Deixemo-nos de merdas


Rui Rocha,

Se estivéssemos verdadeiramente preocupados com a defesa da escola pública, em lugar de andar a perder tempo com os contratos de associação, estaríamos a propor a reintrodução de uma prova de acesso para candidatos à função de professor que impedisse analfabetos funcionais com excelentes classificações atribuídas por instituições de vão-de-escada de ensinar e, para não pedirmos muito, um mecanismo de avaliação adequado dos professores do quadro que afastasse do sistema os que tivessem uma classificação negativa reiterada. Mas claro. A escola pública está ao serviço de tudo menos da educação dos alunos. E depois, já se sabe. Num país em que a discussão científica mais profunda que é possível fazer-se diz respeito à idade real do Renato Sanches, o ministro aponta e a turba corre na direção que o dedo indica, desviando-se cada vez mais da Lua.

0 comentários em “Deixemo-nos de merdas”

  1. O financiamento ou não das escolas privadas é uma questão de gestão financeira.
    Concordo com a intenção do Governo.
    Á mensagem do post é do âmbito estritamente educativo.
    Assino por baixo.
    João de Brito

    1. Exactamente a minha posição. O problema da escola pública (em que o aluno está no fim de um série de prioridades) está lapidarmente descrito pelo RR, mas a solução não pode ser o contribuinte financiar negócios privados e subsidiar os pais que menos precisam de subsídios.

  2. Exacto RR.
    Entre o modelo centralizador socialista de “formatar” aos montes, e o modelo descentralizado -a escolha/selecção pelos pais e tutores, e consequentemente o aprimorar da oferta- os eleitores escolheram o primeiro.
    Estão felizes. Ganharam neste … e noutros tabuleiros.

  3. Se estivéssemos preocupados com a EDUCAÇÃO, tomávamos medidas que mexessem na ferida, no cancro, e não andávamos a escarafunchar o intestino à procura da pústula.

    Quando se tratou de encerrar escolas públicas e de despedir professores do público, foi um aplauso geral, pois estava-se a combater o desperdício. Agora, é um ‘ai Jesus’, porque o atual ministério pretende combater redundâncias e poupar dinheiro dos contribuintes.

    Querem fazer dinheiro a partir da Educação? Abram escolas privadas, financiadas pelos papás dos meninos. Agora, andar a enriquecer à custa de todos nós…

    Imitem a Holanda em alternativa: aí, este tipo de contratos limita a obtenção de lucro a partir da atividade.

    Todos enchem a boca com a Educação, mas ninguém, nem os analfabetos funcionais que escrevem «posts» em blogues, estão realmente interessados em cuidar dela.

    1. Se a questão lhe interessar alguma coisa, devo sublinhar que defendi várias vezes aqui no DO que questões como o aumento do número de alunos por turma decidida por Passos Coelho foi criminosa e põe em causa a qualidade do ensino. Infelizmente, o actual governo, quanto à reversão dessa medida, até agora não tomou qualquer acção concreta.

  4. Não posso deixar de lhe dar razão. Claro que devíamos estar a exigir que os professores fossem sujeitos a exames (de competência técnica e de personalidade), para poderem ensinar os nossos filhos de forma competente. Assim como devíamos exigir que fossem mantidos os exames de aferição, a nível nacional, única forma de conhecermos o bom desempenho dos alunos e dos professores e, sobretudo, das escolas. Mas andamos distraídos a discutir o que o sindicalistas inventaram para justificar o emprego que abraçaram.
    Só não vê quem não quer ver, estas coisas estão todas ligadas e fazem parte de um plano para defender a classe dos professores funcionários públicos, especialmente os mais incompetentes, que apenas querem assegurar que a sua carreira prossiga sem sobressaltos.
    Faço votos para que não ganhem esta batalha.

  5. Eu recebi uma reação de um link do vosso blog para uma página que não existe, com o título de “ler”.
    Que aconteceu?

  6. Olá, Rui, tudo bem, mas eu iria por partes, não podendo ir a todas; a segunda pode, sim, ser essa, a reintrodução de uma prova de acesso para candidatos à função de professor…

  7. A luta é pelo dinheiro que a Democracia extorque com a violência do Estado.

    As crianças não entram na equação. São só uma justificação para poder tirar dinheiro.

    Se entrassem:
    As escolas privadas fariam guerra para terem os seus próprios programas e mandarem para o caixote do lixo como devia a porcaria que vem do Ministério Marxo-Fascista.

    Os sindicatos fariam guerra por que o alunos tivessem a melhor escola possível e quereriam competição para se descobrir as melhores técnicas de ensino e escolas diferentes para que crianças diferentes tivessem oportunidades . E ainda nas crianças que estão melhor a aprender em casa em vez de na escola.
    E assim melhorarem os Professores. Não só a ensinarem crianças mas abrirem novos mercados para adultos.

    No Estado Social a coisa mais importante é o Dinheiro.

  8. Isto de dividir o exercito da pedagogia em dois é um acto falhado do anterior ministro. Ele até tinha uma intenção, quanto a mim, boa, pois queria libertar a sociedade deste fado comunista, só que usou a via errada para o conseguir fazer. O privado nacional está habituado a ganhar muito, a pagar mal e a fazer todas aquelas coisas próprias da exploração do Homem pelo Homem. Não sei se o Sr. Crato alguma vez trabalhou no nosso mercado de trabalho privado, mas independentemente disso, ele devia ter tentado conhecer melhor nossa mentalidade para poder definir a melhor táctica a aplicar.
    Talvez se ele tivesse optado por manter o sistema dentro da esfera pública, mas descentralizando-o e desregulando-o o máximo possível, talvez a esta altura o Nogueira estivesse corrigindo testes ou preparando as aulas para amanha.

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