Uma facadinha (filosofia de alcova)


Bandeira,

“Os blogues são como as ostras: às vezes têm pérolas dentro, às vezes causam indigestão.” Não, espere, isso faz sentido. “Blogues são como ostras: eles abrem e fecham.” Ah, muito melhor. Que tal “blogues são como as portas de um guarda-fatos: eles abrem e fecham”?

 

John Locke cogitou, pouco antes de dar entrada nas urgências, em como o entendimento humano se assemelha a um armário fechado cujas frinchas não nos permitem mais do que um vislumbre da realidade exterior. Cogitou ele nisso quando percebeu, pela cintilação da luz, que aquele que estava prestes a deixar de ser o seu melhor amigo de sempre atravessava o quarto na direcção do guarda-fatos onde se acoitava. Depois a inútil resistência da mulher nua, as mãos grandes e peludas puxando as portas contra um corpo excessivo de militar condecorado por mais de mil actos de bravura, nem todos em batalha.

 

“Sabe que eu desconfiava, John?” – disse o bom militar – “eu abri o armário, e cá está você”.

0 comentários em “Uma facadinha (filosofia de alcova)”

  1. Locke, o do Entendimento Humano, ou Jonh Locke dos “Perdidos”? Ou os dois? Quem sabe se a Teoria Final do Entendimento se escreve em poesia. Tudo seria possível, pois tudo seria símbolo. E desde que fosse belo, seria verdade, mesmo não o sendo.

    1. Há já uns anos que, salvo casos esporádicos, não vejo TV (só depois de uma consulta à Wikipedia percebi a referência). É o do Entendimento Humano, pois. E porque não uma Teoria Final em poesia? Os primeiros filósofos diriam que em prosa é que não faria sentido nenhum. Bom ano!

      1. Também raramente a vejo, tirando o canal Panda, ou o Disney Channel. Mas recordo-me dele, do Locke,quando ainda via séries. Bom ano!

  2. Imitador de miguel de vasconcelos, o defenestrado – encontrado num armário de papeis (ou seria um cesto?)

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