Alguns álbuns de 2015: “Me”, de Empress Of


escafandro,

Se Florence exorciza o final de uma relação amorosa através de música por vezes bombástica mas sempre melodiosa, a norte-americana de ascendência hondurenha Lorelei Rodriguez, movendo-se na mesma área (digamos pop dançável baseada em sintetizadores), aposta na estranheza e na fragilidade para examinar a relação estagnada (bem como as dificuldades económicas) de uma imigrante em Nova Iorque. Dona de uma voz menos adequada a hinos grandiosos do que Florence, Lorelei assenta a maioria dos temas em letras cruas («Nothing comes between us/ But a piece of latex/ When you tear my clothes off/ Like I was a paycheck») e numa sonoridade sincopada, menos imediata. Todavia, Me vai mais além: inclui um par de canções nas quais, lírica e musicalmente, ela promete parar de olhar tanto para dentro e para trás («our memories are a threat», garante) e começar a olhar mais para fora e para diante. Afinal, depois de se tornar imperatriz dela mesma, resta-lhe partir à conquista dos outros. Dos fãs de Florence, por exemplo.

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