Legislativas (13)


Pedro Correia,

 

 

QUANDO A MÁ MOEDA EXPULSA A BOA MOEDA

 

Ao escolher António Preto e Helena Lopes da Costa para lugares elegíveis na lista de Lisboa, erro político de palmatória, Manuela Ferreira Leite não se limitou a fornecer de bandeja aos seus adversários um pretexto para atacarem incessantemente o PSD durante toda a campanha eleitoral que aí vem: destruiu também uma pedra basilar na doutrina do partido, estabelecida durante o mandato de Marques Mendes. À luz desse princípio, Isaltino Morais e Valentim Loureiro deixaram de ser candidatos autárquicos sociais-democratas. Inversamente, quem candidata Preto – acusado em processo-crime por fraude fiscal qualificada e falsificação de documentos, já com julgamento marcado – também pode candidatar Isaltino. Rasgada a doutrina, esquecidos os princípios, percebe-se mal por que motivo Ferreira Leite não aplicou em Oeiras o que estabeleceu em Lisboa. Quem faz campanha com o homem da mala ao lado, também aceitaria andar na rua com Isaltino. E ainda ganhava uma câmara municipal como prémio.

 

ADENDA: Manuela Ferreira Leite conseguiu mais uma proeza: nem Francisco Moita Flores – cabeça de lista dos sociais-democratas em Santarém nas autárquicas – votará PSD nas legislativas. Será que a direcção do partido mantém a confiança neste candidato ou vai fingir que nada está a ocorrer em Santarém?

8 comentários em “Legislativas (13)”

  1. Dita Dura (é assim que se escreve?): como já deve ter reparado, critico quem muito bem me apetece. Nunca precisei de pedir autorização a ninguém para o fazer. E já sou demasiado crescido para levar ralhetes seja de quem for.

    1. Tem de haver alguma coerência nas críticas a MFL.

      Não se pode acusar a líder do partido de ter levado a cabo uma “purga” na elaboração das listas e agora de não fazer nada perante um acto de insurreição de um militante. Quem não gostou da “purga”, não pode agora pedi-la para Moita Flores. Por outro lado, quem pede agora “acção” relativamente ao autarca, não pode, se a exclusão do candidato vier a acontecer, vir outra vez com a cantiga dos estalinismos e das purgas.

      Relativamente a Moita Flores, peço que as suas recentes declarações são um bálsamo para MFL. Por razões muito simples: quem no PSD assume que vota Sócrates nas próximas eleições mostra que se interessa mais pela mercearia dos lugares do que com o aumento de desemprego para mais de 500.000 desempregado, com o aumento exponencial do endividamento externo e da dívida pública, com a asfixia orçamental do Estado com o programa de obras faraónicas deste governo, etc., etc…ou seja, mostra as suas prioridades políticas. O que só favorece MFL.

      1. Fantástico, o seu raciocínio: o facto de Moita Flores, candidato autárquico escolhido por MFL, vir agora dizer que vota Sócrates nas legislativas, é algo que… só favorece MFL. Verdadeiramente arrasador.

        1. Fantástico, o seu raciocínio: o facto de Moita Flores, candidato autárquico escolhido por MFL, vir agora dizer que vota Sócrates nas legislativas, é algo que… só favorece MFL. Verdadeiramente arrasador. – Pedro Correia

          o que é arrasador é a sua falta de argumentos.

          Importa-se de rebater aquilo que disse no comentário anterior?

        1. Explique lá isso outra vez, ó José Barros. Há qualquer coisa que não bate bem ou é impressão minha? – João Carvalho

          Está bem, muito devagar desta vez.

          Tem um governo PS que no domínio económico apresenta números desgraçados: aumento do desemprego, diminuição do crescimento do PIB, aumento da dívida externa e do endividamento público, aumento da carga fiscal, etc…

          Tem também um governo do PS que em matéria de favorecimento de interesses privados apresenta um historial inigualável: caso Liscont, caso Pedroso, caso Magalhães, fundação para as telecomunicações, aumento de 5000% nos limites quantitativos de ajuste directo e o hoje noticiado ajuste directo a certos arquitectos de mais de 20 milhões de Euros.

          O historial é interminável, mas o ponto é este: por causa da inclusão de dois candidatos arguidos, há figuras associadas ao partido que dizem ir votar Sócrates nas próximas eleições. Do que se retira que o historial de favorecimento de interesses particulares por parte deste governo e os resultados miseráveis na economia não os impressiona tanto como a inclusão dos dois candidatos nas listas do partido. Certo? E como é que isso é bom para MFL? Mostra que mais do que o estado da economia e ou a mistura pouco recomendável entre os negócios e o governo, Moita Flores só se interessa pelos lugares nas listas. O que permite a MFL o argumento de que o mesmo se passará com muitos dos críticos internos. O que não andará longe da verdade.

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