade, Ana. Tantas não-questões vão-se transformando em questões aparentemente sérias. Esta é uma delas.