Muito depende da música que se ouve
Como escrever um texto para o Delito de Opinião se não costumo expressar qualquer opinião ou o faço apenas com um gosto (o “like” no FB poderia ter sido inventado para mim)
Descobri a blogosfera há anos e criei um blogue por ter pensado que era necessário para comentar em outro blogue (quando bastaria ter criado o perfil).
Tento normalmente seguir o lema da mãe do Tambor do Bambi – para a eventualidade, pouco provável de alguém o desconhecer, será algo como: se só tiver coisas desagradáveis a dizer, o melhor é ficar calado – procedi depois a um upgrade e fico também bastante calada quando é para dizer algo agradável e quase não passo do gosto ou gosto muito.
Continuo por aqui porque gosto de interagir na blogosfera e sou pela inclusão (o que alguém especial para mim traduzia como “quantos mais macacos melhor a festa”, sem pretender, sublinhe-se desde já, chamar macaco a ninguém) e para partilhar pequenos textos.
Isto assente e para humildemente justificar a ocupação deste outro espaço blogosférico, depois de durante o fim-de-semana me ter interrogado sobre o que escrever, ocorreu-me que poderia, ao invés de expressar uma opinião, inclinar-me para o delito.
Não pretendendo ocupar mais que alguns parágrafos, elegi os delitos estradais e durante o trajecto entre cidade onde moro e cidade local de trabalho, consegui desenvolver duas teorias absolutamente científicas que poderão levar à diminuição significativa não só dos delitos, como de acidentes.
Primeiro, ponderei que uma vez que o limite de velocidade se fica pelos 120 km/hora é incompreensível existirem veículos que o podem exceder. Assim sendo, bastaria ampliar a responsabilidade contra-ordenacional e também criminal (nos homicídios e ofensas negligentes) aos concessionários que vendessem viaturas capazes de exceder a velocidade máxima permitida.
Aqui iríamos também conseguir criar novos postos de trabalho. Como? Pelo aparecimento de empresas nacionais que instalariam nos automóveis importados os mecanismos que os impediriam de ultrapassar os 120 km/hora.
Os interessados poderiam continuar a adquirir Audi, BMW, Ferrari, etc., mas antes de poderem circular no nosso território teriam de instalar o tal mecanismo e depois poderiam andar por aí com segurança, não excedendo nunca os 120 km/hora.
Segundo, parti para experiências no campo, actuando simultaneamente como cobaia e observadora, e pude constatar que a minha condução enquanto escutava:
era completamente distinta do que quando ouvia:
transformando-me numa condutora muito mais fofinha.
Assim, também para diminuir a conflituosidade na condução, bastaria obrigar todos os condutores a escutarem isto. Ou os condutores que tivessem cometido uma infracção teriam por exemplo de escutar este mesmo CD ininterruptamente de dois meses a dois anos, conforme a gravidade da violação.
E pronto, como não me lembro para já de mais nenhuma outra teoria, vou aproveitar para sair agora com cuidado para não tropeçar no tapete vermelho…
Gabriela
(blogue DONA-REDONDA)


Muito obrigada pelo convite e pela publicação aqui.
Gabriela
O gosto foi todo nosso, Gabriela. Seja bem-vinda ao DELITO.
Gabriela, a velocidade pouco importa. É sim o dinheiro que se gasta que vale a pena. É sinal de status, e o desejo de reconhecimento (conferir Thomas Hobbes) o que leva a se gastar fortunas é futilidades. Aliás lembrando o Marquês de Sade:
O prazer de possuir algo assenta na incapacidade dos outros terem.
Bem haja
Já agora, uma vez que ouve Mettalica:
https://www.youtube.com/watch?v=OAIIbnrY C7Q
Agora para desenjoar:
https://www.youtube.com/watch?v=YDWEz1mi a1I
Vou já seguir os links De Einstürzende Neubauten
obrigada pelas sugestões 🙂
(estou a ouvir agora o primeiro e decididamente não é uma música suave para tornar os condutores calmos e pacientes 🙂
E agora estou a escutar o segundo – parece-me mais adequado para uma condução calma 🙂
Uma teoria muito interessante. Gostei.
🙂 obrigada Elvira 🙂
um beijinho
Um sorriso gigante está aqui a esticar-me o perímetro da boca. Gostei de te ler aqui, Gábi.
Não me está a parecer que estas profundas teorias venham algum dia a ser postas em prática, Luisa 🙂
obrigada e um beijinho
Gabriela, o teu humor, tão subtil, deixa-me extasiado !
Sabes que nem sempre, eu só digo Bem do que escreves, ou de como escreves ! … Sabes ao que me refiro,… mas desta vez, para não correr o risco de dizer bem demais, tal como tu, direi “Gostei muito” , amiga ! 🙂
Muito obrigada Rui, gostei muito do teu comentário 🙂
um beijinho
Os bons amigos da blogosfera encontram-se sempre.
E aqui venho encontrar a Gábi num blogue que há muitos anos sigo, onde já escrevi, onde tenho comentado pouco.
Abreijos
Agora falta é encontrarmo-nos num próximo almoço de bloggers 🙂
um beijinho
GENIAL…
Não querendo expressar opinião, a Dona Redonda acaba de salvar o Planeta … isso eu apelido de genial.
Adorei a analogia com o comportamento cívico, que tanta falta nos faz.
Adorei a preocupação com o ambiente, está lá para que toda a sociedade saiba.
Adorei a visão económica para criar postos de trabalho, em proll do bem comum.
Adorei a o alerta para a poluição sonora, valorizando o nosso Salvador.
…
Adorei que nos recordes o amor, a paz e a família ….
Adorei a humildade
E, adorei ver que mesmo estando calados tanto podemos dizer…
Em nome dos muitos que não escreveram aqui (se me deixarem, e acredito que sim) ….. O Nosso Obrigado
bj
Pizza Boy
Por aqui também Pizza Boy? 🙂
Estás já contratado como comentador oficial do dona-redonda!
um beijinho
Gábi
Parabéns Gábi.
Gostei de ler este exemplar e consciente delito
Acrescento que, com ou sem infracção, a sugestão é perfeita.
Muito obrigada Maria 🙂