Tristes tempos!


Luís Menezes Leitão,

Ainda sou do tempo em que na escola primária se ensinava a verdadeira tragédia nacional que foi o desastre de Alcácer-Quibir, que implicou que a Coroa de Portugal viesse a ser herdada dois anos mais tarde por Filipe II de Espanha. Seguiram-se 60 anos de decadência nacional, com Filipe III e Filipe IV, em que o país quase se converteu numa província espanhola. Só escapámos a esse destino graças ao heroísmo dos conjurados do 1º de Dezembro de 1640, que voltaram a colocar no trono um Rei português, D. João IV. Na altura ensinavam-nos na escola que por esse motivo é que celebrávamos o 1º de Dezembro, data da restauração da nossa independência.

 

Passados mais de 370 anos sobre essa data, tive ocasião de assistir à vergonha de ver um primeiro-ministro português decretar a abolição desse feriado. Este ano voltou a ser reinstituído mas, na véspera do mesmo, assiste-se à visita de outro Filipe, desta vez o VI, que pelos vistos a população do Porto entende que deve ser recebido com gritos de “Viva o Rei!”, enchendo-se a cidade com bandeiras espanholas, como se estivéssemos em Madrid. Estou convencido de que nem em Barcelona ou em Vigo o Rei de Espanha seria recebido assim. Pelos vistos, há muita gente em Portugal que perdeu de vez, não só o orgulho nacional, como também a própria noção do ridículo. Tristes tempos, na verdade!

26 comentários em “Tristes tempos!”

  1. Seguiram-se 60 anos de decadência nacional

    Não propriamente, parece que Filipe 2º até foi um bom rei, que respeitou a separação da coroa portuguesa. Filipe 3º e 4º é que já foram cada vez piores.

  2. Os Tripeiros são pessoas sinceras, simples e acolhedoras que gostam de receber as pessoas. Não veja isso como “destratar” os nossos.Quando não gostam das pessoas dão a entender isso sem restar qualquer duvida.
    Agora sim tem razão, talvez a altura não tenha sido oportuna.

  3. Tragédia, tragédia foi a inquisição e a influência fradesca nos mandos do Reino. Em pleno séc. XVI, fora da Ibéria, pensava-se já nas grandes questões do Espirito e na Filosofias naturais, mais tarde ciências naturais. Em Portugal eramos governados por um degenerado virgem que tinha “visto muitos filmes”. D. João IV foi obrigado a aceitar ser o führer da restauração sob ameaça de se arranjar outro pretendente legitimo ao trono – o que não falta aí são bastardos. Tudo com o beneplácito e apoio dos ingleses, claro está.
    Quanto aos aplausos, sempre gostámos de receber bem. Só fica bem

      1. Essa dos ingleses, para despistar? Recomendo aprofundamento da matéria em questão – archeiros ingleses? Já ouviu falar?

  4. Coisa gira seria ver a Galiza,a Catalunha,a Bascaria e o Andaluz livrarem-se de
    Castela real e esta aproveitar para alargar-se a oeste,velho sonho enfim realizado com as palmas e as boas-vindas do bananal tuga.Olaré|

    1. O Minho entregue à Galiza, o Alentejo com os burgueses suburbanos de Lisboa e os Algaves com os turistas do Porto mais os conjurados do 1º de dezembro, ao Andaluz, beirões e transmontanos com Castela. Olha que rica ideia!

  5. Filipe II era neto de D. Manuel e o seu reinado não foi propriamente uma época de decadência para Portugal que até teve direito a uma ponte sobre o Zêzere na terra de meus avós. A par de João II foi um dos maiores e melhores reis de Portugal. Portanto, na sua opinião a população do Porto deveria ter recebido os reis de Espanha, que descendem de Afonso Henriques, de João I (que casou no Porto) e de João II, aos gritos de morte e sob uma chuva de alhos porros, para não falar nas pedras de granito da calçada.
    A rainha de Espanha é uma bonita mulher, razão suficiente para o povo do Porto se alegrar em a receber. Volte lá para os conjurados do 1º de Dezembro que mais não fizeram que defender o valor da sua fazenda.

      1. “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
        Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
        Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”

        Filipe II (I) fez uma ponte na aldeia de meu avô. Eu gosto de Filipe II. Viva Felipe II.

  6. Não se deve esperar que reste alguma coisa na cultura Marxista excepto a moda e discricionaridade do momento.

    1. Em termos culturais não queira comparar a Esquerda com a preconceituosa direita. Inovação cultural implica rutura de regras e preconceitos. A direita, na cultura, mas não só, resume-se ao orgulho do Preconceito.

  7. Engana-se: os PORTUENSES estão é fartos dos chulos republicanos da centralista e colonialista lisboa. Veja-se o recente esbulho lisboeta da Carris…

  8. 1º. Dezembro

    “… A invasão do duque de Alba no território português não foi somente um facto da politica filipina nem uma erupção abrupta do militarismo castelhano.
    Não, queridos compatriotas: nós não fomos dramaticamente surpreendidos pelo despotismo da força, como por tantas vezes vos tem sido encarecidamente declamado.
    Nós fomos simplesmente vendidos pela imoralidade e pela miséria. Fomos comparados pela inteligência e pelo dinheiro”
    Quereis saber quais eram as disposições patrióticas do País invadido pelos soldados do rei católico?
    Ouvi!
    A principiarmos do alto do trono, o amor da Pátria que animava o rei português era de tal modo exemplar a seus vassalos que, poucos dias depois da morte do cardeal , o embaixador de Espanha na corte de Lisboa escrevia ao soberano do seu país que mais algum tempo de vida teria levado o nosso mui alto e mui poderoso senhor a deixar definitivamente estipulada a contento de Filipe II a união da coroa de Portugal com a de Castela. A infausta morte de D. Henrique implicou a politica espanhola no sentido de a obrigar a comprar aquilo de que se lhe teria feito presente….”

    …” Finalmente, tal sucedia no momento histórico da dominação espanhola, estamos pobres, ignorantes, indiferentes e desarmados…”

    Ramalho Ortigão

    Farpas

  9. Caro Menezes Leitão,

    Fosse só a guincharia da populaça, não era mau. O pior foi que ontem e hoje a cidade esteve sitiada pela polícia de trânsito, que não deixava entrar carros na Cordoaria, na Mouzinho da Silveira, na Bolsa e na generalidade da Baixa. Quem quisesse, que fosse pela Ponte do Freixo. Parecia que tinha havido um cataclismo. Como escreveu um comentador de um post meu, no Blasfémias, em Madrid ninguém dá conta das saídas de S. Majestade. Damos conta nós,por cá.

    1. Em Lisboa, o meu velho carro não pode entrar na baixa. Não porque lá esteja um rei e uma rainha, mas porque lá manda quem não tem nobreza de alma pelo meu velho carro! Vivam os reis e as rainhas que gostam de velhos carros!

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