Instalou-se entre nós a narrativa de que vivemos numa espécie de oásis, à margem das grandes complicações europeias. A obsessão pelo futebol contribui para nos distrair um pouco mais, como é evidente na indiferença com que recebemos as notícias recentes de Espanha. Aqui, no Delito, Diogo Noivo tem escrito sobre o tema, mas destaco este texto, que, a meu ver, toca no nervo das transformações europeias: os populistas engolem o centro, não apenas em Espanha, mas em vários países. Os radicais (à esquerda e direita) só estão preocupados com a tomada do poder e é pena que este texto não tenha sido mais lido e citado.
A descoberta da flexibilidade ideológica permite ao Podemos mudanças de rumo e de táctica que, neste caso, colocaram esta força, aliada aos comunistas, no limiar dos 25%, à frente dos socialistas. Se houver governo de esquerda, o PSOE será a força menor da coligação; se os socialistas se aliarem à direita ou viabilizarem um governo do PP, o Podemos estará na oposição, a chefiar a esquerda e a esperar a sua próxima oportunidade. Com o centro esquerda cortado às postas, os populistas poderão “assaltar o céu”, como dizem.
Na direita, em países como Áustria e França, está a ocorrer um fenómeno semelhante. Os partidos da extrema-direita deslocaram-se para o centro, suavizando a sua retórica mais tóxica e parecendo aceitáveis para a classe média. Na Áustria, foi ultrapassado esse patamar transformador e os radicais são agora maiores do que o centro. Em França, os socialistas estão em dificuldades para manter a liderança da esquerda e os republicanos são desafiados à direita. Os populistas de extrema-direita avançam na Finlândia, na Holanda, na Suécia e na Dinamarca. Os de esquerda instalam-se na Grécia, Espanha, Itália. Prepara-se a hecatombe do centro nas eleições para o Parlamento Europeu, em 2019.
A gerigonça portuguesa parece um mecanismo de oásis, mas pode ser a antecipação destes problemas. Há quem coloque no mesmo saco os três partidos que apoiam o governo de António Costa e some as intenções de voto (dá o extraordinário número de 53%) sem acrescentar que dois desses partidos estão fora do governo e que, em caso de falhanço da aliança táctica, o PS corre o risco de perder muitos votos. É mais lógico somar BE e PC, o que dá 18% nas sondagens, ou seja, não estamos longe do resultado atribuído à coligação Podemos e IU em Espanha (25%). Se isto bater outra vez na parede, o cenário espanhol é mais do que possível entre nós, é altamente provável.


O seu texto possui fundamentos credíveis, não se pode ignorar a realidade. No entanto, recorda-me aquele ditado que diz que só se lembram de Santa Bárbara quando troveja.
Tudo quanto está a ocorrer na Europa e no mundo nada mais é que a consequência de uma criminosa acção política que vem sendo desenvolvida após a queda do muro e em particular e mais vincadamente com os acontecimentos surgidos em 2008.
Não se pode isentar desta responsabilidade quer os socialistas europeus quer os ditos sociais-democratas, em particular aqueles tipo Passos mas também os do PP português (veja-se aqui também a imagem de Sarkozy, Aznar, Merkel…), que decidiram subjugar-se à corrente neo-estalinista/neo-nazista que começou a ser implementada por todo este continente, mas não só.
Também é verdade que não se pode isentar a acção de classes ditas conservadoras, em particular a classe média e os filhos desta classe, que sempre ou quase sempre viveram de falsos estatutos que lhes eram conferidos ora pelo estado ora por meia dúzia de donos disto tudo.
No caso português, o natural corporativismo atinge seu expoente mais elevado após o 25 de Abril, em que se hipoteca o futuro de um povo com a manipulação e apropriação indevida dos recursos do estado a favor desses e de seus donos.
A crise que se inicia em 2008 coloca a descoberto a sem vergonhice a que se assistia, e que só era esbatida pela também falsa onde de prosperidade induzida em particular pelo sistema financeiro que passou a dominar a agenda política das nações. Tal geringonça funcionou com a injecção de capital das principais instituições financeiras mundiais, onde se inclui a França e a Alemanha, para alimentar uma bolha de carácter especulativo que tinha surgido com o mercado imobiliário.
A injecção de capital originou a que fosse fácil o acesso ao dinheiro e por esta via se hipotecasse todo e qualquer continente. A questão da dívida não é só europeia ou americana, é mundial.
Todavia, aqueles mesmos que beneficiaram das políticas que implementaram, e também fruto da economia de cassino que paralelamente implementavam, entenderam que os custos de seus erros deviam ser imputados àqueles que constituíram a sua fonte de receita.
Mas esta política só seria viável pela dominação dos estados e pela subjugação daqueles que deviam representar os interesses das nações e de seus povos. No caso português o denominado centrão, com o PP a colar-se-lhes, determinou o ciclo da miséria e da perda de soberania.
Contudo, aos partidos marginais, que sempre aguardavam as condições convenientes para emergirem, juntou-se-lhes os movimentos de cidadãos que são “produto” da ignomínia vivida desde os finais do século XX.
A história revela que há sempre um tecido que surge para lhe lavar o rosto. Nem sempre, ou nunca, os momentos de viragem e desta lavagem foram pacíficos.
Tudo isto para dizer-lhe que a história não se compadece com nostálgicos. É a necessidade que dita o avanço.
E ninguém fala que o BCE continua a “imprimir papel” para que, além da compra de títulos da dívida soberana dos membros da zona euro, também vai comprar corporate bonds- títulos corporativos (The central bank said on Thursday that it would start purchasing corporate bonds as part of its quantitative easing program in June) pelos vistos, não lhes tem chegado, pedir dinheiro com juros negativos.
“Empresas emitem dívidas para financiar projetos, aquisições, etc. Estes são chamados de títulos corporativos.” Serão mais uns milhões de milhões, para os “amigalhaços”.
No mês passado ficámos a saber que, como o BCE não pode deter mais de um terço das obrigações emitidas por um estado membro, já não pode comprar mais títulos de dívida soberana portuguesa (desde o início do programa já nos comprou 12,6 Mil Milhões e, não falando dos milhões do FMI e de outros credores que também têm comprado dívida nacional, em Portugal para tanto otimismo, francamente, parece que andam a fumar qualquer coisa esquisita porque ainda não ganhámos o Campeonato).
Portanto, toda esta “salganhada” na Europa, porque não somos só nós endividados “até ao tutano”, a pôr Bancos a comprar os tais títulos corporativos (“The purchases will be carried out on the ECB’s behalf by the national banks of Belgium, Germany, Spain, France, Italy and Finland, according to a statement issued after Draghi’s conference.”)
e com os EUA a braços com “os dólares a voltarem para casa” porque ninguém quer comprar mais dívida americana, de dívidas anda o Mundo cheio, o que se pode esperar?
Olhando para o sistema financeiro Mundial que nunca se endireitou desde 2008, os Bancos, por essa Europa, andarem todos à beira da rotura, até o Deutsche Bank parece andar “preso por arames” e, com tanto papel impresso que vai acabando por não valer nada (excepto para os mais ricos, irem comprando e aplicando os milhões em bens reais e palpáveis antes disto rebentar), entre uma derrocada total do sistema financeiro ou esperar por uma hiperinflação, francamente, isto não é andar distraído, é mesmo andar a viver na ignorância total.
Falarem que, provavelmente, com a futura fórmula do IMI, acabará por haver aumentos mas, “chupar” dinheiro dos contribuintes Lisboetas para gastar 3 Milhões numa Mesquita… parece que estou a viver num asilo de loucos.
Portanto, continuem todos a dormir ou a ver Campeonatos que “alguém” anda a “tratar da vossa vidinha” 😉
Uma coisa já se nota, para além dos combustíveis, os bens essenciais, especialmente géneros alimentícios, estão mais caros, o que já se esperava porque as batatas, as couves e os feijões não andam a pé e, só devem estar a segurar isto, até arranjar uma boa desculpa ou um culpado, Brexit, terroristas, qualquer coisa lhes vai servir.
Entre “Helicopter Money” que Dragui diz não ter estudado (“We haven’t really thought or talked about it… It’s a very interesting concept”… but we haven’t studied it,” ou uma Guerra Mundial como foi das outras vezes, desta vez, não sei como vão “descalçar a bota” mas, se “Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão” também já sabemos que, ao longo da História “quando o Sistema Financeiro bate contra a parede, quem se lixa é a população” e, desta vez, como já não há mais nada para vender, só falta, mesmo, o Estado vender os escravos.
Com essa da “obsessão pelo futebol”, lembrei-me de quando, antes do 25 de Abril, o futebol era considerado o ópio do povo e, continua a ser, uma válvula de escape, quando o mal começa a ficar demasiado tóxico e, há quem saiba, muito bem que é a melhor maneira de canalizar a frustração, não vá começarem a “pensar”. Não me diga que acha normal, os noticiários serem maioritariamente sobre futebol, isso ou desgraças que metam muito medo. Tudo formas de controlar massas.
Agora, quanto a Partidos, o que eles querem, Todos, é PODER portanto, não vou repetir os 5 comentários que deixei no poste do Alexandre Guerra – “Brexit, um debate pouco inteligente”, especialmente o Link que deixei no meu 5º comentário porque, isto de “pescadinhas de rabo na boca” e de “chover no molhado”, não aquece nem arrefece nem sequer muda nada. Para mudar alguma coisa, não podemos andar à roda dos sintomas, sem nunca tentar perceber as verdadeiras causas do problema e, o que realmente se vai notando é que, de degrau em degrau, vamos passando de mal a pior.
10-06-2016
17:20
Quando o Jornalismo odeia a sua própria civilização, admirando o extremismo do Chavismo e da Cuba Comunista quem se pode surpreender que isso fomente a Esquerda Marxista às custas dos tradicionais Partidos Socialistas ?
E a reacção a este jornalismo vem com a Extrema Direita.