Memórias


tralhasdavida,

Uma vez, na rua,  a minha mãe deu uma nota de vinte euros a um homem com muito mau aspecto. Quando lhe dissemos que provavelmente o dinheiro ia ser gasto em droga ela disse que não fazia mal, que o homem estava desesperado.

0 comentários em “Memórias”

  1. Muito bem.
    O meu marido contou-me duas histórias que lhe aconteceram em S. Francisco, a terra dele:
    Uma vez um homem foi ter com ele no Rossio lá do sítio e meteu-lhe uma nota na mão. O Bill ficou a olhar para ele e o homem explicou: você deu-me sempre dinheiro quando eu lhe pedi, durante anos; agora tenho emprego, aqui tem o seu dinheiro de volta.
    De outra vez uma rapariga tocou-lhe à campaínha e disse-lhe: não sei se se lembra de mim, mas uma vez pedi-lhe dinheiro para apanhar uma camionete para ir para casa da minha irmã para fazer uma cura de desintoxicação [a típica história da treta para a qual eu, pessoalmente, não tenho paciência nenhuma]; você deu-me uns módulos para a camionete, eu fui, fiz a cura e queria só dizer-lhe que continuo limpa.

      1. Tenho a certeza de que havia de ter gostado de conhecer o meu marido e as histórias dele, que eram mais que muitas…

    1. O que eu não contei, e que torna o episódio ainda mais insólito, é que a minha mãe criou cinco filhos com um orçamento relativamente curto e, por isso, sempre foi muito parca nos seus gastos.
      Nunca nos faltou nada de essencial, mas era impensável que alguma vez ela nos colocasse uma moeda num daqueles carros que costumam estar nos cafés e que andam para trás e para a frente, ou, mais tarde, que nos desse dinheiro para ir jantar fora.
      Mas, de vez em quando, havia aflições que ela colmatava inexplicavelmente. Como esta ou como quando uma das minhas irmãs queria muito, mas mesmo muito, assistir a um concerto dos Supertramp.
      É por isso que considero a minha mãe uma pessoa por vezes desarmante.

  2. Exactamente. Se eu quero ajudar alguém ajudo e pronto. Não me ponho a moralizar depois: isso é caridade tipo Isabel Jonet, um paternalismo patético. Eu dou o apoio e confio no julgamento de quem o recebe. O que essa pessoa faz com o que eu lhe dei é da sua responsabilidade e acabou a conversa.

    É por isso que acho que deviam acabar com as apresentações quinzenais e outras formas de humilhação e paternalismo sobre desempregados, rendimentos mínimos, etc. Provavelmente a única coisa em que concordo com a histérica da Catarina Martins. Agora já não é histérica: foi promovida a uma ameaçadora generala do exército da declinação dos substantivos de grupo e dos advérbios também (os tipos e as tipas do bloco e da bloca são um bocado e uma bocada estúpidos e estúpidas, não há nada e nado a e o fazer e fazê-la)

    1. Caro V,
      Estou inteiramente de acordo consigo quando falamos de donativos de particulares para particulares. No entanto, quando falamos da distribuição de bens por parte de uma instituição, o caso muda de figura.
      Quando alguém doa dinheiro ou alimentos ou o que quer que seja a uma instituição para que seja distribuído a terceiros, essa instituição tem a responsabilidade e a obrigação de controlar (tanto quanto lhe é possível) o bom destino das doações.
      Já se falou muito na Dra Isabel Jonet e não me vou alongar nos seus predicados, mas posso-lhe dizer que, independentemente de muita gente a achar uma tia presunçosa, sou sua grande defensora. Confio mais nela do que em qualquer outra pessoa para gerir uma instituição da dimensão do Banco Alimentar. E, na minha opinião, o mundo seria muito melhor se existissem uma data de pessoas que, em vez de criticarem iniciativas louváveis nos blogues, gastassem esse tempo a alancar com pacotes de leite ou com sacos de batatas.

      1. É pena que se esqueça de publicar alguns comentários. Deixei uma resposta à sua sugestão para eu ir acartar batatas para bem de outros que não chegou a aparecer.

        1. Caro V., não me esqueci de publicar o seu comentário. A lógica da moderação de comentários sugere, precisamente, que se moderem verborreias que consideramos pouco pertinentes. É-me dada essa ferramenta e utilizo-a quando o tom de fel começa a subir sem que haja razão para isso.
          Aprovo vários comentários que contêm opiniões distintas da minha, desde que válidas, oportunas e justificadas de forma não agressiva.
          A seu tempo, a questão Isabel Jonet foi discutida neste blogue e deu pano para mangas.
          Este post era somente uma memória curiosa sobre uma senhora que nunca gastava dinheiro de forma leviana e que abriu o porta moedas para dar uma quantia insólita como esmola.
          No meu entender, a questão Isabel Jonet não é para aqui chamada, muito menos de forma empolada e enraivecida.
          Não gosto de comentários de ódio blogueiro, muito menos de proveniências anónimas. Sim, porque considero que V. é um anonimato.
          Eu sou a Francisca e se um dia me encontrar, sabe quem eu sou. O mesmo não se pode dizer de si.

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