Já li o livro e vi o filme (63)


Pedro Correia,

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 CASINO ROYALE (1953)

Autor: Ian Fleming

Realizador: Martin Campbell (2006)

Espionagem inspirada no Casino Estoril durante a II Guerra Mundial. Aceitável quando surgiu, numa obra sem pretensões, típica da Guerra Fria. Meio século depois parecia anacrónica servida pelo pior James Bond do cinema, Daniel Craig.

0 comentários em “Já li o livro e vi o filme (63)”

  1. Li alguns livros do Ian Fleming mas este não.
    Vi o filme na tv, já há muito tempo que deixei de ver o 007 no cinema.
    Para mim o pior James Bond foi o George Lazenby.
    🙂 Antonieta

    1. Para mim é mesmo o Craig. Vê-lo a beber uma cervejola pelo gargalo, algures numa tasca, como se fosse um operário da construção civil, arruinou a ‘persona’ cinematográfica edificada ao longo de mais de quatro décadas. Foi-se o requinte do ‘dry martini’ – ‘shaken, not stirred’.

      1. Confesso que não me recordo desse pormenor, ainda assim culparia o argumentista e o realizador, nunca o actor.
        De qualquer modo já não tenho muita ‘pachorra’ para os filmes do James Bond.
        🙂 Antonieta

        1. Mas o actor está impecável na pele deste Bond ‘proletário’, que bebe cerveja pela garrafa e só pensa em usar os punhos na próxima sessão de porrada digna de um filme de desenhos animados.
          Nada a ver com o requinte irónico de um Sean Connery, um Roger Moore ou um Pierce Brosnan – esses sim, fiéis à figura do agente secreto tal como foi concebida pelo criador.
          De qualquer modo concordo consigo, Antonieta. O fenómeno Bond foi hipervalorizado para efeitos comerciais. Não passa um minuto, nos filmes mais recentes, sem publicidade descarada a um carro, um relógio ou uma bebida. Daí o tal filme que vi com o Craig ele passar o tempo a beber cervejola – a Heineken era uma das patrocinadoras da fita.
          Qualquer semelhança entre isto e cinema é pura coincidência.

          1. Os filmes do James Bond eram pura diversão e eu não perdia um. Também eram óptimos para fazer turismo, por exemplo conheci Meteora com o Roger Moore.
            Recentemente vi dois dos meus preferidos em dvd:
            – ‘Dr. No’ com o Sean Connery e a Ursula Andress.
            – ‘A View to a Kill’ com o Roger Moore, a Grace Jones e o Christopher Walken (e também a Torre Eiffel e a Golden Gate).
            E prefiro-os, de longe, a estes mais recentes.
            🙂 Antonieta

          2. O mesmo acontece comigo, Antonieta. Os primeiros Bond não se levavam demasiado a sério. E sobretudo não eram uma sucessão de pequenos filmes publicitários como se tornaram os títulos mais recentes. O último já não vi: geralmente passo em frente quando surgem os anúncios.

  2. Li (o meu pai comprou-o, tal como outras obras de Ian Fleming) um e vi (aliás, tenho em DVD) o outro; e, apesar dos muitos anos que os separam e de uma ou outra (inevitável) «modernização», o filme consegue ser bastante fiel ao livro; considero-o, até, o melhor na (já longa) série, embora não seja o meu favorito. E não concordo, Pedro, que Daniel Craig seja o «pior James Bond»…

    1. Estamos em desacordo nisto, Octávio. Daniel Craig é para mim o expoente da definitiva rendição da série à mais desbragada mercantilização – tal como refiro mais acima, no meu diálogo com a Antonieta. Este Bond “proletário”, sucedâneo de qualquer Dirty Harry, tem pouco a ver com o Bond original, tão bem corporizado por Sean Connery, cheio de fleuma e sentido de humor.
      Olho para aquele semblante esfíngico, onde raramente perpassa a sombra de um sorriso, e vejo-o sempre como uma espécie de irmão mais novo de Vladimir Putin. Há qualquer coisa de comum entre ambos.

      1. Do que eu me lembro dos livros – mas, lá está, li-os há muitos anos, pelo que não tenho a certeza absoluta – James Bond é um «duro», um «macho», pouco dado, na verdade, à fleuma e ao sentido de humor; estas características estão mais associadas a Roger Moore, que as introduziu (trazendo-as, de certo modo, da série «O Santo», que ele protagonizara) para se distanciar, para marcar o contraste (compreensivelmente) com Sean Connery, que o antecedera no papel; Daniel Craig como que recupera o «estilo» de Connery… adaptando-o ao mundo actual, claro; e se ele é «proletário», «tosco», em «Casino Royale», isso é lógico… porque se trata do início, de uma «origin story»; progressivamente ele irá aprendendo, desenvolvendo-se, tornando-se mais sofisticado.

        Quanto à «mercantilização», ela não é, obviamente, da responsabilidade do(s) actor(es) mas sim dos produtores. «Desbragada»? Não necessariamente; útil, sim, para ajudar a suportar as despesas das filmagens… e, afinal, algo de normal num sistema capitalista. E a superioridade deste em relação ao socialista-comunista também é manifestada pela qualidade dos produtos e serviços, das marcas, que contribuem (têm contribuído) para o desenvolvimento do Ocidente. Pelo que, por exemplo, um Aston Martin, um Lotus ou um BMW, usados (conduzidos) por James Bond, são também «armas» neste confronto ideológico (e não apenas comercial), e, comparados com um Trabant… ajudam a dissipar as dúvidas sobre quem tinha (tem) razão e quem ganhou. 😉

        1. Meu caro, no tempo da Guerra Fria haveria lógica nisso – e não esqueçamos que Bond é produto assumido da Guerra Fria. Mas hoje não faz o menor sentido. Cada longa-metragem de Bong é, no fundo, uma sucessão de pequenos filmes comerciais -sem o menor traço ideológico. Craig é tão inexpressivo quanto convém aos interesses mercantilistas dos financiadores dos filmes. Por vezes interrogo-me se ele padecerá de paralisia muscular facial.
          Mas, enfim, no fundo isto é um divertimento – não vale a pena gastar muita energia nos “prós e contras”. Confesso-lhe que só tardiamente li ‘Casino Royale’ e não fiquei impressionado. Diziam que era um dos livros preferidos do Presidente Kennedy – e ele muito contribuiu para a fama de Ian Fleming. Mas valha a verdade: um John Le Carré derrota-o por goleada.

  3. Li o livro. Li os Bonds. Gosto do estilo sedutor-fleumático-irónico .
    Não faço qualquer questão de ver as recentes adaptações ao cinema.
    Nunca “colei” Daniel Craig ao personagem.
    Se passa na TV e tenho tempo, mato a curiosidade e mato-me de tédio. Destestei o Skyfall.

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