O primeiro passo para perdermos a guerra contra o terrorismo é tratarmos os assassinos como vítimas.
Um assassino não é uma vítima. Um assassino é um assassino.
O primeiro passo para perdermos a guerra contra o terrorismo é tratarmos os assassinos como vítimas.
Um assassino não é uma vítima. Um assassino é um assassino.
Há proclamações que soam bem.
E a do post é uma delas.
Mas nem sempre resistem a uma análise um pouco mais fina.
Claro que um terrorista, quando mata, é um assassino e as vítimas são outras.
Mas, antes disso, pode ser vítima de outros, muitas vezes também assassinos.
Enquanto não reconhecermos o facto, é que nunca ganharemos a guerra do terrorismo
O primeiro passo para se perder a guerra contra o terrorismo é enchermos o nosso discurso de “mas”.
Encontro dois “mas” no seu comentário.
Tadinhos. Porque não vais viver com eles? Depois podes atirar-te ao mar outra vez e arranjar uma casa à borla num país europeu à tua escolha só porque és meio nharro. A gente paga porque mesmo que não tenhamos pedimos para nasceres temos de pagar porque temos culpa de teres nascido sabe-se lá porquê.
O passo principal para perdermos a luta contra o terrorismo é declaramos que se os assassinos pertencem a um determinado grupo, todos os membros desse grupo são assassinos por inerência e, ao mesmo tempo, os que não pertencem a esse grupo são inocentes por inerência.
Essa é a essência do pensamento terrorista, que NÃO devemos adotar.
Outra coisa bastante estúpida é pensar que os terroristas nascem do ar e que sem percebermos o que causa o terrorismo resolvemos alguma coisa.
Ninguém aqui defende nada disso, tanto quanto sei.
É um absurdo equiparar um assassino a toda uma categoria étnica, religiosa ou cultural.
Há assassinos em todas as etnias, em todos os quadrantes, em todas as culturas, em todas as religiões.
Este princípio não é de via única. É tão absurdo dizer ou escrever que “os muçulmanos professam uma ideologia assassina” ou fazer proclamações genéricas de sentido inverso: “os ocidentais são culpados de terem explorado populações noutros continentes e estão a pagar pelo que fizeram” ou “os americanos foram lançar bombas ao Iraque e agora recebem o troco”.
Para arrumarmos ideias, nada melhor do que começarmos por reconhecer que um assassino é um assassino. Ponto final. Sem “mas” nem “entretantos”.
Já reparou que a sua frase “um assassino é um assassino” só faz sentido se um assassino for facilmente reconhecível antes do ato.
Também posso dizer que uma batata é uma batata e estou certo,
Depois de ver alguém matar dizer que ele é um assassino não parece uma filosofia muito difícil.
Reparo que se lembrou dos muçulmanos sem ninguém falar deles. Afinal estamos a pré-classificar pessoas.
Escrevi “os muçulmanos” como escrevi “os ocidentais” e “os americanos”. Você conclui daí que estou a pré-classificar pessoas? Claro que estou. Precisamente para desmontar esse argumento, como qualquer leitor verificará. a-nada-tem-a-ver-com-isto-7936803
A minha tese é oposta àquela que você pretende atribuir-me. Não confundo a árvore com a floresta, como de resto tenho escrito várias vezes aqui.
Exemplo:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/al
O problema dos assassinos não está antes, está depois.
Rejeito as teses deterministas. Acredito firmemente no livre arbítrio e na responsabilidade individual: ninguém é criminoso antes de praticar um crime.
Mas não recorro a eufemismos para qualificar actos criminosos.
Lamentavelmente, quando ocorre um atentado terrorista, logo surge gente a considerar que os assassinos são vítimas. Da economia, da crise, da sociedade, da discriminação, do capitalismo, do aquecimento global, do planeta Terra, do sistema solar.
Isto para mim é inaceitável.
Um crime é um crime. A barbárie é a barbárie – tenha a cor ideológica que tiver, idolatre os deuses que idolatrar. Ponto final.
Um crime é um crime, a barbárie é a barbárie, até aqui, ninguém tem duvidas. As dúvidas começam no porquê do crime e da barbárie porque é este o busílis da questão. Enquanto não questionarmos o porquê, para acabarmos com a carnificina, nada feito porque ela vai continuar.
As bombas e os atentados terroristas que matam gente inocente, incluindo crianças, param se soubermos entender as “motivações” dos assassinos? Ah, ok, tudo bem: está a solução encontrada.
Se não, diga como resolve. É andar à procura deles? Onde? Quem são?
Que raio de perguntas.
O terrorismo jiadista combate-se como se combateu o terrorismo extremista na Itália e na Alemanha, na década de 70. Combate-se como se combateu o terrorismo da ETA, como se combateu o terrorismo do IRA.
Com serviços de informações competentes e organizados em rede, infiltrados nas organizações terroristas e dotados de meios efectivos para desarticulá-las. Quebrando-lhes as células dirigentes e as vias de abastecimento de armas e munições. E utilizando dissidentes e terroristas arrependidos nessas operações.
Não é preciso inventar a pólvora. A pólvora já foi inventada há milhares de anos.
Está enganado. O caminho da repressão pura e simples não funcionou. Teve de se cortar o apoio da população, fizeram-se acordos políticos e cedências de parte a parte. Quantos anos durou o conflito do IRA, e o da ETA?
Só quando os governos se capacitaram que o problema era mais complicado do que um caso de polícia é que se conseguiu parar. Isto sem deixar de agir policialmente ao mesmo tempo, claro.
Defendes a censura e/ou queima do Corão e do Manifesto Comunista Jo?
Caro Pedro,
parafraseando Clara Ferreira Alves na voz de uma das personagens no seu último livro, «Pai Nosso» – que ainda não completei a leitura, os bombista suicidas devem pensar de Deus não ter mais nada que fazer que reconstituir o corpo deve gostar, qual brincadeira de puzzles, para depois o disponibilizar para a 72 virgens!
Não conheço esse livro, António. Recomenda-o?
Sim, recomendo.
Ainda só li metade, espero completar a outra metade no próximo fim-de-semana, mas pelo que li fiquei com uma impressão positiva! Se não gostasse não continuava a leitura!
Não sei se possa considerar como positivo ou negativo, para mim ou para a autora, mas não consegui separar da leitura o facto da autora ser jornalista. Os momentos de descrição do Médio Oriente, nomeadamente Bagdad, ditos pela voz de uma personagem que é repórter fotográfica, em diálogo com outra personagem, assemelham-se mais a uma reportagem do que a um romance!
Apesar disso e, como disse, tendo só lido metade do livro, estou a gostar! Atendendo às similitudes profissionais, presumo eu que assim seja, penso que o Pedro também gostará.
Por isso, sim recomendo!
Se por ventura estou a ser injusto para com a autora, peço desculpa!
Ela desculpará, tenho a certeza.
Para que é que termina todas as frases com ponto de exclamação?
Excita-se, é isso.
Se o meu amigo, «anónimo», procura excitação, então recomendo-lhe outras leituras que não o livro que indico… 8338/digitalizar0004.pdf ) !
Pode começar com este artigo da revista do Expresso ( https://dl.dropboxusercontent.com/u/1972
Cumprimentos!
«O escritor Gabriel García Márquez, num workshop sobre novo jornalismo promovido pela sua fundação em 2001, na Cidade do México, defendeu que um jornalista pode «colorir» uma descrição dos factos de forma a captar melhor a atmosfera do momento e o espírito da pessoa no centro da reportagem. Onde é que há traição nisso? Perguntou o Nobel colombiano, virando-se para o anfitrião do workshop, Kapuscinki: «Tu também contas mentiras de vez em quando, não contas, Ryszard? O grande jornalista polaco, tipicamente, não respondeu. Sorriu apenas, o que foi resposta suficiente para os jovens jornalistas que participavam no workshop.»
In: KAPUSCINSKI, Ryszard – Mais um dia de vida. – Pref. Pedro Rosa Mendes : Angola 1975. 1ª ed. Lisboa : Tinta da China, 2013. pp. 7,8
Não é o caso, de todo, caro Pedro, do título que me questionou: «Pai Nosso». A autora esclarece-nos logo na abertura que «Todos os acontecimentos deste livro, mesmo quando baseados em personagens e factos históricos, são inteiramente fictícios», remetendo esta sua obra para a categoria de ficção.
Com um suave enredo de personagens dá-nos, na minha opinião, um belo quadro da problemática do Médio Oriente. É claro que não deixa de ser irónico aplicar a palavra beleza associada ao Médio Oriente, mas esse é o mérito deste livro, o qual agora, após ter concluído a leitura, na plenitude, posso recomendar ao Pedro.
P.S.: Por certo o Pedro conhece uma das imagens mais cruas, mas esteticamente mais belas – lá está, o belo associado ao horrível – do 11 de Setembro: «O Homem em queda» (https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Falli ng_Man ). Pois bem, a Clara, pela voz de uma das personagens dá-nos um murro no estomago e diz aquilo que eu gostaria de dizer, por vezes apropriamo-nos das palavras de alguns autores como se fossem nossas.
A manter-se a actual mentalidade ,da linha Oder/Neisse para cá , a guerra está perdida , evidentemente.
Uma das provas é que Molenbeck ( é assim que se escreve?), continua de pé…e continua habitada.
Tudo o resto, meus caros, é “wishful thinking”.
Como você escreve, a guerra só estará perdida “a manter-se a actual mentalidade”. Nada como começar a mudá-la, portanto.
Ninguém aqui elogiou os assassinos, tentaram escrever alguns, o porquê de o serem, o que os levou a isso. É isso que o Pedro se recusa a entender, mas que tem de fazer um esforço, tal como todos nós, temos de tentar ver, o porquê, disto tudo. A não ser que se seja louco ou psicopata, ninguém faz barbaridades que todos, aqui, sem excepção repudiam porque lhes apetece e nós insistimos em não querermos saber o porquê de fazerem tanta barbaridade.
Concordo. “A não ser que se seja louco ou psicopata,”. Há que concluir se é este o caso porque se for o tratamento é outro. Temos de saber o porquê das coisas e dos actos. O Senhor Pedro Correia teima em ficar ao nível da “batata é uma batata” o que é certo mas não resolve o problema. Ao contrário, eu penso que sem o método racional não conseguiremos e eu ao pensar assim até corro o risco de ser apodado de cúmplice dos terroristas. Mas abdicar da razão não leva à solução.
Não sei o que é isso da “batata é uma batata”. A menos que você esteja a comparar pilhas de cadáveres com batatas.
O anónimo que insiste em “perceber” o “porquê de o serem [assassinos], o que os levou a isso” faz-me lembrar aqueles judeus que tentaram “perceber” as motivações dos nazis entre 1933 e 1939. Alguns desses judeus contemporizaram com a barbárie, deixaram que lhes saqueassem lojas e confiscassem propriedades enquanto procuravam mostrar-se bons cidadãos alemães: muitos escutavam Wagner e exibiam orgulhosamente as condecorações obtidas em combate na I Guerra Mundial em defesa do império germânico. Acabaram nos campos de extermínio e nas câmaras de gás tal como os outros, os que não tinham tentado “perceber” o que levava as hordas hitlerianas a comportarem-se como bestas sanguinárias e racistas.
O anónimo e todos aqueles que pensam. Se não entendermos o porquê, jamais conseguiremos acabar com o terrorismo porque ao contrário da guerra, o terrorismo, ninguém sabe onde está, quem são e para cúmulo, eles até nem têm medo de morrer porque acreditam que vão encarnar noutros e assim se explodem sem qualquer temor. Se para acabarmos com eles é com guerra, é certo que a vamos perder. Ainda bem que fala nas bestas sanguinárias e racistas que mataram, massacraram, destruíram tudo por onde passavam e mesmo assim, acabada a loucura, todos ajudaram a Alemanha sanguinária a recuperar-se do caos, coisa que essa mesma Alemanha, não quer fazer aos outros. Ironia do destino, o Pedro que sempre tentou desculpá-los hoje e bem, chama-lhes bestas sanguinárias. Há uma diferença, esses sabia-se quem eram os alvos que queriam e onde estavam, os terrorista, ninguém sabe onde estão e quantos são. Os belgas já começaram a decifrar o problema e já viram que as várias seitas religiosas que deixaram entrar sem controlo e a marginalização dos jovens sem rumo, sem perspectiva de futuro, a quem tudo era negado e que amontoaram em bairros estão a dar os seus frutos, frutos esses bem duros de roer.
Parece-me que Pedro Correia defende uma solução à Bush: vê-se de onde vem o mal (o eixo do mal), deitam-se para lá muitas bombas (pois com bestas não há conversa) e pronto! Não creio que resulte: prefiro um procedimento racional (acredito no pensamento científico).
Com um bocadinho de raciocínio, talvez se chegue à conclusão de que só bombas não basta. Eu, como muitos, diria até que seria melhor bombardear o Daesh com toneladas de toucinho. Eles fugiriam a sete pés como faria Maomé .
Fornecer víveres ao inimigo? Isso só resultou com a Deuladeu Martins.
Toucinho para um muçulmano não entra na categoria de víveres. Sabia? Se calhar não, e é a sua repugnância pelo saber e pela razão que o leva a pensar que “deitam-se-lhes umas bombas em cima e está tudo resolvido (a nosso favor, claro)”.
A sua linguagem diz tudo: em teoria, peace & love & rock n’ roll, mas entra logo à cacetada verbal na caixa de comentários de um blogue mal é contrariado. E desata a chamar ignorantes aos outros, como só você tivesse sabedoria.
Chiça, de “pacifistas” como você não queria receber num uma fatia de fiambre, quanto mais um toucinho…
A tese do anónimo, portanto, é que os terroristas matam, ferem, estropiam, violam, mutilam porque vivem “amontoados em bairros” e “sem perspectiva de futuro”.
O anónimo lamenta os assassinos, coitados, que vivem assim: são “vitimas do sistema”- ou seja, do estado-providência europeu. Esquece-se de lamentar os assassinados, vítimas reais do terrorismo cego e fanático. Por esses não verte uma lágrima.
Não verto uma lágrima? Engana-se, estou farto de chorar. Mas concluí que chorar é tão inútil como defender as suas teses. Por isso resolve passar à acção.
Vai passar à acção como? Lançando bombas? Vive “comprimido” num bairro social? Falta-lhe horizonte de vida? Sente-se marginalizado e sem rumo?
Como? Isso não posso dizer.
Veja lá, não opte pelo bombismo. Há outras maneiras mais civilizadas de exprimir a revolta perante a sociedade que nos oprime…
O anónimo lamenta todas as vítimas do terror dos terroristas e quer tentar perceber o porquê de tais atitudes. Ninguém, no seu estado normal, tem atitudes destas e é aí que o Pedro não quer chegar e que enquanto não entendermos o porquê, estaremos sempre a ser vítimas deles. Pense um pouquinho e veja que o terrorismo é uma guerra difícil de combater porque ninguém sabe onde está e quem são e que tão pouco se importam de morrer porque acreditam, irem encarnar noutros. Perante isto, temos de começar a entender tal como os belgas já o estão a fazer, o que os leva a mudarem-se para o lado dos terroristas e pôr um freio a tudo isto. Podemos matar um agora que surgem logo outros, por isso mesmo, temos de ir ao fundo da questão que é o que o Pedro não quer fazer e insiste na mesma tecla, dizendo que aqueles que não dizem amem consigo estão pelos terroristas. Não diga isso porque fica-lhe mal e como jornalista que é, devia estudar estes problemas a fundo e não dizer o que pensa que é, sem o ser.
Um anónimo a responder pelo outro anónimo. Com tanto anonimato já me sinto baralhado.
O anónimo das 15:43 respondeu-lhe a si e não a outro a anónimo. Não se baralha se ler com olhos de ver, se ler como tem lido que é como quer que seja, aí é provável que fique baralhado. Também lhe lembro que esses anónimos, fazem parte daqueles que o alegram tanto com as suas visitas por aqui.
Um anónimo surge como porta-voz de outro anónimo. Mais: surge como intérprete do suposto pensamento de outro anónimo. E mais um anónimo vem a corroborar o que o anterior anónimo escreveu e o que o anónimo anterior ao anterior terá pensado.
É areia de mais para a minha camioneta.
Caro Pedro Correia, não vem a propósito mas permita-me o desabafo!!
E se fosse eu? Este é o nome de uma campanha indigente, a que, certamente, Guerra Junqueiro traduziria por asco!! As palavras ainda não foram suficientemente vergastadas para que um nome conceito compreenda isto!! E “isto” é uma campanha indigente de doutrinação da infantilidade de miúdos e graúdos que o Governo de Portugal acolhe como instrumento (já teve, inclusive, a chancela do PR. Inacreditável, de quem, simbolicamente, seria o último dos refugiados portugueses, nesse absurdo de ficar vivo). Não passa de um exercício superficial de puerilidade. Uma parvoíce! No fundo, o maior motejo à compaixão, como virtude, de que tenho memória nos últimos anos. E foram muitos, os motejos!!
Sinta-se à vontade para desabafar, caro Justiniano.
Entendo. Coitados… foram lá rebentar com o país deles e agora esperam que não haja retaliação depois de lhes terem massacrado as famílias e queimado a terra que os viu nascer… Despojaram-nos da sua humanidade e agora esperam que não reajam como animais…
Espera aí ! Quem é que rebentou com a Bélgica ? Quem é que rebentou com a França ? … não percebo como é que assassinos radicais e calculistas, nacionais de ambos os países, matam centenas e ainda alguém pode vir dizer subentendidamente que “estavam a pedi-las”, porque é exactamente isso que querem dizer quando os colocam no mesmo patamar das suas vítimas.
A todo o passo deparamos com a lógica do “estavam mesmo a pedi-las”, Dulce. Nem precisamos de sair desta caixa de comentários.