Marcelo: deixar o País melhor


Pedro Correia,

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Seis meses depois, Marcelo Rebelo de Sousa reaproximou a Presidência da República da sua mais genuína vocação: constituir um poderoso traço de união entre os portugueses.

De tal maneira que já quase ninguém se lembra dos restantes candidatos presidenciais. A começar por aquele que contou com o apoio implícito ou explícito de António Costa, Carlos César e Augusto Santos Silva.

 

Fiel à sua imagem de marca, o sucessor de Cavaco Silva confirmou as elevadas expectativas que rodearam a apresentação da sua candidatura – contra os que o criticaram por obrigação partidária ou por manifesta incapacidade de perceberem até que ponto o Presidente pode funcionar como suprema válvula de segurança do nosso sistema político.

Relendo tudo quanto se escreveu sobre Marcelo nos meses que antecederam a sua eleição, é confrangedor verificar como alguns “analistas políticos”, à esquerda e à direita, falharam em toda a linha ao aludirem à alegada imaturidade ou impreparação do candidato para fazer face aos complexos desafios que Portugal enfrenta nesta hora de incerteza a nível nacional e do próprio espaço continental em que estamos inseridos.

Marcelo reaproximou o Palácio de Belém dos portugueses. Revalorizou o semipresidencialismo inscrito na letra e no espírito da nossa lei fundamental, assente na eleição do Chefe do Estado por sufrágio universal e directo. Estabeleceu um contraste nítido com a prática constitucional do antecessor, figura esfíngica e remota que se refugiava num silêncio majestático cada vez que o País lhe exigia clareza política. Mais do que uma magistratura de influência, pratica a magistratura do exemplo: ao contrário do anterior inquilino de Belém, seria incapaz de renunciar ao salário presidencial para optar por uma pensão de reforma que lhe garantisse mais uns euros no fim de cada mês.

Cavaco foi por aí, no auge da intervenção financeira externa em Portugal: os portugueses nunca lhe perdoarão isso.

 

Devemos habituar-nos a avaliar o mérito dos políticos respondendo a esta questão muito simples: deixaram o País em melhor ou pior estado do que encontraram no início dos mandatos?

Cavaco Silva merece nota positiva pela actuação como chefe do Governo e negativa enquanto Chefe do Estado. É um facto incontestável que Portugal estava muito melhor em Outubro de 1995 do que em Novembro de 1985. Mas entre Março de 2006 e Março de 2016 o País retrocedeu em vez de avançar.

De Marcelo espero o contrário. Acredito que em Março de 2021, quando cessar funções em Belém (creio que irá cumprir só um mandato), Portugal estará melhor do que no dia em que tomou posse, a 9 de Março de 2016.

O essencial é isto. O resto vai-se dissolvendo com a espuma dos dias.

0 comentários em “Marcelo: deixar o País melhor”

  1. Devemos habituar-nos a avaliar o mérito dos políticos respondendo a esta questão muito simples: deixaram o País em melhor ou pior estado do que encontraram no início dos mandatos?

    Cavaco Silva merece nota positiva pela actuação como chefe do Governo e negativa enquanto Chefe do Estado. É um facto incontestável que Portugal estava muito melhor em Outubro de 1995 do que em Novembro de 1985.

    Este raciocínio é parcialmente invalidado pelo facto de que a evolução do país deve, por vezes, muito pouco à atuação concreta dos políticos.

    É verdade que Portugal melhorou durante a governação de Cavaco Silva, mas isso teve pouquíssimo a ver com essa governação. Teve mais a ver com o normal catch-up em relação à economia europeia, com a baixa do preço do petróleo, e com os fundos estruturais. A governação de Cavaco Silva, em si mesma, foi sofrível.

  2. “Relendo tudo quanto se escreveu sobre Marcelo nos meses que antecederam a sua eleição, é confrangedor verificar como alguns “analistas políticos”, à esquerda e à direita, falharam em toda a linha ao aludirem à alegada imaturidade ou impreparação do candidato para fazer face aos complexos desafios que Portugal enfrenta nesta hora de incerteza a nível nacional e do próprio espaço continental em que estamos inseridos.”

    Por alegações outras, fui dos que falhei em toda a linha.
    E ainda bem que falhei.
    Não acho isso nada confrangedor.
    Fico até muito feliz.

  3. É por isso que as monarquias (ou outros formatos) são tecnicamente superiores às repúblicas — porque existe um poder “constitucional”, um poder ligado ao mito da fundação, acima da ganância básica das facções políticas e que garante a estabilidade do sistema. Nõ é por acaso que os Presidentes bem sucedidos se comportam como monarcas simpáticos.

    Independentemente do valor de um regime ou outro, no nosso caso seria importante que Portugal não se confundisse com regime nenhum e que “Portugal” (a sua bandeira, as suas efemérides, os seus símbolos) não se confundisse com a República — e que sobretudo os poderes que não são o poder legislativo não fossem definidos como balanço de forças das facções políticas mas como poderes autónomos que derivam desse poder de fundação ou eleito directamente sem manipulação da Assembleia — e que está acima dela. Ser cidadão, ser livre e ser Português estaria acima disso — do modo como está desenhado, ser cidadão está por baixo disso e é por isso que sofremos presos a um modelo inferior.

  4. Um texto delirante, Portugal está muito pior e o caminho é só esse.
    A cada dia mais poder do Estado, menos Liberdade, mais ataques a quem não faz parte do “consenso” de um socialismo suicida.

    E tivemos a típica frivolidade do jornalismo: os tostões do Cavaco.

    1. Portugal está hoje pior do que estava há dez anos.
      Eu escrevi isso.

      O que está em causa não é o presente: é o futuro.
      Escrevi também que Portugal estará melhor daqui a cinco anos. Acredito firmemente nisso.
      Ou seja: o Presidente Marcelo legará aos compatriotas um país melhor do que aquele que nos foi legado pelo Presidente Cavaco.

      1. Portugal estará melhor daqui a 5 anos? Se não fosse a situação tão trágica, poderia ser considerada anedota.

        Continua tudo a pique e, ainda hoje, com uma notícia demasiado repetitiva:
        “Portugal procura colocar até mil milhões em dívida “

        Nunca esquecer que os portugueses são 10 milhões…

        No entanto, o problema é global e, hoje, quem ouviu o canal bloomberg, o Grande problema do BCE, é estar com dificuldades em encontrar o que comprar… nós sabemos, como menos de 70 pessoas, vão comprando bens reais com dinheiro virtual e os cidadãos vão carregando com as dívidas até… se tornarem escravos de 4 Corporações que controlam todas as outras… até o nome Portugal vão fazer desaparecer. Quanto aos políticos e afins, já só servem para servir “superiores interesses”, enfeitar o ramalhete e, naturalmente, cuidar do futuro das suas próprias vidas. Outra notícia interessante, dita por um convidado do canal bloomberg é que, o Reino Unido não vai ser autorizado a sair da UE e, esta, vai ser a prova final para quem continua a ser “ceguinho” ou a acreditar em utopias e só vai conseguir ver o Futuro quando ele virar Presente e, aí, totalmente cilindrados, vai ser tarde demais. O que começou, para facilitar as trocas comerciais, virou pesadelo global para os cidadãos comuns e, quem realmente manda, está prestes a atingir o seu objectivo, tudo o resto, é conversa da treta e, aqueles que ainda vão sobrevivendo, estão apenas na fila de espera. E, o pior, não tem a ver só com o dinheiro, a ideia é reduzir o tamanho dos rebanhos e, formas de fazer isso, há muito que entraram em funcionamento mas, isso, são outros quinhentos. Tantos “despertadores a tocar” e a maioria continua a “dormir” e, entre todas, essa é a maior tragédia.

        1. Devemos diferenciar drama de tragédia.
          Situação trágica, quanto a mim, é a que se vive na Síria. Ou na Nigéria. Ou no Afeganistão. Ou no Mali. Ou no Sudão do Sul.
          Não quero relativizar os nossos problemas, longe disso, mas convém não abusarmos de palavras sem retorno – como genocídio, holocausto, tragédia – que jamais devem ser banalizadas.
          Remar contra a globalização é procurar travar um furo num dique com a palma da mão. Em países como o Bangladeche, a Índia, a China, o Brasil, a África do Sul a queda de barreiras comerciais e o desenvolvimento das novas tecnologias facilitando a deslocalização do trabalho permitiram tirar centenas de milhões de pessoas da miséria extrema.
          Só para dar um exemplo: há dez anos a Índia tinha uma economia de menor dimensão do que a espanhola, apesar de ter uma população 30 vezes maior. Hoje o PIB indiano já duplica o de Espanha.
          As coisas são o que são.

          1. Realmente, deve viver num Planeta diferente do meu ou ainda não sabe que, com as novas tecnologias, o desemprego vai aumentar numa proporção quase inimaginável para o cidadão comum? Hoje, já pode ser atendido por uma cópia humana, robots que trabalham em fábricas e, mais, conseguem aprender sozinhos… realmente, isto de viver sem ter conhecimento do progresso das tecnologias é assustador ver tanta ignorância. Já há computadores que fazem as notícias sem precisarem de humanos… mais… muitos quinhentos que nada têm a ver com o universo onde muitos ainda vivem mas, muito em breve viverão porque, os testes, já estão a ser consumados.
            Quanto a cenários de guerra, pelo menos, na Europa, já nos estão a habituar a andarem pelas ruas militares armados mas, isso, são mais umas coisitas que não têm a ver com terrorismo mas, uma boa desculpa, para outras coisas que estão para chegar. A rapidez com que vão chegar, vai depender, muito, das próximas eleições americanas mas, neste momento, nos bastidores, está a ser travada uma batalha que quase pode ser definida como, entre o bem e o mal e, os com boas intensões, por enquanto, estão a perder e, é só o que lhe posso dizer.

          2. Você vive de facto num planeta diferente. Quer fazer o quê? Proibir a era digital? Ilegalizar a robótica? Regressar ao tempo das diligências puxadas por cavalos e ao barco a vapor? Ressuscitar o Salazar?
            Proclamar a todo o momento que vai haver guerra e vão acontecer as maiores desgraças é a profissão mais fácil do mundo. Basta ter as cordas vocais em bom estado ou saber escrever num teclado de computador.

          3. Tudo o que digo é para não se continuar com mentiras, ilusões e “paninhos quentes” porque essa de “acreditar que Portugal estará melhor do que no dia em que tomou posse”, é a melhor solução para quê?
            Eu comprovo com factos mas isso de acreditar que Portugal estará melhor, é pela via da Fé? O que vê para poder acreditar nesse milagre?
            O mal foi sempre esse, nunca falar a verdade aos portugueses, prometendo ilusões e utopias e, isso, da parte dos governos, nunca faltou nem faltará mas, foi sempre a mesma coisa, alguém que, nestes anos, tenha tentado dizer a verdade nua e crua, foi sempre atacado mas, nada como o tempo, para comprovar quem estava a falar verdade, só é pena que essas provas aconteçam, sempre, tarde demais, para se poder mudar alguma coisa porque é muito mais fácil aos portugueses acreditarem no que for mais agradável de ouvir e, é assim que vamos passando de mal a pior. Mentindo, estamos a tratar adultos como se fossem criancinhas, algo que os governantes gostam de fazer, por muito más e identificáveis razões.

          4. Caminho do derrotismo?
            Para conseguir resolver qualquer problema temos que saber as origens ou as causas desse problema para, depois, conseguir mudar alguma coisa.
            Viver na ilusão que tudo vai melhorar, sem querer saber, realmente, o que se passa “fora da caixa” e que um D. Sebastião virá para nos salvar, sem ser preciso os cidadãos “acordarem” e olharem para fora “da caixa”, parece mais, uma ideia saída da cabeça do Lavoura

            Evitar ou protelar o que não gostamos é da natureza humana mas, mais tarde ou mais cedo, temos sempre de enfrentar as consequências desse adiamento.
            A Verdade, pode ser assustadora (basta não compreender, para despoletar o mecanismo do medo) mas, realmente, quando se “acorda”, vemos possibilidades infinitas e que o Mundo poderia ser um Paraíso. Para isso, bastaria que, a maioria conseguisse ver a manipulação do sistema e, ele desabaria, sem guerras nem revoluções.
            Como eu, em vários continentes, andam muitos (cada um à sua maneira) a tentar “acordar” os outros e, não tem nada a ver com derrotismo nem pessimismo mas, de uma luta, por sinal muito cansativa, contra todos os que fomentam a ignorância, as mentiras e usam de todos os meios, para alterar a nossa percepção do Mundo, apenas para manterem o Poder e o Controle das massas e, apesar de parecer uma luta inglória, nesta corrida contra o tempo, ainda ninguém desistiu, nem aceitou a derrota e, saberemos reconhecer o ponto da irreversibilidade, aquele de que fala George Orwell.
            “If you want a vision of the future, imagine a boot stamping on a human face – Forever.” e, o Forever é a parte pior.

            Ninguém quer mandar em ninguém ou obrigar a algum tipo, de Religião, facção política, movimento ou afins (o contrário disso tudo) apenas e só, verem como funciona a “Matrix”. Depois há mais mas, tentar explicar Física Quântica que tudo é energia e que só vemos o que está numa determinada frequência, existindo muitas outras e, como metáfora, diria que é como um rádio em que só sintonizamos uma única estação, sem saber que existem outras (Nikola Tesla: ‘If you want to find the secrets of the universe, think in terms of energy, frequency and vibration) aqui, será uma missão quase impossível. Ciência? Para quem nem sequer consegue perceber a 1ª parte? A da simples manipulação da percepção do mundo em que vivemos? Saber é Poder mas, neste caso, temos de ser muitos, a querer sair da ignorância, algo que, a cada dia, parece ter mais adeptos e, infelizmente, nem sequer sabem que há quem trabalhe para fomentar essa ignorância, em grau e em número.

            Quanto a Ciência e Tecnologia, o que chega às massas, são os “brinquedos” caros que servem para incrementar a sua ignorância, dependência e, pior, servem para controlar o que pensam, o que fazem, onde estão, a cada minuto do dia. Se fosse para ficarmos todos mais inteligentes porque será que está a acontecer, precisamente, o contrário? Basta olhar para aquilo em que se transformou o debate político, em vez de debates e, esquecendo as “peixeiradas”, o Costa, um 1º ministro, falar em marcianos e pókemons ?
            E, hoje, pelo que eu ouvi, até subiu na Eurosondagem Sic/Expresso. Nem sequer percebem que, nos impostos directos, ele dá com uma mão e, com a outra, tira a dobrar nos impostos indirectos e, assim, faz parecer que desapareceu a austeridade. Ainda me lembro de um comentário de alguém que concordava com o aumento dos combustíveis, como se as batatas e os feijões fossem a pé para o supermercado e, mais caros, ainda dão mais iva para os cofres do Estado. Fica tão fácil manipular ignorantes…

          5. Não sei se reparou: já se afastou tanto daquilo que escrevi no meu artigo que receio não haver ponto de retorno ao tema original.

          6. Não consegue construir um puzzle se ficar obrigado a dissertar unicamente sobre uma das peças. O que tem faltado é precisamente isso, juntar as peças e, não falar delas, como se, cada uma delas, fosse de um universo separado. Deve entender, por exemplo, o trabalho de um jornalista de investigação, pode ter alguns factos, digamos, 5 pontos de partida, mas, a sua investigação só fará sentido, quando começar a ligar esses factos ou então, ficará reduzido a 5 notícias insignificantes o que, realmente, será mais ao gosto da clientela actual, muitas imagens, de preferência agradáveis e um mínimo de palavras, excepto, se for sobre futebol… ou sobre “mexericos, cheios de putativas indiscrições”

  5. “ao contrário do anterior inquilino de Belém, seria incapaz de renunciar ao salário presidencial para optar por uma pensão de reforma que lhe garantisse mais uns euros no fim de cada mês.”

    Em que se baseia para dizer isto? Marcelo tem alguma pensão melhor de que tenha abdicado? Essas coisas testam-se na realidade, não nas palavras.

    1. Que raio de comentário o seu.

      Não sei nem tenho que saber da vida particular de cada um.
      Tratando-se de titulares de cargos públicos, interessa-me registar o seguinte:
      – Cavaco prescindiu do salário de Presidente da República a troco de duas pensões de reforma, abdicando assim de ser um exemplo moral para os compatriotas em época de fortíssimas contingências financeiras;
      – Marcelo recebe o salário de Presidente.

      Marcelo está certo.
      Cavaco esteve profundamente errado.
      Tudo o resto são divagações. Peditório para o qual não dou.

      1. Que raio de resposta a sua.

        Não é da vida particular de ninguém: os rendimentos do PR (e até dos candidatos) são públicos.

        O Pedro diz que Cavaco fez uma escolha profundamente errada, que Marcelo nunca faria.

        Pois, mas Marcelo não tem a mesma escolha para fazer. Assim é fácil.

        1. Absurdo raciocínio.
          Aponto-lhe um facto, você responde com uma hipótese (“se Marcelo estivesse no lugar de Cavaco teria eventualmente agido do mesmo modo”: eis onde pretende chegar).
          Nada no percurso cívico do actual Presidente da República suporta ou autoriza esse processo de intenções.

          Cavaco divorciou-se dos concidadãos ao prescindir do salário de Presidente porque a soma das pensões de reforma lhe era financeiramente mais favorável numa altura em que Portugal atravessava uma séria recessão e os portugueses apertavam o cinto. E ainda veio para as televisões queixar-se de que o dinheiro não lhe chegava!
          Marcelo não fez nada disto: pelo contrário tem mostrado sintonia com os portugueses. E só por má fé ou desonestidade intelectual alguém pode supor que agiria da mesma forma que Cavaco se estivesse ou não nas mesmas condições (não sei se está porque não espreitei a declaração de rendimentos dele no Tribunal Constitucional, mas suponho que o montante da pensão referente à carreira no ensino público será equivalente à do antecessor, tratando-se ambos de professores catedráticos com idêntico período contributivo).
          Aliás a questão aqui não é de montante financeiro: é de atitude. Enquanto desempenha a função presidencial, o Presidente deve receber a remuneração que a lei determina – mesmo que subjectivamente se considere mal pago. O mesmo vale para os restantes titulares de órgãos de soberania.
          Marcelo respeita este princípio de probidade republicana. Cavaco desrespeitou-o. Não é matéria de opinião, é matéria de facto.

  6. Aprecio-lhe o estilo e acção…

    Talvez a ele deva agradecer que a minha pensão de velhice irá ser aumentada 1,7 E por mês!

    Agradecer por ter lembrado o governo que os pobres “são pobrezinhos” !

    1. É um facto que o Presidente não governa. Mas compete-lhe a escolha: ou se isola entre as quatro paredes do palácio num silêncio entrecortado por quatro discursos anuais ou mantém uma presença assídua no quotidiano nacional.

      Há quem se perturbe por ver um Presidente muito activo e dominante na agenda mediática.
      Eu perturbar-me-ia se tivéssemos outro Presidente oculto e remoto, refugiado entre os reposteiros, divorciado dos concidadãos, com um assessor de primeiro plano remetido durante seis anos para um sótão.

      O Presidente deve ser o primeiro de todos nós. Mas tem de estar connosco, não a levitar numa nuvem sobre os céus de Belém.

  7. Não sei se o país estará melhor daqui a cinco anos, mas já se percebeu que deste presidente poderemos esperar o melhor na adversidade. Não tem parado de me surpreender, pela positiva. Na ética, na atitude (sem a gravitas parola que alguns reclamam) e no propósito de promover a concórdia entre decisores, fundamental para o país.

    1. Eu acredito que nada disto é inconsequente, Teresa. Ou seja: que da própria atitude anti-crispação do Presidente resulta algo de muito positivo para o País.
      Os cultores das teorias da conspiração, que existem em doses cada vez maiores, em nichos cada vez mais sofisticados, garantem que isto tem origem num maquiavelismo extraordinário.
      São leituras que me fazem sorrir, na maior parte dos casos, por partirem daqueles que há um ano ou pouco mais asseguravam que Marcelo nunca chegaria a Belém por falta de capacidade de percepção da realidade & muitos etc.
      Esses ainda não conseguiram engolir a derrota de Janeiro.
      Temos pena. Mas Portugal segue em frente. Com Marcelo, que é quem está. Dos que gostariam de estar mas não estão a História não rezará.

  8. O país pode não estar melhor nem em vias de melhorar. É da competência do governo a função de governar, de melhorar , de impulsionar o País para cima, para fora da zona de estagnação , milímetros acima da eterna ameaça daquele hades chamado “lixo”.
    Um País mantém-se coeso e forte pelas escolhas dos seus governantes. Mas um País não são só políticas , orçamentos, comissões, inquéritos… um País é principalmente um conjunto de seres humanos que ocupam uma zona territorial, têm os mesmos usos e costumes ( com as étnicas variações pontuais como em qualquer lado), se regem pelas mesmas leis e falam a mesma língua.
    E nisto , o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, nosso Presidente da República é exímio. Poderia deixar o cargo amanhã, mas já teria marcado a sua presidência pela positiva. É que ele fala a língua do povo e quem pouco ou nada entende de política, entende muito de respeito.

    1. Muito bem, Dulce. Quando aponto a futura comparação entre o País de 2021 e o País de 2016 refiro-me também a aspectos tão fundamentais como a convivência cívica, a diminuição da crispação política e o optimismo que o actual PR tem evidenciado com as suas sucessivas mensagens – verbais e não verbais – de energia positiva.
      Os portugueses andam carentes deste optimismo num país em que abundam os profetas das desgraças. O sorriso de Marcelo é contagiante. Espero que não o perca ao longo do mandato.

  9. “Devemos habituar-nos a avaliar o mérito dos políticos respondendo a esta questão muito simples: deixaram o País em melhor ou pior estado do que encontraram no início dos mandatos?”

    Isto é válido para Chefes de Governo e não tanto ou quase nada para Chefes de Estado…

    1. É válido para todos, genericamente.
      Os mandatos presidenciais são sempre sujeitos a avaliação. Nem poderia ser de outra forma, pois os Presidentes são eleitos por sufrágio universal e compete-lhes em última instância demitir governos, dissolver parlamentos e avaliar a todo o momento se está em risco a estabilidade das instituições.
      Dificilmente haverá melhor critério de avaliação do que a resposta à questão que formulei.
      À luz deste critério, os mandatos de Eanes e Soares foram muito positivos.
      O de Sampaio teve mais sombras que luzes.
      E o de Cavaco foi o pior.

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