Clarice Lispector


Patrícia Reis,

Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser…
Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva… Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos – Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser… Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você… O que pensa disso?

Que desafio, hein?
“… Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la…”

Perto do Coração Selvagem – p.55

4 comentários em “Clarice Lispector”

  1. “sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser”

    Mas como se ninguém sabe aquele que é? Resta-nos sermos aqueles que não somos. E desde que acreditemos genuinamente que somos o que não somos desconheceremos a ansiedade do espelho. E no fim é só isto que importa. Tornar a novela real e realidade novela

  2. Ora aí está um fenómeno que há muito me intriga!
    Embora praticamente não leia ficção desde os estudos secundários (acho até que as pessoas leem demais e refletem de menos), leio e oiço diariamente muita informação e participo em fóruns diversos e não me lembro de alguma vez ter encontrado este tema colocado assim com esta acuidade.
    Parabéns!
    E para comprovar a declaração/exclamação com que comecei este comentário vou transcrever uma pequena reflexão que há uns tempos escrevi:
    “Afinal, quem sou eu?!…
    Comigo, é assim!
    Há uma contradição entre o que penso e sinto que sou e o que os outros dizem que eu sou.
    Uma contradição que resiste aos factos e aos meus esforços.
    Uma contradição tal que transforma em defeitos as minhas maiores virtudes e ignora ou até transforma em forças as minhas fraquezas.
    E, se é verdade que procuro disfarçar as minhas fraquezas, nada faço, pelo contrário, para encobrir as minhas virtudes.
    Como é possível?!…”
    João de Brito

  3. Quando nos interrogamos de quem ou como verdadeiramente somos, infalivelmente a resposta será que somos as melhores pessoas do mundo, as mais cordiais e sensíveis, as mais abnegadas e preocupadas com o que aflige o mundo.
    Na verdade há duas qualidades de sinceridade. A nossa e a dos noutros.
    A nossa é sempre honesta e verdadeira e todos podem confiar nela. A dos outros claro está que é tudo falsidade
    Por isso quando nos dirigimos aos outros a sinceridade é muito importante. Primordial, até.
    Se se conseguir fingir-se tê-la, tá feito.
    Que é assim a modos de como quem diz. Não importa sê-lo desde que se possa parecê-lo.
    Bom fim-de-semana

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