Menos um


jmmcc,

Abro o Público online e leio que «Gomis recuperou da gripe A e regressou aos treinos». Posso estar a ser injusto, mas (que eu desse por isso) parece-me que este é o primeiro caso anunciado de cura. A partir de agora, já sabem: sempre que lerem ou ouvirem qualquer notícia sobre o número de infectados que anda por aí, podem subtrair um.

20 comentários em “Menos um”

  1. Aqui há uns tempos vinha uma reportagem no Público sobre as pessoas que tinham tido Gripe A e que se tinham curado, mas tirando isso, tem toda a razão, João. A avaliar pelas notícias parece que é sempre cumulativo, deve haver pessoas com a gripe há meses. Não ajuda nada, isto. Os hipocondríacos devem estar em pânico.

  2. João, a sua irritação com este assunto deve ser tão grande como a minha irritação com a sua irritação. Eu já vi por muitas vezes notícias onde os responsáveis de saúde são citados a dar os números cumulativos de contaminados em Portugal e referindo de imediato que a maior parte deles já está curada e a fazer a sua vida normal. Creio ter chegado mesmo a ler que cerca de 75% dos infectados até essa altura estariam curados.

    Como não é possível andar atrás de cada infectado todos os dias para descobrir se já está curado, creio que os jornais não se preocupam com isso. Por outro lado, as autoridades médicas recolhem apenas os dados sobre infectados, que são os que interessam num quadro epidemiológico, mas deixam a parte da cura a cargo dos hospitais. Como regra simples, aliás, recue até aos valores de infectados totais de há 7 dias e retire-lhe os mortos. A diferença dá o número de casos já curados.

    Caso queira mesmo saber os valores todos, dos casos um a um, vá você procurar isso. Não tem tempo? Pois, os outros também não.

          1. Não creio que tenha a ver com isso. O número de infectados é um dado epidemiológico importante, tal como o número de mortes. Já o período de recuperação (com ou sem tratamento) é um dado clínico. Cruzando os dois dados os médicos obtêm a informação de que necessitam. Já os jornalistas, se querem dados explícitos sobre o número de curas, devem procurá-los.

            Imagine a situação como no caso de um ataque terrorista. Dão-se habitualmente o número de mortes e o número de feridos. Mais tarde vai-se actualizando o número de mortes e feridos de acordo com novos casos que sejam descobertos e de feridos que acabam por morrer. não me lembro de ver uma única vez dados que dissessem “X feridos recuperaram totalmente, Y ficaram com problemas parciais e Z com problemas graves”. E estamos a falar apenas de um atentado simples (é sempre grave, mas penso que compreende o que quero dizer), não de uma situação que se mantém de forma contínua.

            Em epidemiologia creio só contarem os casos de cura se estivermos a falar de doenças crónicas, onde as probabilidades de remissão são importantes para compreender aquilo que provoca a cura. Já uma gripe não tem nada que não se compreenda relativamente à cura: é aquilo que leva à morte ou à contaminação mais facilitada que é difícil de compreender. Uma cura é um não-caso. Uma morte é um dado importante.

          2. Já falámos antes sobre isso. Não adianta repetirmo-nos. Os mortos não recuperam. No entanto, como desta vez que «os jornalistas, se querem dados explícitos sobre o número de curas, devem procurá-los», tentemos de outro modo: e se eu, meu caro, quisesse dizer-lhes isso mesmo? Porque continuo a achar que é parte importante da situação saber das curas, à medida que se vai sabendo dos infectados.

            Parte menor, mas a talhe de foice, é tentar explicar a quem informa que não se pode dizer que há ‘n’ infectados em Portugal, quando se anda apenas a somar. Não há ‘n’: há ‘n’ menos ‘x’.

            Finalmente, se o meu amigo continuar a visitar-nos (o que considero indispensável) e a honrar-me com a sua leitura (o que talvez seja dispensável, mas me deixaria inconformado), fica já a saber: é muito provável que eu continue, embora sem a mais pequena intenção, a irritá-lo com estas coisas. Paciência.

            Abraços e obrigado pela sua invariável atenção.

          3. Caro João, parece que isto é mesmo assunto de opinião, portanto deixemos o assunto.

            Não se preocupe com as irritações que passam bem e posso garantir que não deixo de vir ao Delito. Posso é não comentar sempre, porque nem sempre tenho alguma coisa especial para dizer. E porque a qualidade dos posts (os seus também, como é óbvio) até me pedem que não o faça, não vá eu estragar o retrato :).

            Abraço

  3. João:

    O que afirma é verdade, aliás eu chamo a isso o bombardeamento diário dos números pela comunicação social e pelo governo que os fornece.
    Pelos vistos há quem não entenda assim como o João André mas daí a termos irritação…

  4. Caro João, aproveito o seu post a propósito da gripe A para alertar para um situação que se passou comigo. Comprei ontem na farmácia de um hospital privado um gel para higiene das mãos por fricção. Acontece que o produto me pareceu excessivamente caro (7,5 euros para uma embalagem de 100 ml), mas resolvi passar à frente e comprar mesmo. Acontece que ao chegar a casa quando retirei o preço com o código de barras o quê que revelava a embalagem original? Not for Retail Sale ” Ne peut être vendu au détail “. A conclusão parece-me obvia… devem estar a vender amostras de um produto. Já reclamei junto das entidades competentes. Limito-me a chamar aqui a atenção para os incautos. Muito obrigada pela oportunidade.

    1. É de registar. Fez muito bem em denunciar o caso às autoridades e parece-me muito útil que o divulgue tanto quanto possível.
      Acho mesmo que a denúncia justifica plenamente a identificação da farmácia e/ou do hospital em causa. Nestas coisas, não deve haver lugar a paninhos quentes.

      1. Não o fiz deliberadamente João. Pode haver alguma justificação, enfim dada a “pandemia”, que tenha justificado alguma medida de excepção, e que estejam autorizados por qualquer razão que me escape a faze-lo. Parece-me que a defesa do bom nome é um bem essencial. Para a semana vou buscar os exames que lá fui fazer e logo verei se a situação se mantém.

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