(Tiago Petinga/LUSA)
6. O PAN foi uma surpresa nas legislativas de 4 de Outubro. É um partido novo, com algumas ideias interessantes, mas cuja sigla parece pouco ajudar na divulgação da imagem. Para já parece querer contribuir para uma solução governativa estável, pese embora o seu diminuto peso. A leitura dos seus documentos, uma visita ao respectivo site e a constatação do que por aí se encontra, em termos claros, actualizados e numa linguagem que se afasta dos lugares-comuns dos outros partidos, permite por agora ver aí uma prática diferente, por comparação com a dos partidos tradicionais. A transparência das suas contas, o nível de organização que já revela, os números que, ao contrário de outros, disponibiliza sobre a sua militância – repare-se no pormenor de desde o início dar a conhecer os números dos seus militantes, das novas adesões e dos associados com quotas em atraso – dão a entender que o partido pode ir muito mais longe. Do ponto de vista ideológico ainda haverá muita coisa a afinar, até porque tenho dúvidas que neste momento, mesmo entre os seus militantes e “companheiros de causas”, designação dada pelos estatutos aos seus simpatizantes com estatuto especial, haja facilidade em classificar o partido. Já passou por uma fase mais conturbada, entretanto creio que estabilizou e penso que vai ser interessante acompanhar a sua evolução durante os próximos meses até porque o PAN, ao invés do LIVRE, pouco prometia e não tinha rostos mediatizados que o ajudassem a uma presença assídua junto da comunicação social. Beneficiou da concentração do voto num círculo urbano com características muito específicas, mas a visibilidade que passou a ter pode permitir-lhe tirar partido do deputado que elegeu, usando-o como uma mola para continuar a crescer no futuro de uma forma mais consistente em todo o país.


Concordo. Estou em crer que conseguirão apanhar muitos eleitores do PSD e CDS e até mesmo uma fatia dos abstencionistas.
O mais difícil já eles conseguiram, que foi eleger um deputado. Isto dá-lhes a visibilidade que necessitam.
As autárquicas servirão para aferir esta afirmação.
na medida em que tem estado aolado do ps e do be, julgo que a “roubar” votos seria a esses dois partidos, em especial ao be. Como foi uma fraude, na medida em que apareceu como uma coisa e mostrou-se outra, os incautos do psd ou cds que tenham votado pam, nunca mais lhe darão o seu voto.
Basta ler a carta de demissão do criador do pam para perceber que os actuais líderes terão um carácter próximo dos dirigentes do be ou do ps, ie, oportunistas