Do riso às lágrimas


André Couto,

Foi gira a graçola do 31 da Armada. Deu para rir, deu para distrair o País e em especial a sua ala direita, consumida até então com os problemas que Manuela Ferreira Leite comprou com a feitura das listas de deputados. Deu ainda para os autores aparecerem em todo o lado na comunicação social e inclusivamente para baterem records na blogosfera. Dá igualmente para parecerem agora um pouco mais assustados…

A generalidade das análises feitas a esta acção vangloria em perdida risota a iniciativa e os seus autores, centrando a crítica não nas gentes que incorreram em três violações directas do Código Penal mas nos órgãos de polícia e nos funcionários da Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Com curiosidade pergunto:

1. É suposto haver um polícia por metro quadrado de território a ver tudo aquilo que de absurdo se possa passar em cada local? É razoável exigir isso?;

2. É suposto estar um polícia a fazer a vigilância do exterior da CML, ou será que basta a permanência no seu interior, sendo a sua acção complementada por alarmes denunciadores de invasão do espaço das instalações camarárias? É justificável que o exterior da CML tenha vigilância diferente daquela que é dedicada aos demais espaços ditos normais da cidade, ou seja, a passagem de carros patrulha?;

3. É impressão minha ou grande parte dos críticos que afirmam que na CML não se trabalha estão de férias e têm as respectivas empresas igualmente com grande parte dos seus funcionários a banhos?;

4. Saberão porventura que nenhum funcionário da CML poderia derrear a bandeira uma vez que isso poderia colidir com a investigação que posteriormente seria levada a cabo? Terão consciência que esse gesto apenas poderia ser praticado pelos órgãos de polícia criminal?

 

Parece-me que depois do riso é tempo de chorar.

 

(também no Câmara de Comuns)

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