Se há expressão detestável em jornalismo é a expressão “caiu como uma bomba”. Durante anos, recomendei a todos os estagiários que trabalharam comigo que evitassem usá-la.
Continuo a lê-la e sobretudo a escutá-la. Num mundo em que se sucedem actos terroristas, a pseudo-metáfora aqui contida é de um mau gosto inultrapassável. E é mau jornalismo. Porque o bom jornalismo, em regra, prescinde de metáforas.

O bom jornalismo prescinde de metáforas? Não, o jornalismo não usa metáforas.
O bom jornalismo procura, segue, descobre. O jornalismo transmite.
O mau jornalismo abunda.
Algum mau jornalismo a bunda.
Esqueceu-se do acento: é à e não a.
Fede, portanto.
E, Pedro, porquê? Porque quem consome assim o quer, porque para quem vende é mais fácil ou porque para quem escreve é igual?
Há uns tempos o Filipe Alves dizia que era preciso reinventar a profissão. Que não é a minha, mas sempre apreciei. Contrapus que o que tem que ser reinventado é o modelo de negócio. E neste não assumir de responsabilidades ficámos.
A quebra de vendas não pode ser responsável pela quebra de espinha do jornalismo!!!
E, atenta à floresta, nem reparei na árvore!
Que desactualizado, Pedro…
Cair como bombas era antes! Agora caem, bombas e leitores (consumidores?), que nem patinhos a caminho do arroz.
Abunda fede?
Enganou-se outra vez: devia ser “A bunda fede”.
Quando ao invés de com a notícia deparamos com o circu.
Agora deu-lhe para pitonisa? Fala simbolicamente?
Isto está uma confusão. Falo para o Dono Disto Tudo.
Aquele que foi ungido pelo Espírito Santo?
Não foi a Maria, irmã do leproso?
então esse não era o Lázaro?
E Lázaro não era o leproso?
então não era só pecador?
Pescava pedaços que lhe caiam no azeite com que se ungia.
Torga tem um conto sobre isso…
a bíblia é mais “fiável”, no caso vertente.
Não sei, eu acredito mais nas histórias das fortes gentes do Gerês do que nos tipos que se reuniram há 17 séculos em Niceia…
E porque é que acha que ele tinha lepra?….toda a gente sabe…Deus castiga quem se porta mal!. É só abrir a janela e pôr a cabeça de fora…tau…tau
Vlad…, já está a fazer do Lázaro um alcoviteiro…
Ouvi que houve quem o visse a jogar à lepra na Tabarnia, mas não sei se ouvi bem…
Enfim, fosse o que fosse não era amigo do Tinhoso, o leproso.
L’ázaro de le leprosiu, le dit moi que parle franciú?
Falo?
Mas de quando em vez o lugar-comum revela-se exacto: 018/04/11/01016-20180411ARTFIG00133-loir et-un-avion-de-l-armee-de-l-air-perd-une-r eplique-de-bombe-au-dessus-d-une-usine.p hp
http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2
En effet.
Prescinde porque se quer objectivo e rigoroso.
Mas acredito que seja difícil dissociar o jornalista, o profissional, da pessoa que “lhe veste a pele”, com o somatório de conhecimentos, vivências e idiossincrasias que carrega às costas.
Bom FDS Pedro
(^^)
É como diz, de forma certeira.
As idiossincrasias por vezes pesam demasiado.
Bom fim de semana também para si.
Por falar em bombas. E quando os jornalistas despoletam?? É claro que se despoletar (tira-lhe a espoleta) uma granada, ela fica inerte. Mas para os jornalistas é ao contrário: se se despoleta qualquer coisa, algo vai explodir. Mesmo sem espoleta!!
A sua crítica é pertinente. Mas não diga “os jornalistas”. São “alguns jornalistas”.
“Cair como uma bomba”
https://www.msn.com/pt-pt/noticias/socie dade/fogo-no-pinhal-de-leiria-foi-planea do-se-isto-sai-daqui-levo-um-tiro/ar-AAv Qqna?ocid=spartandhp
As árvores morrem de pé.
E nascem sempre às escuras.
E são as melhores amigas dos cães.
E dos praticantes de arborismo.
Isto anda tudo ligado.
Já não digo nada!
Jornalismo está morto.
Caiu-lhe uma bomba em cima?
Por falar em bombas. E quando os jornalistas despoletam??
Um disparate recorrente. Felizmente já foi mais frequente do que é hoje.
E, atenta à floresta, nem reparei na árvore!
Eu ainda vou conseguindo reparar nas árvores: s-nossas-irmas-arvores-9708784
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a
Ninguém se pode outorgar dono de uma frase, ainda menos de uma tão banal como esta; mas não deixa de ser intrigante ver repetida até nas vírgulas uma frase que construí num comentário a este mesmo postal, ainda para mais porque a encontro isolada e solta de outro sentido que não, talvez, uma piada privada entre allexpert e o autor do postal.
Desculpe, mas fiquei curiosa 🙂
Ah, sim, e a resposta do Pedro permitiu recordar o excelente documento de há uns meses. Portanto, se quiser responder sem partilhar o motivo, pode sempre dizer que era este o objectivo :))
No jornalismo, especialmente quando se está a escrever ou a transmitir uma notícia não há lugar para metáforas, juízos de valor ou opiniões.
Há peças jornalísticas onde há lugar para o crivo da pessoa que as cria, mas nunca nas notícias, a menos que o jornalista seja simultaneamente repórter e expetador e aí sim pode transmitir o que sentiu, viu e ouviu.
O jornalismo está em decadência e a culpa não é dos consumidores, mas sim de quem controla e gere os meios de comunicação, quando são estes a desvalorizarem e a menosprezarem os seus quadros e a exigir determinado tipo de conteúdo tornam-se responsáveis pela decadência da profissão, os jornalistas como quaisquer outros trabalhadores têm de pagar contas no final do mês.
Infopédia – Dicionários Porto Editora
despoletar
verbo transitivo
1. [sentido original] tirar a espoleta a; tornar impossível o disparo ou a explosão de
2. figurado anular algo; travar o desencadeamento de
3. [uso generalizado] figurado fazer surgir repentinamente; desencadear uma ação
Então aquilo do uso generalizado, não se usa? Pergunto eu que não percebo nada disto e só vim cá ver a paisagem
Entretanto li isto:
“Este último uso é bastante generalizado, mas contestado por alguns autores, que alegam tratar-se de um emprego contrário ao sentido original da palavra. Uma vez que a espoleta é peça que desencadeia a explosão, removê-la implica impossibilitar a explosão, como indicam os sentidos i) e ii) de despoletar acima.
Poderá tratar-se de uma acepção em que o prefixo des- tem um valor protético, isto é, não acrescenta nenhum valor semântico à palavra a que se apõe, como acontece nalgumas outras palavras, como destrocar.
Em terminologia militar, quando uma granada é despoletada isso significa que a espoleta (percussion cap, em inglês) foi atingida pelo percutor (striker, em inglês), dando-se início à reacção química responsável pela subsequente explosão.
Para mais detalhes ver https://science.howstuffworks.com/grenad e2.htm
Pessoalmente, espero que nunca me caia nenhuma granada já despoletada no copo. Mas, pelo que li nalguns comentários, outros terão opinião contrária.
Até acho a expressâo bastante contraditória.
“A notícia caiu como uma bomba em S. Bento”. Devemos depreender que S. Bento se juntou a Palmyra, por exemplo, no rol dos ground zero da estupidez dos homens ? Não ? Ainda está de pé? Afinal nada caiu, rebentou, despoletou… aventou, talvez ?
Pois…