Prato requentado


Sérgio de Almeida Correia,

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“Não fizemos um jogo brilhante mas sim um jogo médio-baixo. Faltou-nos uma melhor decisão no terço final, nos cruzamentos e nas acelerações do jogo. Tínhamos obrigação de fazer mais porque tínhamos de desestabilizar a Islândia jogando [nas] entrelinhas e com acelerações de jogo” – Fernando Santos 

 

O Pedro Correia já aqui referiu a apatia manifestada em Saint-Étienne pelos portugueses que ali se deslocaram para apoiarem a equipa das quinas. Eu acredito que se não tivéssemos a comunicação social que temos, que delira antes dos jogos de cada vez que um técnico ou jogador estrangeiro diz que Portugal é uma equipa muito forte e que os seus jogadores são os melhores do mundo, e que se não se vivesse tanto o jogo virtual, como se fosse o real, fazendo do futebol a panaceia de todas as nossas desgraças, talvez fosse mais fácil ter outra atitude em campo e se tornasse desnecessário o seleccionador nacional vir dizer o óbvio.

Quem em casa já tinha visto correr irlandeses, polacos, galeses, belgas, suíços ou húngaros, só para dar alguns exemplos, estaria seguramente à espera que a Selecção Nacional tivesse entrado no jogo com a Islândia com outra garra, com outra precisão no passe, outro fulgor no remate, não perdendo infantilmente bolas pela linha lateral, não atirando bolas de qualquer maneira para as bancadas, demorando menos tempo a armar o remate na hora da verdade, adornando menos os lances junto à área adversária, jogando mais pela relva e menos pelo ar, discutindo menos as decisões dos árbitros, enfim, não se deixando cair ao mais leve toque e, em especial, não se mostrando fiteiros e afastando-se da imagem de que estão sempre à espera do apito do árbitro para assinalar uma falta muitas vezes inexistente.

Fernando Santos tem a noção dos problemas e das dificuldades, mas parece que não conseguiu transmitir isso aos seus (nossos) jogadores. Em todo o caso, será bom dizê-lo, a equipa é a de todos nós. As escolhas é que são as dele e, pelo que se viu, as de ontem não terão sido todas as mais acertadas. Todos têm momentos menos felizes e esperamos que o de Fernando Santos se tenha esgotado já. Muitos jogadores estiveram abaixo daquilo que é normal, mas de outros todos temos a noção de que não é expectável que possam vir a render mais, seja pela falta de jeito ou pela má época que fizeram, compreendendo-se mal como puderam ter sido primeiras escolhas.

De qualquer modo, nada está perdido. Não se faça do resultado de ontem um drama, já que esta também não é a primeira vez que as coisas não começam tão bem como o desejado. E espera-se que já no próximo sábado se endireitem, que não falte uma voz forte nas bancadas e que o treinador e os jogadores sejam capazes de rectificar o que de mal fizeram no jogo com a Islândia, deixando uma melhor imagem e assumindo um estatuto mais adequado aos seus pergaminhos, às promessas que nos foram feitas e às expectativas que legitimamente todos temos. Quanto mais não seja pelo tempo de antena e espaço nos jornais que lhes tem sido dado. E, por favor, não queiram fazer de Ronaldo o patinho feio. Uma equipa faz-se de onze jogadores e os que começaram o jogo no banco também contam, ainda que as suas tatuagens, os seus tiques ou os penteados que exibem não sejam os mais populares.

0 comentários em “Prato requentado”

  1. Muito bem observado.
    A comunicação social que temos é rasca. E não só no que respeita à bola.
    Nunca gostei muito de seleções. Tenho sempre a ideia que os jogadores, sobretudo os de topo, jogam condicionados pelas suas entidades patronais que lhe pagam principescamente e não desejam que algo lhes aconteça.

  2. dizia o Galego quando no 1º de dezembro iam aà porta tocar o hino
    ‘és siempre la misma mierda’

    entusiasmo urinário

  3. Fernando Santos cometeu 3 erros que demonstram arrogância e incompetência (para não falar do ar dispéptico que Deus lhe vai dando).

    1. Acha Portugal superior à Islândia. Não é e não foi (a prova é clara). Um erro fatal. A ideia de superioridade aqui é relativa àquelas circunstâncias e não às inúteis “estatísticas” que os jornalistas desenterram de cada vez que vamos a algum lado. As estatísticas são inúteis e só são usadas por profissionais na América: para fazer apostas.

    2. Tem a tendência, como outros treinadores fracassados antes dele, para fazer as substituições tarde, neste caso foi quase aos 80 mins, quando já não há reconstrução possível. Não temos nenhum Schweinsteiger nem a Islândia estava a jogar normalmente, mas a defender à bruta. Um erro de análise e de concepção de jogo.

    3. Para cumprir as quotas do Benfica pôs o Renato a jogar quando nada justificava essa opção — um jogador bom mas inexperiente. Quem quer ganhar não se põe com experiências.

    A culpa deste empate embaraçoso para Portugal é 100% de FS. O resto é folclore.

  4. Uma coisa é certa:

    Se Marcelo e Costa não tivessem dado o litro” apoiante”, Portugal tinha perdido!

    Louvado sejam!

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