Em vésperas da eleição presidencial norte-americana, vale a pena lançar um olhar retrospectivo pelo último meio século, lembrando quem foram os anteriores inquilinos da Casa Branca e a que partido pertenciam.
Faço aqui essa evocação recorrendo às cores tradicionais do Partido Republicano (vermelho) e do Partido Democrata (azul) para identificar os presidentes que dominaram cada ano deste meio século. E dividindo este período por cinco décadas, para uma consulta mais fácil.
Tenciono fazer o mesmo em breve com outros países já com eleições marcadas a curto prazo.
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1967/76
1967 – Lyndon Johnson
1968 – Lyndon Johnson
1969 – Richard Nixon
1970 – Richard Nixon
1971 – Richard Nixon
1972 – Richard Nixon
1973 – Richard Nixon
1974 – Richard Nixon
1975 – Gerald Ford
1976 – Gerald Ford
Década dominada por presidentes republicanos, que ocuparam a Casa Branca durante oito anos. Nixon foi a figura principal.
1977/86
1977 – Jimmy Carter
1978 – Jimmy Carter
1979 – Jimmy Carter
1980 – Jimmy Carter
1981 – Ronald Reagan
1982 – Ronald Reagan
1983 – Ronald Reagan
1984 – Ronald Reagan
1985 – Ronald Reagan
1986 – Ronald Reagan
O Partido Republicano voltou a ser a força dominante, com Reagan ocupando a presidência durante seis anos desta década.
1987/96
1987 – Ronald Reagan
1988 – Ronald Reagan
1989 – George Bush
1990 – George Bush
1991 – George Bush
1992 – George Bush
1993 – Bill Clinton
1994 – Bill Clinton
1995 – Bill Clinton
1996 – Bill Clinton
Outra década com maioria republicana. Figura dominante: Bush, somando os quatro anos da sua presidência ao período em que foi vice-presidente com Reagan.
1997/06
1997 – Bill Clinton
1998 – Bill Clinton
1999 – Bill Clinton
2000 – Bill Clinton
2001 – George W. Bush
2002 – George W. Bush
2003 – George W. Bush
2004 – George W. Bush
2005 – George W. Bush
2006 – George W. Bush
Voltou a haver predomínio republicano ao longo deste período: Bush – filho do antigo presidente – ocupou a presidência em 60% deste período.
2007/16
2007 – George W. Bush
2008 – George W. Bush
2009 – Barack Obama
2010 – Barack Obama
2011 – Barack Obama
2012 – Barack Obama
2013 – Barack Obama
2014 – Barack Obama
2015 – Barack Obama
2016 – Barack Obama
Nenhuma dúvida: década dominada pelo primeiro presidente com origem africana. Também a única com maioria democrata.
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Balanço: o Partido Republicano dominou a Casa Branca em 28 dos últimos 50 anos (percentagem: 56%). Com cinco presidentes: Nixon, Ford, Reagan, Bush pai e Bush filho.
O Partido Democrata dominou os 22 anos restantes (44%). Com quatro presidentes: Johnson, Carter, Clinton e Obama.


![Official_Portrait_of_President_Reagan_1981[1].jpg Official_Portrait_of_President_Reagan_1981[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20012292_zs2Ki.jpeg)

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![barack_obama-2[1].jpg barack_obama-2[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20012296_qe49a.jpeg)
Caro Pedro:
O Miguel Sousa Tavares, no Jornal da Noite da SIC, de 2.ª feira, fez este balanço do mandato do Obama.
– O melhor presidente no pós-guerra (embora ache que o Clinton também foi muito bom).
– Recebeu uma recessão e pôs o país a crescer 3,5%;
– Recebeu 10% de desemprego e deixou menos de 5% (criaram-se 15 milhões de empregos);
– Tornou os EUA independentes energeticamente (com a revolução do gás de xisto);
Criou o Obamacare, que proporcionou protecção na saúde a 2,5 milhões de Americanos em 2016, podendo expandir-se no futuro);
– Eliminou o terrorista Bin Laden;
– Fez o Acordo Nuclear com o Irão;
– Assinou o Acordo das Alterações Climáticas de Paris;
Normalizou as relações com Cuba.
Tudo isto, apesar da oposição do Congresso, onde os Republicanos
eram maioritários.
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P. S. 1 – Mas a cor da sua pele é demasiado escura e esse óbice ainda arrepia muita gente.
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P. S. 2 – É evidente que não foi perfeito, que teve alguns insucessos (Guantánamo), mas qual o presidente
perfeito?
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Cumprimentos
(Manuel Silva)
Também ouvi MST, caro Manuel. Algo muito semelhante ao que escrevi aqui há mais de seis meses: udades-antecipadas-de-obama-8330580
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sa
Há que ressalvar, no entanto, dois aspectos falhados da presidência Obama no plano externo, aliás interligados: a falta de influência dos EUA para estancar a violenta hemorragia síria, onde já terão morrido cerca de 260 mil pessoas vítimas da mais sangrenta guerra civil do século XXI, e a incapacidade norte-americana para travar o ressurgimento do imperialismo russo, consumado nomeadamente com a anexação da Crimeia à margem do direito internacional.
Por outro lado, e apesar da sua inegável popularidade na Europa, isso de pouco serviu na campanha do referendo de Junho, em que Obama se envolveu activamente na campanha do ‘sim’
Há que ressalvar também que uma percentagem importante dos empregos criados nos EUA têm carácter precário e muitos trabalhadores dos sectores tradicionais – a indústria pesada, por exemplo – parecem condenados ao desemprego de longa duração, o que aliás explica em boa parte o aparente sucesso de Trump junto deste segmento do eleitorado.
Enfim, sombras que me parecem menores num mandato globalmente muito positivo e do qual ainda viremos a ter saudades, como aqui escrevi em Março.
Caro Pedro:
Concordo completamente com todas as suas objecções aos falhanços do mandato de Obama.
Mas num tempo tão conturbado, ter conseguido o que conseguiu não é obra pouca.
Esperemos que, quando se fizer o balanço dos mandatos (muito provavelmente só de um mandato) da Clinton, não fique muito atrás dele.
Mas temo, sinceramente, que fique muitos furos abaixo.
O mundo está demasiado perigoso para populismos trumpetistas ou com outras terminações ou para outro tipo de experimentalismos.
(Manuel Silva)
Antes do balanço desse hipotético mandato há que contar os votos, meu caro.
Em democracia o passo nunca deve ser maior do que a perna.