“Cair como uma bomba”


Pedro Correia,

Se há expressão detestável em jornalismo é a expressão “caiu como uma bomba”. Durante anos, recomendei a todos os estagiários que trabalharam comigo que evitassem usá-la.

Continuo a lê-la e sobretudo a escutá-la. Num mundo em que se sucedem actos terroristas, a pseudo-metáfora aqui contida é de um mau gosto inultrapassável. E é mau jornalismo. Porque o bom jornalismo, em regra, prescinde de metáforas.

48 comentários em ““Cair como uma bomba””

  1. O bom jornalismo prescinde de metáforas? Não, o jornalismo não usa metáforas.
    O bom jornalismo procura, segue, descobre. O jornalismo transmite.

    O mau jornalismo abunda.

      1. Fede, portanto.

        E, Pedro, porquê? Porque quem consome assim o quer, porque para quem vende é mais fácil ou porque para quem escreve é igual?
        Há uns tempos o Filipe Alves dizia que era preciso reinventar a profissão. Que não é a minha, mas sempre apreciei. Contrapus que o que tem que ser reinventado é o modelo de negócio. E neste não assumir de responsabilidades ficámos.
        A quebra de vendas não pode ser responsável pela quebra de espinha do jornalismo!!!

      2. E, atenta à floresta, nem reparei na árvore!

        Que desactualizado, Pedro…
        Cair como bombas era antes! Agora caem, bombas e leitores (consumidores?), que nem patinhos a caminho do arroz.

          1. Não sei, eu acredito mais nas histórias das fortes gentes do Gerês do que nos tipos que se reuniram há 17 séculos em Niceia…

          2. E porque é que acha que ele tinha lepra?….toda a gente sabe…Deus castiga quem se porta mal!. É só abrir a janela e pôr a cabeça de fora…tau…tau

          3. Ouvi que houve quem o visse a jogar à lepra na Tabarnia, mas não sei se ouvi bem…

            Enfim, fosse o que fosse não era amigo do Tinhoso, o leproso.

  2. Prescinde porque se quer objectivo e rigoroso.
    Mas acredito que seja difícil dissociar o jornalista, o profissional, da pessoa que “lhe veste a pele”, com o somatório de conhecimentos, vivências e idiossincrasias que carrega às costas.

    Bom FDS Pedro
    (^^)

  3. Por falar em bombas. E quando os jornalistas despoletam?? É claro que se despoletar (tira-lhe a espoleta) uma granada, ela fica inerte. Mas para os jornalistas é ao contrário: se se despoleta qualquer coisa, algo vai explodir. Mesmo sem espoleta!!

    1. Ninguém se pode outorgar dono de uma frase, ainda menos de uma tão banal como esta; mas não deixa de ser intrigante ver repetida até nas vírgulas uma frase que construí num comentário a este mesmo postal, ainda para mais porque a encontro isolada e solta de outro sentido que não, talvez, uma piada privada entre allexpert e o autor do postal.

      Desculpe, mas fiquei curiosa 🙂

      Ah, sim, e a resposta do Pedro permitiu recordar o excelente documento de há uns meses. Portanto, se quiser responder sem partilhar o motivo, pode sempre dizer que era este o objectivo :))

  4. No jornalismo, especialmente quando se está a escrever ou a transmitir uma notícia não há lugar para metáforas, juízos de valor ou opiniões.
    Há peças jornalísticas onde há lugar para o crivo da pessoa que as cria, mas nunca nas notícias, a menos que o jornalista seja simultaneamente repórter e expetador e aí sim pode transmitir o que sentiu, viu e ouviu.

    O jornalismo está em decadência e a culpa não é dos consumidores, mas sim de quem controla e gere os meios de comunicação, quando são estes a desvalorizarem e a menosprezarem os seus quadros e a exigir determinado tipo de conteúdo tornam-se responsáveis pela decadência da profissão, os jornalistas como quaisquer outros trabalhadores têm de pagar contas no final do mês.

  5. Infopédia – Dicionários Porto Editora

    despoletar
    verbo transitivo
    1. [sentido original] tirar a espoleta a; tornar impossível o disparo ou a explosão de
    2. figurado anular algo; travar o desencadeamento de
    3. [uso generalizado] figurado fazer surgir repentinamente; desencadear uma ação

    Então aquilo do uso generalizado, não se usa? Pergunto eu que não percebo nada disto e só vim cá ver a paisagem

    Entretanto li isto:
    “Este último uso é bastante generalizado, mas contestado por alguns autores, que alegam tratar-se de um emprego contrário ao sentido original da palavra. Uma vez que a espoleta é peça que desencadeia a explosão, removê-la implica impossibilitar a explosão, como indicam os sentidos i) e ii) de despoletar acima.

    Poderá tratar-se de uma acepção em que o prefixo des- tem um valor protético, isto é, não acrescenta nenhum valor semântico à palavra a que se apõe, como acontece nalgumas outras palavras, como destrocar.

    1. Em terminologia militar, quando uma granada é despoletada isso significa que a espoleta (percussion cap, em inglês) foi atingida pelo percutor (striker, em inglês), dando-se início à reacção química responsável pela subsequente explosão.

      Para mais detalhes ver https://science.howstuffworks.com/grenade2.htm

      Pessoalmente, espero que nunca me caia nenhuma granada já despoletada no copo. Mas, pelo que li nalguns comentários, outros terão opinião contrária.

  6. Até acho a expressâo bastante contraditória.
    “A notícia caiu como uma bomba em S. Bento”. Devemos depreender que S. Bento se juntou a Palmyra, por exemplo, no rol dos ground zero da estupidez dos homens ? Não ? Ainda está de pé? Afinal nada caiu, rebentou, despoletou… aventou, talvez ?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *