![14222314_ot1V4[1].jpg 14222314_ot1V4[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20216339_KH0pB.jpeg)
«Raramente se morre por se ter perdido alguém. Creio que se morre mais frequentemente por alguém que não se teve.»
Colette, Gigi (1944), p. 138
Ed. A Sangue Frio, Lisboa, 2012. Tradução de José Saramago
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«Raramente se morre por se ter perdido alguém. Creio que se morre mais frequentemente por alguém que não se teve.»
Colette, Gigi (1944), p. 138
Ed. A Sangue Frio, Lisboa, 2012. Tradução de José Saramago
E também se pode morrer quando fizemos do outro nós mesmos. Esse outro que nunca existiu senão na ideia que dele fizemos. E mais tarde a descoberta do engano. E ai de nós se a viagem vai longa e o regresso já tornado impossível.
E também podemos naufragar nas profundidades do autoconhecimento.
Mergulhados numa incerteza liquida do que, ou quem, somos. Muitas vezes é-se porque não se pôde ser de outra forma. Ficámos apenas com o que de nós esperavam. Somos feitos de metades esquecidas.
Até ao fim seremos sempre crianças assustadas, que brincam de adultos. E quanto maior a seriedade que pomos no disfarce, maior o medo de sermos descobertos.
Sublinho o seu parágrafo final, que considero muito verdadeiro.
e há quem espere eternamente na soleira da porta …
Quem espera sempre alcança.