O golpe que nunca o foi


Diogo Novo,

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Na passada sexta-feira, mal soube que havia um golpe de Estado em curso na Turquia, apressei-me a enviar mensagens através de uma rede social aos bons amigos que deixei em Istambul. Não esperava respostas instantâneas. Os meses que passei na Turquia ensinaram-me que a internet local é pouco fiável (este “pouco” é simpatia minha). Se é assim em condições normais, era expectável que, com um golpe de Estado a decorrer, o serviço tivesse sido interrompido. Para minha surpresa, recebi três respostas de imediato. Estavam bem, agradeciam a minha preocupação, mas desvalorizavam as notícias. “Isto tem o dedo do Erdoğan”, escreveu um dos meus amigos. “Não te sei explicar exactamente como o fez, mas isto só lhe interessa a ele”. Todos coincidiam na análise. “Conheces bem este país, por isso dispenso-me a longas explicações. Pensa apenas nisto: temos internet, as rádios e as televisões continuam a emitir e todas as estações passam mensagens de apoio ao Presidente”, escrevia outro. “Neste país sabemos bem o que são golpes de Estado. Isto que está a acontecer é uma treta”.

 

Boa parte destas amizades foi forjada em 2007. Conhecemo-nos em Istambul, numa conferência por eles organizada sobre política externa e segurança internacional. Por mero acaso, a conferência decorreu no período de campanha para as legislativas desse ano, o acto eleitoral no qual o Presidente turco (na altura, Primeiro-Ministro) consolidou o seu poder a nível nacional. Quando saem os resultados eleitorais, a frustração destes meus amigos era indisfarçável. Nenhum apoiava Erdoğan, o grande vencedor. Com a excepção de dois comunistas, são todos votantes do partido kemalista CHP. Uns por convicção, outros por oposição ao AKP do então Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdoğan.

Eram opções políticas que não escondiam. Aliás, um dos oradores-estrela que convidaram para a conferência era Çevik Bir, General do Exército turco e figura de primeira linha do ‘memorando militar de 1997’ (mais conhecido como ‘Golpe de Estado Pós-moderno’) que provocou a queda do Governo islamista liderado por Necmettin Erbakan. Quando o conheci, Çevik Bir era um herói nacional, não apenas pela sua participação nos assuntos internos do país, mas pelos cargos internacionais que desempenhou, nomeadamente o comando das tropas da ONU na Somália, no início da década de 1990. Poucas figuras granjeavam tanto respeito público na Turquia como Bir. Na sexta-feira, um dos organizadores desta conferência dizia-me “temos menos liberdade…se fosse hoje, seria impossível apresentar-te ao General Bir”. Este General turco, detido preventivamente em Abril de 2012 pela sua participação no golpe de 1997, é hoje persona non grata para o regime incumbente.

 

Recep Tayyip Erdoğan, fundador do partido AKP, ex-presidente da câmara municipal de Istambul, antigo Primeiro-Ministro e actual Presidente, tem vindo a desenvolver um assalto metódico ao poder, no qual o islamismo serve um propósito puramente instrumental. Vale para ganhar votos nas zonas não urbanas (a maior parte do país), serviu para meia dúzia de iniciativas de política externa, e pouco mais. O Presidente turco é um tiranete igual a tantos outros, cujo único objectivo é dispor de um controlo absoluto do poder. O resto são adereços.

Escrevia um dos meus amigos: “vais ver, amanhã dirão que o golpe fracassou, o Erdoğan aparece como herói incontestado e com força para executar mais uma purga, e vai exigir mais apoio político aos Estados Unidos da América e à Europa”. Os turcos são dados a teorias da conspiração. Mas a verdade é que não se enganou.

0 comentários em “O golpe que nunca o foi”

  1. o islamismo serve um propósito puramente instrumental […] serviu para meia dúzia de iniciativas de política externa

    Quando entre essa meia dúzia de iniciativas se conta um apoio mal disfarçado aos grupos islamitas pouco moderados que combatem o regime sírio, permito-me questionar se esse islamismo é assim tão puramente instrumental, se não é mesmo sincero (e pouco moderado).

    1. Ainda teremos de esperar (bastante tempo, creio) para perceber o que aconteceu realmente na Turquia. E insisto: a política turca adora teorias da conspiração. Mas a verdade é que as informações que se vão conhecendo sugerem que o golpe foi fabricado.

      1. A 28 de setembro de 1974 (5 meses após a revolução) houve, ou parece ter havido, uma tentativa de golpe de Estado, a qual foi depois atribuída ao general Spínola, que na altura era Presidente da República (creio) mas sem poderes efetivos.
        Nunca ficou perfeitamente claro se aquilo tinha mesmo sido uma tentativa de golpe de Estado (que na altura era chamada uma “intentona”) ou se teria sido apenas um fingimento de golpe de Estado (que foi apelidado como uma “inventona”).
        De qualquer forma, intentona ou inventona, serviu de pretexto para o afastamento de Spínola e para a sua queda em desgraça. Foi forçado a fugir do país, salvo erro para o Brasil.

  2. Igual aqui – no meu caso, os meus amigos são do tempo de Erasmus. Mesmo assim estão todos bem assustados e perdidos, já que o ambiente na rua, dos supostos “apoiantes” continua a ser bastante assustador. O mesmo relativamente aos juízes e militares que foram, entretanto, presos.

    1. O caso dos juízes é bem lembrado. De todos os poderes, o judicial é aquele que ainda mantém independência face ao poder político. A oposição e os teóricos da conspiração dizem que o principal intuito deste golpe foi precisamente o de oferecer ao presidente um pretexto para controlar o poder judicial. A ver vamos.

  3. Um ditador e um mau encenador cujo espectáculo que encenou, foi tão mal preparado que se esqueceu que as regras de agora, não foram as do antes. Só não viu e não vê quem não quer porque isto, não passou de um ensaio para enganar quem quer ser enganado e para despachar quem o incomoda. Foi a este ditador que a UE, pagou uma soma astronómica, para que ficassem por lá os refugiados. Pobres refugiados que fugiram de ditadores e da morte e foram cair no palco da ditadura porque a UE, assim quis. Será que a UE tem seres pensantes que olham o outro, como outro igual a si mesmos, ou a troco de dinheiro, despacha seres humanos, para um destino que eles nunca quiseram e que está pouco interessada no bem estar daqueles que já pouco esperam da vida? Pelos vistos não tem…

    1. Custa, mas essa realidade parece tão descarada que é bem plausível. Mas mesmo assim isso não passa de tiro na culatra.

    2. Ó meu caro, o seus “seres humanos” foram aliciados para invadir a Europa. Foi um meio de pressão que o próprio Erdogan fabricou há muito tempo. O lugar deles é lá, do lado de lá, não do lado de cá.

  4. São coisas que me passaram pela cabeça também logo no início. Especialmente as seguintes:

    1. o exército turco conseguiu no passado deitar abaixo diversos governos. Esta tentativa pareceu ser muito amadora e desde o início condenada ao fracasso.
    2. Conseguiram cancelar Twitter e Facebook mas aparentemente tinham.se esquecido das televisões privadas e a internet continuava a funcionar.
    3. A comunicação de Erdoğan foi transmitida de imediato em mesquitas. Não parece que fosse muito de surpresa.
    4. Erdoğan viajou de avião para Istambul quando os “rebeldes” tinham caças no ar? Fá-lo-ia se não estivesse certo de existirem condições de segurança?
    5. As detenções de alguns milhares de pessoas foram feitas muito rapidamente para um golpe de estado de surpresa…

    Cheira mal, muito mal.

    1. O cancelamento do facebook foi muito ineficaz. Estive madrugada fora a trocar mensagens com amigos, sem problemas. Como escreves, a coisa cheira mal. Agora é esperar para ver. Mas temo que nada de bom sairá deste episódio.

  5. Ainda no sábado também recebi indirectamente a mesma informação… (post do Pedro Correia).

    De qualquer forma, tenha sido num sentido, ou no outro, as coisas vão ter tendência a ficar mais claras.

    Porque se foi um golpe falhado, também em 16 de Março de 1974 o golpe das Caldas falhou, e não foi por isso que não se deu, um mês mais tarde o 25 de Abril… partindo de Santarém.

    Se foi um golpe encenado, pois Erdogan arrisca-se a brincar ainda mais com o fogo, já que a CIA não deverá achar piada ao assunto.
    Além disso, corresponde a uma provocação directa ao corpo militar, e entre a fidelidade à estrutura militar e ao partido governamental, a coisa poderá ter um desfecho precipitado… tanto mais quanto Erdogan abusar na purga que quer realizar.
    As coisas já deveriam andar pelo limite quando o General Evran, com 96 anos, foi condenado a prisão perpétua.

    Tenho dúvidas que a elite turca queira ver ali implantada uma segunda revolução iraniana, e que os militares abdiquem sem mais do poder de vigilância consitucional que guardaram para si.

    1. Os generais e todos os outros que não interessavam ao senhor Erdogan, foram apanhados na ratoeira que ele e os dele, engendraram. Está tão evidente que quando se faz um golpe de Estado, o primeiro a fazer é prender o Presidente e aqui foi o que se viu…

    2. Tendo a concordar consigo, caro da Maia. Tenha sido num sentido, ou no outro, as coisas vão ter tendência a ficar mais claras. Coisa diferente é saber se isso é positivo.

  6. É, o problema é que todos os portugueses que conhecem turcos e escrevem sobre a Turquia não conhecem absolutamente ninguém do AKP. O que é natural, porque, no fundo, essas pessoas (aqueles “escassos” 51% por cento do eleitorado que votou em Erdogan) são uns labregos, facilmente manipulados por “um tiranete”, que vivem não se sabe bem onde, ao passo que os portugueses que escrevem sobre a Turquia só conhecem pessoas com banho tomado e mestrado tirado, em conferências e simpósios, pessoas sabiamente laicas, sejam elas de direita ou de esquerda, que, naturalmente, preferem o saudoso regime corrupto e autoritário, em que só eles comiam do bolo (aliás escasso), a um regime que trouxe prosperidade e progresso à esmagadora maioria dos turcos, acabou com a hiper-inflação, gerou um dos maiores crescimentos económicos do mundo, e reduziu a dívida pública, isto enquanto duplicou o número de aeroportos e de universidades, triplicou as autoestradas, instituiu legislação laboral moderna, acabou com a ADSE lá do sítio (entre outras alcavalas para funcionários e militares), devolveu aos curdos o ensino e o uso público da sua língua, tornou a Turquia numa potência regional (enquanto reduzia o orçamento militar), acolheu 3 milhões de refugiados e (o que tem especial piada, tendo em conta o que se tem ouvido no último para de dias) acabou com a pena de morte. Não chegarão estes como “adereços” para “ganhar votos”? O Sr. Erdogan é perfeito? Claro que não, e cada vez o é menos, por força de 13 anos a ganhar eleições – já fez o clássico palácio presidencial, os filhos já se embrulham em casos de corrupção, põe processos por dizerem mal dele, e já começa a ver concorrentes nos seus correligionários mais capazes – nada de estranho em líderes democraticamente eleitos – como o nossos queridos Alberto João Jardim e “Eng.º” Sócrates, ou o seu bem-amado Rajoy – e que, as mais das vezes, leva a que percam eleições, mas é mil vezes melhor para a esmagadora maioria do seu povo do que aqueles que o antecederam e, anteontem, desesperadamente o tentaram derrubar. PS: foi, e é, um espectáculo confrangedor, aquele que é assistir a uma BBC (e nem falo de um Guardian, de uma Antena 1, de uma SIC, ou do V/post) a macaquear, sem dar por isso, o Sr. Thierry Meissan, vendo o que não está lá, de modo a ajustar a realidade ao preconceito. Até pode ser verdadeira a tese mirabolante de que o Sr. Erdogan esteja por trás do golpe que o tentou derrubar, mas, sem um único indício conhecido que a suporte, espalhar uma tese tão ofensiva (por exemplo, para os que foram mortos pelos golpistas) com o fundamento de que “diz-se” e “há rumores”, equivale àquelas descargas de bílis que se tem quando o jogo acaba e a “equipa errada” ganhou.

    1. Ler dá trabalho. Ler com atenção dá ainda mais trabalho. Pensar sobre aquilo que se leu requer um esforço hercúleo. Tivesse o JPT percorrido estas 3 etapas e não se tinha precipitado tanto.
      Mais, se era sua intenção centrar críticas no autor do texto, deveria ter-se dado ao trabalho adicional de perceber se a criatura que assina o post tem mais textos publicados sobre a Turquia. Este esforço adicional permitir-lhe-ia perceber o quão disparatado é o seu comentário. Mas claro, os estados de alma não se compadecem com a prudência e com o discernimento.

      O Sapo não disponibiliza caracteres suficientes para rebater todos os erros e insinuações que aqui deixou. Mas dada a forma e o conteúdo (se só conheço turcos com banho tomado significa que os votantes do AKP não tomam banho?), não creio que mereça grande resposta.

      1. Não insinuo nada. Afirmo-o com base no que consta do post (sic “Boa parte destas amizades foi forjada em 2007. Conhecemo-nos em Istambul, numa conferência por eles organizada sobre política externa e segurança internacional”). Aliás, esse é o caso de toda a nossa (e não só a nossa) “inteligentia” que escreve sobre a Turquia: conhecem os turcos “certos”, de esquerda ou direita, invariavelmente laicos e ocidentalizados. Lamento se não li todos os seus “posts” sobre a Turquia, e se nos mesmos, ao contrário do que sucedeu neste, foi ponderado e justo na sua análise (por exemplo, não imputando o sucesso eleitoral de Erdogan ao “islamismo” e reduzindo-o a um “tiranete”). Com tempo, conto fazê-lo. Entretanto, notei que, superados os “estados de alma” (que todos têm), os media civilizados já deitaram para o lixo as “teorias da conspiração” (obrigação que têm, até haver factos a sustentá-las, porque é importante distinguir as notícias das caixas de comentários). Até os links vão desaparecendo. Por cá, porém, arrisco que perdurarão (ainda ontem o inenarrável Sousa Tavares os repetia, contaram-me) e, tal como sucedeu em Shinbone, passarão a facto. PS: os “estado de alma” cegam de facto. Hoje temos, no Observador, Rui Ramos, notável e original historiador, que é objecto de injustas tentativas de descrédito sob a acusação de ser “salazarista”, a fazer a apologia expressa de um golpe militar violento e anti-democrático.

        1. Os dados que o JPT aponta, não me parecem constituir qualquer razão para descartar liminarmente uma hipótese de encenação.

          Há exemplos históricos de líderes que fomentaram o desenvolvimento do seu país, acolheram grande apoio popular, e depois chamaram-se… por exemplo, Hitler.

          O incêndio do Reichstag também foi conveniente a Hitler.

          E para não aparecer aqui a boca de que a conversa descamba sempre em Hitler… é o próprio Erdogan que usa o modelo:

          http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/turkey/12077703/Turkeys-president-says-all-he-wants-is-same-powers-as-Hitler.html

          Repudio sim a sua tese de que “é uma ofensa aos mortos” admitir encenação.
          O que é uma ofensa aos mortos é não querer apurar a verdade, seja ela qual for.
          Ora, para apurar a verdade devem considerar-se todas as possibilidades.
          Considerar apenas algumas, convenientes, não é procurar a verdade, é procurar uma meia-verdade, ou seja, uma falsidade.

          Entendo a sua crítica relativamente a jornais, mas mesmo os jornais não têm que ser apenas um espaço de veicular versões oficiais, sob pena de se tornarem órgãos publicitários acríticos.
          Neste caso, a interrogação poderia ser apenas hipótese literária, mas não é, porque já se tornou numa forte opinião na Turquia, e quanto mais não fosse só por isso, mereceria o seu espaço de divulgação.

          O que seria sim muito questionável, seria um dirigismo da opinião… pode ser ao estilo de Erdogan, mas não faz parte daquilo a que chamamos “liberdade de expressão”.

          1. Eu não descarto nada, note-se. É perfeitamente concebível que Erdogan tivesse conhecimento do golpe e o tivesse deixado concretizar, face ao que aconteceu nos casos em que terá evitado que se concretizassem (absolvições bizarras dos alegados conspiradores nos tribunais superiores, depois de sucessivas condenações nas instâncias inferiores). Mas uma coisa é eu achar que uma tese, apesar de inexistirem provas, é concebível, outra coisa é face a uma evidência – que é um golpe de estado, brutal e anti-democrático, de que resultou a morte de duas centenas de pessoas – os média, escassas horas depois, se centrarem numa tese, sem qualquer suporte factual, segundo a qual o golpe teria sido encenado (suporte factual que continua a inexistir, e, por isso, se assistiu a uma retirada total desse alegação das agendas noticiosas). Ou seja, fazerem (sem sequer um dia de “nojo”) aquilo que fez o senhor Thierry Meissan no caso do 11.09 (e com ele toda uma corte de anti-americanos e anti-semitas), só que, neste caso, não como um “sideshow”, mas no centro da análise mediática do evento. Parece-me que temos de distinguir as notícias da opinião, e mesmo esta (já sei que peço muito) deve ter algum respaldo nos factos e não no mero “há quem diga” e os “os meus amigos turcos acreditam”. PS: onde uns vêm Hitler (não falha!), outros verão De Gaulle, que também moldou uma constituição à sua medida, reprimiu violentamente manifestações, utilizou métodos ilegais no combate ao terrorismo, e, depois do golpe de Salan, fez uma purga no aparelho militar e do Estado… e, no fim, perdeu eleições e retirou-se.

          2. Esta resposta que o JPT traz é já consideravelmente diferente.

            É que agora concentrou-se no enfoque, e aí até podemos estar de acordo, enquanto antes parecia fazer uma crítica horizontal a todas as opiniões discordantes.

            Foi o próprio Erdogan a comparar com Hitler, e por isso a falta de tacto nessa comparação, é remetida ao próprio, ok?

            Depois, para além de Hitler, também aparece nestas discussões o 9/11… e já em baixo comentei o assunto.

            Não me interessa muito o que é politicamente correcto ou incorrecto, se é semita ou anti-semita, interessa pelo menos ter uma história consistente, já que ter certeza de veracidade é algo bem mais complicado.
            Não é verdade por ter um painel de apaniguados a dizer “amen”, nem por ter uma multidão de indignados a dizer “sim” ou “não”.

            A história oficial do 9/11 não faz qualquer sentido… e não é do ponto de vista político, que aí qualquer coisa é possível.

            Não faz sentido é do ponto de vista científico, e ainda que a divulgação seja uma coisa e quem procura verdade seja outra, deixo um link para “a ciência do 9/11”:

            http://scienceof911.com.au/

            Para quem não quer perceber nada de demolições, pode ficar com outra experiência de torres, feita em Tróia, em Setembro, mas de 2005:

            https://www.youtube.com/watch?v=svn9A3s_9×4

  7. O post é interessante, alem de atual, mas nao dirigido a ignorantes, como sou. E nesta condiçao também nao aprendi mais. Portanto, o golpe é uma especie de 11 de março portugues, assim sendo nao é o golpe falhado das caldas da rainha, vitorioso um mes depois. A policia faz isso, infiltra, e ate rouba ( e mata ) ladroes. O golpe é só encenaçao, ou o tipo infiltrou o movimento, e o despoletou para o decapitar ? N a minha ignorancia, nao haverá pena de morte, pois tal iria motivar e até ampliar o movimento. E é sabido que os militares nao apreciam ser assassinados pelos proprios camaradas. O que me parece, face á purga, é que a elite burguesa é opositora do tipo vencedor do golpe. Ou seja, naqueles paises a narrativa nao é entre direita e esquerda, e o mexilhao de cá que se lixe.

    1. Na Turquia, a narrativa já foi entre direita e esquerda, sobretudo nos anos da Guerra Fria. Posteriormente, adoptou outras formas (kemalistas vs. neo-otomanistas, militares vs. poder político civil; militares vs. islamistas, etc). Nos últimos anos, deu-se um paradoxo: a sociedade está mais polarizada, mas os campos de oposição tradicionais são cada vez mais irrelevantes e não foram substituídos por outros que sejam de fácil identificação.
      Este golpe de Estado, de um amadorismo nunca visto na Turquia, joga a favor de
      Erdoğan, quer pelo momento no qual ocorreu, quer pela forma pela qual foi executado. Teoria da conspiração ou não, dá que pensar.

  8. Perdoará o autor, mas este tipo de teorias da conspiração é um disparate.

    Todos conhecemos igual afirmação (com “fortes indícios”, ou “provas”) de que o 11 de Setembro foi preparado e levado a cabo pelo governo dos USA.

    O bom das teorias é que, nelas, só acredita quem quer. Há quem leve a sério todo o tipo de ficção, incluindo aquela produzida em extensos volumes de literatura moderna, desde o “nosso” Zé Rodrigues dos Santos até Dan Brown.

    Tudo isto é ingenuidade, mas não é grave.
    Ficamos do domínio do cómico, salvo se, por mero acaso, algum sedento vampiro resolve usar estas teorias para saciar a sua tara de ver banhos de sangue – já vi isso no Iraque, na Líbia… etc…etc.

    Se me dissessem que este golpe “veio a calhar muito bem” a Erdogan que, sem fazer nada, tem aqui a possibilidade de calar uma oposição minoritária mas assanhada e que, visivelmente, o governo se apressou a usar os dados sobre os agitadores que a “secreta turca” tinha sinalizados, isso eu não duvido. Infelizmente isso são vícios que, em maior ou menor grau, todas as democracias têm.

    1. Está perdoado. Fui o primeiro a reconhecer que as teorias da conspiração desempenham um papel central na política interna (e internacional) turca.
      Porém, e foi isso que me motivou a escrever este post, pareceu-me curioso que na sexta-feira, com o golpe ainda em curso, houvesse na Turquia quem estivesse a ver um filme que os factos parecem validar. Por outro lado, percebendo as limitações constitucionais impostas a Erdoğan por força de ser presidente e as consequências partidárias que tiveram, a referida teoria torna-se ainda mais interessante. Verdade ou não, o tempo dirá. Mas, ao contrário de outras, esta teoria não está de costas voltadas para os factos – como estão aquelas sobre o 11S, que refere.

    2. Ingenuidade, ou ignorância atrevida, será mais o Anónimo misturar hipóteses políticas com certezas físicas.

      Certeza física é que as Torres do WTC não caíram pelo efeito de nenhum embate de aviões, seguido de incêndio.

      Aliás, caso não saiba, muito antes, um avião atingiu o Empire State Building:

      https://en.wikipedia.org/wiki/B-25_Empire_State_Building_crash

      É claro que quem não faz a mais pálida ideia do que é “física”, exceptuando “educação física”, pode dizer as alarvidades que quiser, mas o mundo não é só retórica de papas e bolos. E os prédios não caem como castelos de cartas, só porque dá jeito à narrativa…

      Do domínio do cómico, ou da teoria da conspiração, seria também invocar-se a encenação das “armas de destruição em massa”, caso não estivesse isso hoje dado como provado, e até ter levado já a acções em tribunal.

      https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/jul/06/iraq-war-inquiry-chilcot-tony-blair-prosecute

      É de La Palice que teorias são apenas teorias, mas não é isso que as afasta da veracidade, nem é serem aceites quando são “politicamente correctas”, e contestadas ou gozadas quando são “politicamente incorrectas”.

      Já do domínio do cómico é mesmo os palhaços dizerem graçolas sem sentido, só porque enfiaram o narizinho vermelho.

      1. Duvido que valha a pena, mas certamente já ponderou as diferenças entre um B-25 prestes a aterrar (ou sem, quase sem combustível) e um (no caso dois) Boeing 767 acabados de descolar de Boston com combustível para durar até Los Angeles. Ambos vazios (e, como vê, não era o caso) um pesa nove vezes mais do que outro. E como eu dizer que, como a minha sobrinha de 7 anos não me consegue atirar ao chão, o Mike Tyson também não consegue. PS: lá está, caro DN, um perfeito exemplo do que eu queria dizer com o meu comentário original.

        1. Se leu o que estava escrito, terá visto que foi considerado o embate pelo menos de 707 na planificação das torres WTC.
          Mas o caso nada tem a ver com isso…
          Em tanta reportagem, não acha estranho nunca ter sido mencionado o embate anterior de um avião no Empire State Building?

          Mas se encontrar um caso, basta um, em que um incêndio tenha levado ao colapso estrutural de um edifício, basta apresentar.
          Até agora ninguém encontrou!
          Ali foram três, e se percebe o mínimo… assim o mais básico mesmo, saberá que qualquer dano lateral nunca provocará uma resposta uniforme vertical.
          Isto já para não falar no WTC 3 que se desmoronou sem nenhum avião… e é caso singular de queda anunciada em directo, antes de ter caído.

          Se nada disto é estranho, parabéns!
          O Pai Natal existe, vive na Finlândia, recebe cartas e responde… diga à sua sobrinha!
          E pode ficar descansado que se o Mike Tyson lhe der um sopapo, você não se desmorona… cai para o lado. (Isto se achar que a sua comparação faz algum sentido.)

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