Cresci como economista no Banco de Portugal e o que hoje sei devo-o muito àquela instituição onde servi – e gosto de utilizar esta expressão – durante mais de 18 anos. Trabalhei com vários governadores, de Jacinto Nunes a Silva Lopes, destacando apenas estes porque foram aqueles que mais me marcaram.
Tenho um enorme orgulho de por lá ter passado, num tempo difícil e com a primeira intervenção da troika. Felizmente já não estava na casa à época de Vítor Constâncio, que apenas conheci como colega.
Entristece-me ver o que se está agora a passar com o actual governador que apenas conheci num contacto informal, resultante de um pedido que lhe fiz para ser recebida. Fiquei, confesso, com óptima impressão sua, apesar de saber que o problema que lhe pus não iria ocupar a sua atenção. Mas eu cumpri com o que entendia devia fazer e ele fez o mesmo recebendo-me.
O Banco de Portugal foi uma instituição que deu ao país, talvez, dos melhores economistas que tivemos. Hoje parece ter um enquadramento diferente daquele que tinha no meu tempo.
Mas se quisermos perceber, de facto, o que se passou na Banca desde o caso BPN, então teremos que ouvir mais do que Carlos Costa. Teremos que ouvir também Constâncio porque os problemas, a meu ver, começaram ainda no seu tempo e ninguém melhor do que ele para os esclarecer.
Uma instituição não se degrada apenas pela política de um governador. Degrada-se por muitas outras razões mais. E uma Comissão de Inquérito sobre o Banif terá todo o interesse em conhecer como é que tudo começou. E estar atenta à CGD e à sua evolução, porque também ela poderá explicar alguns pontos desta brisa que varreu a banca nacional.
A Comissão de Inquérito se quiser levar por diante um trabalho exemplar tem que andar para trás e explicar aos cidadãos contribuintes o que encontrou, o que se fez no passado e as razões que levaram o governo a entender como melhor solução salvar os depositantes, mas sobrecarregar aqueles que pagam impostos.


Acompanho-a na maioria das suas dúvidas. A banca portuguesa, especialmente depois de nacionalizada e enquanto tal, tem muito que contar…
Muito bem…
Permita-me uma pergunta:
Não acha que temos bancos e caixas a mais? Não estará aí um dos grandes problemas da instituição?
Feliz Natal e Melhor Novo Ano.
Quando o BDP podia lixar os depositantes = especulação monetária criando dinheiro e a desejada inflação para diminuir a dívida do Estado estava bem?
O governo não está a salvar os depositantes, está a salvar ALGUNS depositantes que têm mais de 100 mil euros em depósitos ou afins (que não são depósitos) e a empurrar para os contribuintes o ónus de manter negócios falidos que conseguiram créditos sem para isso terem apresentados as garantias que são EXIGIDAS a qualquer particular ou pequeno empresário.
Que o esquema já vem detrás e está montado dolosamente para fazer ajoelhar nações inteiras, poucos dos que estão informados terão duvidas, que haja 5ª colunas desta estratégia em cada uma das Nações visadas, também não há duvidas.
Que são precisas acções decisivas também não restam duvidas.
A minha IDEOLOGIA é PORTUGAL e enquanto a REALIDADE lhe for hostil há que combater a realidade que nos querem impingir.
Cara Helena, não sou economista e sou feliz assim. Mas esta minha debilidade formativa obriga-me a ler muito sobre o assunto para poder entende-lo e, lidos os especialistas, confesso-me na mesma. Contudo, como facilmente se percebe pela sensatez deste teu post, a realidade insiste em ser mais complexa e abrangente do que o discurso político de trincheira que domina o espaço público. Resta saber se o mandarinato que domina tvs e jornais o entende também. Bom post. Um abraço
Três bancos falidos fala mais sobre a competência e profissionalismo de uma instituição, de qualquer testemunho.
Como cidadã, mais do que explicações e justificações, gostaria de ver “responsabilizações”. Nomes. Supostos profissionais a assumirem erros e falhas e, loucura das loucura, a arcarem com as respectivas consequências. Isto, sim, seria servir!