Notas políticas (1)


Pedro Correia,

Há um mês, prometia-se uma solução alternativa imediata: só agora ficou esboçada. Prometia-se um acordo unitário: houve três. Prometia-se convergência à esquerda: ela não existiu sequer na formulação de uma moção de rejeição conjunta ao XX Governo Constitucional, que foi derrubado esta tarde. Prometia-se um pacto de legislatura: os documentos hoje assinados à hora de almoço estão muito longe disso –  não assegurando sequer posições solidárias na apreciação de orçamentos do Estado e na votação de moções de censura. Prometia-se abertura – mas as assinaturas, em separado, decorreram à porta fechada, sem televisões, quase em segredo. “Sequencial com momentos individualizados”, por determinação dos comunistas. O partido que mais defende a colectivização é afinal muito cioso da sua privacidade.

Como diria António Costa noutra constelação, tudo isto é poucochinho.

0 comentários em “Notas políticas (1)”

  1. 4 moções. Como é que um partido (Os Verdes) que nunca teve um único voto expresso e nem sequer tem desempenho coerente com o seu programa (?) pode fazer uma moção de rejeição separada do partido com o qual concorreu coligado?

    Vantagens de um País onde a ignorância do povo permite que um parlamento coabite alegremente com uma fraude institucional (agora são duas!) e onde a geometria variável quando é feita para a Esquerda é tolerada.

    1. Só aquela primeira fila da bancada… Francamente. Acho que nunca houve em nenhum partido uma linha da frente tão repugnante.

      Creio que a arrogância e o cinismo que evidenciaram nestes dois dias (segui em directo as sessões parlamentares) é sinal de desconforto e consciências poucos tranquilas. À noite, no escuro, sabem bem a canalhice que fizeram lhes vai sair cara e está condenada ao fracasso.

  2. prometia-se uma solução alternativa imediata

    Nunca ouvi tal promessa, de que a solução fosse imediata.

    Além disso, tendo Cavaco decidido designar Coelho como Primeiro-Ministro, não havia qualquer pressa. O governo demoraria duas semanas a ser formado e depois a ser rejeitado, pelo que, PS, BE e PCP não tinham que se apressar. Apenas tiveram o cuidado de concluir as suas negociações e assinar o acordo final quando ele se tornou necessário.

    1. Tiveram tanto cuidado em “concluir as negociações” que no fim deixaram quase tudo em aberto. A começar por essa imensa incógnita que é a aprovação de orçamentos do Estado, o mais importante instrumento de acção governativa.

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