![unnamed[1].jpg unnamed[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20388380_PQHaP.jpeg)
As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis
Romance
(Reedição Guerra & Paz, 2017)
“A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico”
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As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis
Romance
(Reedição Guerra & Paz, 2017)
“A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico”
Se não me engano, foi o primeiro romance que li.
Na altura, achei o máximo, como, muitos anos depois, achei o máximo a primeira telenovela brasileira.
Os anos passaram e esses máximos também.
Há muito que a ficção deixou de me interessar.
Hoje em dia, sou muito mais pelo documentário e pela informação.
Informação bem filtrada pela reflexão sobre o andar dos acontecimentos.
Não elenco bibliografias nem cito gente famosa.
Não sou erudito.
Mas procuro ser um cidadão atento.
João de Brito
Não há fronteiras para o saber. Informação e ficção completam-se.
Então segue a orthographia do tempo do Dr. Julio Dinis?… Patetice.
E se a seguisse? O que ganhámos nós, tão vanguardistas na ortografia, que por exemplo ingleses e franceses tenham perdido ao conservarem fórmulas entre nós proscritas como o “ph”? Onde está a nossa excelência disso decorrente? Pobres amantes da mudança pela mudança, na eterna confusão entre novo e progresso, entre antigo e velho. Pobres imbecis deslumbrados.
Mas não, saiba você que segue aquela que evoluiu naturalmente, sedimentando e modificando de forma gradual e respeitando (nem sempre, mas do mal o menos) o étimo. Sem cedências abjectas à política e aos negócios, sem rupturas, sem descaradas contradições e ambiguidades entre objectivos e resultados, sem pura e simples – e dolosa – incompetência.
O que para si há-de ser coisa de patetas.
Pobre pateta, você.
Costa
Não entendeu a minha ironia, meu caro… A que serve o louvor a antipatia ao “novo Acordo Ortográfico”, como se o autor tivesse escrito o livro na ortografia de 1911! Ora, a partir do momento em que a violência de 1911 foi aceita (é que é a causa de toda a celeuma atual, pois foi feita sem levar em conta o português do Brasil), a briga contra o novo acordo ortográfico parece pateta, como de fato é. As diferenças da ortografia de 1911 e daquela do novo acordo são mínimas. Voltemos à ortografia pré-republicana,estou plenamente de acordo. Mas deixemos da patetice de defender a de 1911 como se fosse uma tradição secular do português.
De fato? Talvez também de gravata.
1911 foi de facto (de facto, com “c”, como até parece que o AO90 manda) uma violência. Aliás perfeitamente integrada nesse violentíssimo e nada recomendável período que foi a I República. Mas, invocando-a, aceitamos por isso mais e pior? E o disparate de 1911 radica afinal nisso de não levar em conta o português do Brasil??
E porque carga de água haveria de o ter em conta? Nessa data e nas outras?
Se alguma variante tem que ser tributária de outra, não será seguramente a europeia perante a sul-americana. Que uma e outra vez – complexos de ex-colonizado, talvez, ou talvez mais fundas e culturalmente respeitáveis razões – vem afirmar a necessidade, o direito, de se autonomizar, de seguir o seu caminho como idioma de pleno direito. E se assim vier a ser, se for essa vontade das gentes do Brasil, seja pelas razões que for, está muito bem.
É com eles, os brasileiros. Afinal de contas, tal como as coisas estão, parece que um original literário, ou uma tradução, numa variante já requer versão na outra. Isto para ser aceite no Brasil, entenda-se.
Deixe-se é a língua portuguesa em paz.
Costa
A antipatia é multi-facetada: contra acordos de qualquer espécie e sobretudo contra tipos como Vª Exª., que tentam atirar areia para os olhos com cinismo e argumentações de m.