O PIANISTA
Autor: Wladyslaw Szpilman (1946)
Realizador: Roman Polanski (Óscar de Melhor Realização e Palma de Ouro em Cannes, 2002)
Ver o filme antes de ler o livro condiciona-nos o olhar. E quando o filme resulta do talento de Polanski a obra literária que lhe dá origem acaba por nos parecer inferior. Por mais valioso que seja o testemunho humano, como é o caso.

![Not46[1].jpg Not46[1].jpg](http://8.fotos.web.sapo.io/i/B40044aee/19179325_lcZPA.jpeg)
![the-pianist-3[1].jpg the-pianist-3[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B6908a12c/19179295_9Qfyb.jpeg)
Este é, de facto, um filme extraordinário. Já o vi várias vezes e consegue sempre emocionar-me.
Gostaria muito de ler o livro mas nunca consegui encontrá-lo.
🙂 Antonieta
Julgo que o livro – sem desvalorizar o comovente testemunho humano – não acrescenta ao filme, Antonieta. E o filme acrescenta ao livro. Desde logo pelo magnífico desempenho do Adrien Brody.
Tendo a discordar.
De certo modo, compreende-se: o exercício de avaliação que se faz sobre o filme, é impossível de se fazer sobre o livro. São apenas memórias, passadas a papel por alguém que é músico, não escritor. Uma crítica literária do enredo, do estilo ou do ponto de vista parece, neste caso, descabida.
Mas acho que o livro também acrescenta. O elemento autobiográfico, que o filme não assume explicitamente. A história de Hosenfeld, que no filme é demasiado curta. E o que surpreende no livro, e que o filme não consegue reproduzir fielmente: a falta de ódio.
Sampy: note que estes meus brevíssimos apontamentos são assumidamente de carácter muito subjectivo. Funcionam como uma pincelada. Nem esta série poderia ser feita de outra forma: o óptimo é inimigo do bom, como há muito aprendi, e ou surgia nestes moldes ou acabava por “ficar no tinteiro”, como dantes se dizia.
O que mais me tocou no filme foi precisamente essa característica que sublinha no livro: a falta de ódio. A lógica do ajuste de contas passa-lhe ao lado. O oficial alemão acaba por ser a personagem mais surpreendente nesse contexto.
Como li o livro alguns anos depois de ter visto o filme – lá está, basta isto para condicionar de algum modo o nosso juízo na dicotomia obra escrita/obra filmada – esse aspecto não me impressionou tanto porque já o esperava. Algo que não sucederia se o percurso tivesse sido inverso.
Há uns meses vi os primeiros 20 minutos do filme. Depois fui-me deitar. Achei que aquele filme era um desfiar de violência gratuita e sem sentido.
Já sabemos que os nazis eram maus. Era escusado pôr cenas de violência cometida por eles umas a seguir às outras.
Os americanos têm a mania de filmar violência.
O filme não é americano. É uma produção europeia (França, Polónia, Alemanha e Reino Unido) a partir de um livro polaco e realizada por um cineasta também polaco de nascimento, com nacionalidade francesa.
Não li o livro mas vi o filme. Gostei muito. Da violência gratuita e tudo, da qual não deve seguramente ter sido passado para a tela nem um décimo da gratuidade. O Polanski, digam lá o que disserem, faz coisas muito boas. E depois tem a vantagem de não ser americano e não se encontrar condicionado por patriotismos exacerbados ou injecções atrás da orelha( que creio que por lá também há, apesar de serem apanágio de outras democracias). O facto de ser judeu e polaco de origem, e ter sido atingido directa e indirectamente pela violência nazi, confere-lhe o direito de a retratar o melhor que sabe, o que aqui fez com mestria.
Polanski é um dos meus cineastas favoritos. Por filmes como ‘A Faca na Água’, ‘Repulsa’, ‘A Semente do Diabo’, ‘Chinatown’, ‘Carnage’ e este excelente ‘O Pianista’. Um dos melhores filmes da primeira década do século em que vivemos.
Aqui seria caso para dizer: e também já ouvi o(s) disco(s). Existem várias gravações de Szpilman, enquanto intérprete e compositor.
Há quem garanta que nas suas execuções se pressentem os fantasmas…
Sim senhor: boa ideia para ampliar esta série. Fica para uma etapa seguinte.