Os Quatro e Meia


Diogo Novo,

 

Como qualquer emigrante que se preze, visitei a pátria no Verão. Para além de estar com família e amigos, estas incursões a Portugal servem para sentir o pulso do país, para ver o que há de novo. E por falar em novidades, pelo menos para mim, descobri Os Quatro e Meia, uma banda de tipos com um ar despretensioso, que fazem boa música, com letras impecavelmente bem escritas.

Espero que tenham sucesso, embora não esteja optimista. Estipula a moda que são necessários anglicismos como “baby” e “yeah” para ter êxito, mas estes rapazes cantam em bom português. Os vídeos também não auguram nada de bom: faltam os óculos de sol, os carros topo de gama, o ar de rufia, e as miúdas com peito avantajado, daquelas que exalam amor em quantidade suficiente para pacificar a Síria (benditas sejam). Aliás, em matéria de mulheres, Os Quatro e Meia podem soar um tanto ou quanto anacrónicos aos ouvidos mais comerciais. Andam os músicos do mainstream a propalar um lirismo elegante e sofisticado sobre mulheres, expresso em frases como “baby, eu vou-te dar”, e estes rapazes cantam sobre mulheres com carácter, sobre uma Mulher d’Armas – título da canção que aqui deixo. Enfim, votos de sucesso aos Os Quatro e Meia. Pela parte que me toca, ganharam um ouvinte.

0 comentários em “Os Quatro e Meia”

  1. Não consigo entender por que a malta vai muito mais no rebanho que na diferença.
    Para mim, seria óbvio que a malta quisesse distinguir-se, ser diferente, criativo…
    Por que não normalizar a diferença?!
    João de Brito

  2. Por falar em diferença, vou dar o/um exemplo:
    – Não me interesso nada que o fisco tenha acesso ao meu património bancário.
    Quem não deve não teme.
    E eu temo que muito boa gente invoque o direito à privacidade, quando, muito provavelmente, se escarracha toda nos media e/ou nas redes sociais.
    Por que será?!…
    João de Brito

  3. Lamento desiludi-lo, mas essa música tem mais de 20 anos. É do Rui Veloso, do álbum “Auto da Pimenta” sobre os descobrimentos. Boa versão, nada mais. Já agora, letra do Carlos Tê.

    1. Não desilude. Sabia que tinham músicas do Rui Veloso e do Carlos Tê, embora não soubesse que esta era uma delas. Referi-me a letras bem escritas, e não que fossem da sua autoria. E vá lá, conceda que esta versão está mais do que boa.

    2. Ah! Mas eles têm originais! E muito bem feitos, por sinal! São músicos de excelência! Felizmente a música portuguesa passa agora por uma fase muito boa! E felizmente, aos poucos e poucos os portugueses vão aprendendo a dar o valor que os nossos GRANDES músicos merecem! =)

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