«Queria terminar o ano com uma boa acção.
Toda a gente escreve e diz – e escreve e diz muitas vezes – “status quo”.
E não é.
É “statU quo”.
A palavra “status”, fazendo expressão com “quo”, tem de ir também para o ablativo, por uma questão de concordância.
Apesar de o meu portátil discordar de mim e alinhar com a maioria…»
Do nosso leitor João de Brito. A propósito deste texto do José António Abreu.

É pertinente a correcção; está errado o argumento.
Caro Pedro:
Hoje é politicamente muito inconveniente corrigir alguém publicamente sobre esta matéria.
Os próprios, normalmente, aceitam muito mal isso.
As outras pessoas criticam, normalmente, o «corrector» e não o «prevaricador».
Sinal dos tempos, em tempo de Aborto Ortográfico.
Mas o que é isto comparado com o caos que o dito Aborto Ortográfico lançou?
Ou com o despautério que reina nos «media», especialmente nas rádios televisões, em matéria de bom uso da Língua Portuguesa?
O original estava incluído na frase “in statu quo ante bellum…” ou seja, o ablativo “quo” é que concorda com “statu” pedido por in (e não é “statu” que concorda com “quo”. Poderá haver contextos em que será correcto usar a expressão “satus quo”, ou seja quando pertencerem a orações diferentes como “O estado (status) em que (quo) nos encontramos agora é pior do que o anterior…”. Tudo depende da função gramatical de cada palavra, por exemplo; “civitas (nom.) quam (acus.) delevimus magna (nom.) erat”. Daqui outras abreviações como “conditio (nom) sine qua (abl.) non”… Ajudei alguma coisa?!…
Nem 8 nem 80.
São dois ablativos diferentes, sem relação de concordância. Um diz respeito à frase principal, o outro à subordinada. Em “mau” latim, a frase seria “…in statu in quo…”.
A razão em favor do uso “statu” é que, pelo menos nas línguas românicas, a norma é adoptar a expressão latina tal qual, substantivando-a, se caso for, por processo de cristalização.