Ainda todos se recordam do que aconteceu no “caso BPN”, bem como do que se passou com o Millennium-BCP e o BPP. E todos têm bem presentes as críticas que foram feitas à actuação do Banco de Portugal, aos seus responsáveis e ao trabalho de supervisão. Todos acreditámos que esse tipo de situações não se repetiria. Entretanto, mudaram os governos, trocaram-se ministros e o governador do Banco de Portugal também foi substituído. O novo, Carlos Costa, sabia da poda e tinha o aval do Presidente da República, do primeiro-ministro Passos Coelho e da maioria parlamentar que o apoiava. Depois disso e de tudo o que antes fora “escalpelizado” nas comissões parlamentares, viríamos ainda a ter o inenarrável “caso BES”, para o qual muito contribuíram esse mesmo Banco de Portugal, uma vez mais o Presidente da República – sempre convicto nas suas crenças mas esquecido das declarações que faz e com necessidade de cada vez que fala corrigir o que disse – e o Governo, que foi deitando água na fervura para acalmar os investidores, os depositantes e os contribuintes. Estava tudo controlado. Vítor Bento era uma excelente solução e iria tudo correr sobre rodas. Sabe-se o que aconteceu a seguir e o estampanço que têm sido as soluções encontradas para o Novo Banco, o tal que não iria custar um cêntimo aos contribuintes e do qual estes nunca mais se livram. As dúzias de soluções e a imensidão de investidores interessados na aquisição do Novo Banco desapareceram, evaporaram-se. O emplastro foi agora entregue ao Governo de António Costa e a Mário Centeno para que estes encontrem a solução que Passos Coelho e Maria Albuquerque tinham prometido ao país há um ror de meses.
À medida que tudo isto vinha acontecendo, a situação do BANIF, que já estava com uma luz vermelha, continuava a deteriorar-se. Com mais uns milhões injectados pelo Estado chegamos ao fim de 2015 com outra situação por resolver e com mais um caso que, neste momento tudo aponta para aí, venha a custar mais uns milhões. A administração dessa instituição terá tentado fazer o que estava ao seu alcance e ao que parece até já apresenta alguns lucros, apesar do seu reduzido valor em bolsa. Neste momento a perspectiva é de novo a de que alguém vai voltar a ficar a arder e a ter de arcar com os prejuízos. E agora pergunta-se: de quem é a culpa? Do supervisor? Dos executivos de Sócrates? Qual a razão para ao fim destes anos se voltar a ter um banco nesta situação? O que falhou? Quando poderão os investidores, os depositantes e os contribuintes voltar a ter descanso?
Os portugueses têm o direito de saber quais as respostas a estas questões. Espero que isso não seja deixado para os que acabaram de tomar posse e que Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Cavaco Silva, Carlos Costa e Nuno Melo tenham respostas para isto na ponta da língua. Se não as tiverem, então, talvez uma nova comissão de inquérito parlamentar seja o indicado, digo eu. Para que os portugueses possam tirar as suas conclusões. Por agora, ou me engano muito ou, em uníssono, todos dirão que desde que Sócrates foi corrido e Constâncio despachado a supervisão funciona muito melhor. Coisa de que hoje ninguém tem dúvidas. Disso e de que os problemas na supervisão e no sistema bancário também continuam a ser os mesmos de sempre ao fim de quatro anos de “reformas”. A desresponsabilização também é a habitual, acrescente-se.


A resposta é simples: os bancos, como as outras empresas, vão à falência.
Enquanto não os quiserem deixar falir, e quiserem proteger todos os depósitos, o estado vai ter que cobrir todos os depósitos. E se os deixarem falir, o estado vai ter que cobrir alguns depósitos.
As falências podem ou não ser casos de polícia, nos bancos como em qualquer outro lado. Aliás, em todo o lado, há quase sempre uma tentativa desesperada de sobrevivência que leva a que se pise o risco, mas raramente é o pisar do risco que motiva a falência. Enquanto não for normal falirem, bancos e empresas, será sempre assim, e nunca ninguém estará preparado para as consequências.
O resto é a conversa do costume: os bancos têm obrigação de emprestar “à economia”; os “spreads” são altos; temos que manter os “centros de decisão nacional”; pagam poucos impostos; cobram muitas comissões; temos que restruturar a dívida com “envolvimento dos privados”; etc.
Todos querem que os bancos invistam, emprestem, sem retorno. Todos se apoquetem muito quando há retorno (mas claro, mais ainda quando não há). Depois admiram-se.
..tanta saudade do Constâncio – talvez para fazer uns calculos de défice ás milésimas… Talvez o possam ter de volta para mais completa ressureição da xuxalada de bancarrotas – há um par de semanas, um editorialista da “The Economist” chamava a atenção: “Shorter Draghi: Listen to the boss, not Constancio”…
Sobre o Banif, “wait and see” antes de tal extrema unção….
Só custou começar, não são eles que o vão pagar. Não vão ser responsabilizados sequer. E como já devem ter percebido há muito que o povo é sereno e a fonte inesgotável. Segurem-se que a carruagem está em marcha, aguardam-se novos episódios, estou a ver o dia em que vamos ao multibanco e até o salário foi.
Quer respostas? Fale com Luís Amado.
A politica em Portugal… bem que merece este texto de Millôr Fernandes
Adaptação ( Não aconselhável a menores de 10 anos)
…” O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que se diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito de “foda-se!”?
O “foda-se”! aumenta a nossa autoestima, torna-nos umas pessoas melhores
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
Isto está mau?! – então “foda-se”
Vai decidir essa merda sozinho (a) ?! – então “Foda-se”!
O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extramente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
” Comó caralho”, por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade de (merda) que comó caralho!? Comó caralho” tende para o infinito, é quase uma expressão Matemática….
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de “Puta – que – o- pariu!” ou o seu correlativo ” Pu-ta-que-o-pa-riu”, falado assim, cadencialmente, silaba por silaba.
Diante de uma noticia irritante, qualquer “puta-que-o-pariu!… Os nossos neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que permitirá dar um merecido troco ou livrar-nos de maiores dores de cabeça….”
Então
Liberdade
Igualdade
Fraternidade
e
“Foda-se!”
Não desesperemos:
Este país … ainda vai ser “um país do caralho”
Atentem no que vos digo!
O Sérgio reparou que o A. Costa foi escolhido pelo governo do Sócrates, para presidir ao BP? E tomou em consideração o período em que o Banif entrou em dificuldade? E quem foi conivente com o “empurrar com a barriga para a frente”, no caso do BES? Defende o Sérgio que a “solução” engendrada pelo Teixeira dos Santos/Sócrates é melhor do que a adoptada para o Banif?
Para mim, o Sérgio acordou hoje de má catadura, que não justifica tudo.
É claro, era vice-presidente do BEI, a sua nomeação suscitou aplauso mesmo na oposição e ocorreu numa altura (2010) em que o governo Sócrates já estava em queda. É uma pessoa prestigiada e havia necessidade de mudar as coisas, corrigir o que estava mal. O problema não está aí. O importante era que as situações não se repetissem e as coisas acalmassem. Isso não me parece que tenha sido conseguido e a instabilidade e a insegurança dos depositantes continuam apesar de todos os comunicados. E, entretanto, o governador também foi reconduzido.
falar antes do tempo…. anca___financas/detalhe/tvi_pede_desculp as_a_espectadores_accionistas_e_trabalha dores_do_banif.html
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/b
P.S. – Já agora, ‘vá-lá-ver’ como a noticia é “emprenhada” que pode ser instrutivo…. Este ‘novo time’ das finanças tem de ter um pouco de tento e juízo nas “self-fulfilling prophecies” que anda deixar propalar… São coisas suficientemente sérias para as manter desinfectadas de ‘spin doctors’ e outros imberbes da xuxalada costista!
Lembrar que logo após as eleições, o Costa ‘himself’ andou a “bojardar” insinuações sobre estes temas para servir ronhas da politiquice rasteira que pratica!!
Felizes aqueles que vivem na ignorância…
A culpa do que acontece é nitidamente dos governos?
As más gestões e inviabilidade dos negócios, com um governo “bom” passariam a dar bons resultados?
Bom, os juros são determinados pelos Governos centrais e quando mais baixos, mais fica fácil fazer obras e financiar Empresas Publicas…
Por isso em boa mediada parte do crédito mal parado é culpa dos Governos- neste caso do BCE.
Dito isto se o Banif não se aguenta deve falir. Se não falir é a destruição do mercado e do capitalismo.