A esquerda muralhada


Pedro Correia,

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A indigitação do teólogo madeirense Edgar Silva – desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses – como candidato presidencial do PCP só demonstra que o simulacro de estratégia “frentista” ensaiado pelos comunistas na frente parlamentar não é mais do que isso: um simulacro.

Reparem nos sinais: no preciso momento em que dialoga com o PS, para construir um alegado “entendimento à esquerda”, o partido da foice e do martelo lança esta candidatura divisionista de um membro do seu Comité Central, destinada no essencial a roubar votos à de Sampaio da Nóvoa, o tal candidato “unitário” que António Costa andou a empurrar para o palco nos idos de Abril e parece condenado a uma derrota esmagadora no escrutínio de Janeiro.

A “unidade”, para os comunistas, é um conceito meramente instrumental e sempre adiado para um amanhã que nunca chega. O PCP recusa concessões que possam beliscar-lhe a forte identidade construída ao longo de décadas: um arremedo de Frente Popular em Portugal ou se ergue num futuro impreciso sob a sua bandeira ou jamais se alcançará.

Fiéis a este desígnio, os comunistas preocupam-se sobretudo em preservar um espaço muralhado, impedindo a dispersão dos 400 mil eleitores que constituem o seu eleitorado fixo. Que a construção da “unidade de esquerda” termine antes de começar é para eles uma irrelevância.

Alguém se espanta? Este filme é exibido em sessões contínuas desde 1975.

0 comentários em “A esquerda muralhada”

  1. Não sei se me engano.Não andou a elogiar-lhe os passinhos de dança,a doçura
    do falar,a abertura? Aquele partido comunga de um século de história mundial,
    da gloriosa revolução comunista de 1917 aos Processos de Moscovo,da Grandiosa Revolução Cultural de Mao aos Kmers Vermelhos,teoria e prática juntas.Nunca
    condenou nada,apenas uns erros de percurso mantendo o fundamental:as grandes conquistas comunistas.Meros ajustes de táctica.Já leu o Militante?Convinha.

    1. O paraíso na terra:
      A gloriosa revolução comunista de 1917, Processos de Moscovo, a Grandiosa Revolução Cultural de Mao e os Kmers Vermelhos. Acrescento os Gulags, as invasões e anexações dos países periférico da Rússia e a criação da união soviética.

  2. Ainda bem.Há sempre gente a ignorar a História do século XX no que respeita aos
    partidos comunistas e ao que deixaram onde governaram,não escapa um para amostra.

  3. o teólogo madeirense Edgar Silva

    Ele não é teólogo. É licenciado em teologia, o que é uma coisa completamente diferente.

    O facto de uma pessoa ser licenciada em física ou biologia ou sociologia não faz dela físico nem biólogo nem sociólogo. Só o será se efetivamente exercer essas ciências – o que é muito diferente de tê-las estudado.

  4. Não concordo com este post. A eleição presidencial faz-se a duas voltas. Na primeira volta todos os candidatos se apresentam. Na segunda volta é que se fazem alianças.

    Ou seja, o PCP poderá vir a apoiar o mesmo candidato que fôr apoiado pelo PS, mas na segunda volta, não necessariamente na primeira.

    Aliás, se o próprio PS não vai apoiar nenhum candidato na primeira volta, por que raio haveria o PCP de se abster de apresentar o seu candidato?

    (Nota: não sou simpatizante nem do PS nem do PCP.)

      1. Quatro dessas eleições eram apenas a reeleição de presidentes que já lá estavam. Outra, a de Ramalho Eanes, não tinha concorrência genuína.
        Apenas três eleições presidenciais foram de verdadeira concorrência.

  5. Quem lhe diz a si que não desistem da candidatura em favor do candidato do PS como já aconteceu! Fala da muralha do PCP esquece-se da muralha da coligação que são maus políticos e estão sempre a meter medo dos papões. Até agora pelo que se sabe o PCP não se importa de abdicar de muito das suas ideias, enquanto a coligação não quer abdicar de nada. Eu não sou do PCP nem lá perto, mas sei ver que nunca fizeram política, a mal dos portugueses. Sempre apelam à união, ao apoio dos mais desfavorecidos, a mais igualdade e a menos capitalismo. Isto é mau? Parece-me que não, antes pelo contrário, parece-me digno de pessoas de bem. É perfeito? Não, não é, como ninguém o é, mas uns são mais imperfeitos que outros. Recentemente fiz uma viagem à Roménia, país como sabemos governado 45 anos, por um louco, não por um comunista que é coisa que eles dizem logo, “assim como dizem muito mal do senhor Barroso” e que apesar do massacre dum doido varrido, assassino, já dizem querer o comunismo. Cá também há os saudosos do Salazar, apesar do massacre que tivemos. Isto deveria dar-nos que pensar. Este caminho mais tarde ou mais cedo levar-nos-á a tempos nada recomendáveis. Era isto que devia pôr a discussão e não estar sempre a bater nos que não gosta e a bajular os que lhe são queridos.

    1. Bajular não faz o meu género, lamento desiludi-la. Elogiar ditadores, como o Salazar e o Ceausescu, também não. E comungar na missa do padre Edgar também dispenso.

      1. Respondeu como quis e não ao que propus. Bem sei que não lhe interessa muito, mas era bom que se fizesse. Eu disse que devíamos pensar na forma de como se está a fazer política que pelos vistos não nos está a levar por bons caminhos e para tal exemplifiquei, com exemplos que nos devem fazer pensar. É que quando as pessoas começam com saudades do passado, é sinal que esta democracia está muito doente e ninguém a quer curar.

        1. Você é que já se afastou totalmente do que eu escrevi.
          Vou recapitular:
          – Neste momento, PS e PCP dialogam para um “governo de maioria de esquerda”, inédito em Portugal.
          – Ao mesmo tempo, o PCP lança uma candidatura presidencial de raiz partidária, protagonizada por um membro do comité central do partido, que rompe com essa mesma lógica unitária à esquerda na corrida para Belém, separando as águas.
          – Este último facto ajuda a iluminar a falta de consistência das conversações mencionadas no parágrafo anterior, que decorrem por mero tacticismo político.
          Foi isto o que eu escrevi. E que reitero.

          1. Esse diálogo de que fala, não vai a lado nenhum, como sabe, mas também não invalida que se dialogue. As conversações que se saiba são sobre um possível governo, a ser empossado e o seu programa e não sobre presidentes da república. António Costa deu liberdade de voto, em relação às presidenciais e mesmo que assim seja nunca irá apoiar um presidente do PCP. Tudo a seu tempo e é extemporânea esta confusão em que se fala e se mistura tudo e nada se resolve. Reafirmo que era bom pensarmos e discutirmos o que estamos a fazer desta democracia que está doente e que era bom que essa doença não se tornasse crónica a ponto de a definhar.

    2. Ó Maria… Não vás com as outras!

      Aponta-me um país comunista, onde haja pluralismo politico, direito à greve, liberdade de Imprensa, liberdade de circulação e onde não faltem tarrafais!

      Salazar comparado com Lenine, Mao , o maluco da C. do Norte , etc era um anjo!

      Maria… não v+as com as outras!!!

      1. É pena que não tenha lido o que escrevi e que lesse o que lhe interessou ler. Se quer ir por aí, vamos lá: Salazar foi péssimo, o famoso Hitler, foi do melhor e para cúmulo, foi eleito democraticamente, Somoza, Pinochet, Moussolini, Franco, Fulgencio Baptista, o actual Teodoro Obiang que fala francês e que por obra do além, pertence aos países da CPLP. Interessante, não! Todos estes seres de direita, foram e são pessoas boas e íntegras. Quando quiser dizer mal, tem de dizer de todos e ler bem e não ler como lhe dá jeito, o que é muito mau.

    3. “Eu não sou do PCP nem lá perto, mas sei ver que nunca fizeram política, a mal dos portugueses.”

      Esta pérola é a gozar?

      O PCP quiz e quer acabar com as Eleições.
      É Marxista Leninista.
      O PCP cercou a Assembleia da Republica durante 2 dias, assaltou jornais.
      O PCP acabou com milhares de fábricas, ocupou casas e terras.
      É o partido que mais fez pelo empobrecimento dos portugueses.

      Pela vontade do PCP hoje só veríamos a RTP, você não poderia estar aqui a escrever para um blog, internet seria interdita às pessoas comuns e os jornais seria todos controlados pelo Governo.

      Sem esquecer que contribuiu para entregar milhões de ex.Portugueses a Comunistas. Ditadura.

  6. Caro Pedro, o PCP sempre apresentou candidatura às presidenciais e, por várias vezes, retirou o seu candidato para unir à 2ª volta. Pelo contrário, penso que o Edgar foi bem nomeado, foi um militante que nunca entrou em ondas ortodoxas, m-l.

    1. Caro José Manuel: conheço pessoalmente o padre Edgar (gosto de chamar-lhe assim) e na grande crise que atravessou o PCP entre 2000 e 2004 recolhi declarações dele que me mereceram consideração, pronunciando-se com palavras contidas mas inequívocas contra anátemas e perseguições internas (que ocorreram, mesmo assim). Mas não nos iludamos em relação ao PCP: anunciar o candidato partidário a Belém escassas 24 horas depois de uma reunião de alto nível com o PS sobre a hipotética unidade de esquerda não faz sentido algum. Ou melhor: até faz. Significa que o PCP continua no lugar onde sempre esteve. Preocupando-se antes de mais nada em marcar o seu território e fixar o seu eleitorado. Esse é o desígnio central. Tudo o resto gira à volta disto.

  7. Que dizer do PCP, que não tenha sido já dito, redito, remendado e passajado como roupa velha e esfarrapada pelo uso e abuso ?
    Não me lembro assim de nada importante. A mesma música monocórdica, as mesmas palavras gastas e sem sentido actual nem viabilidade, o mesmo tom de revolta assumida contra o mundo que os não ama, as mesmas derrotas de sempre, tornadas vitórias estrondosas contra os suspeitos do costume…
    O PCP cansa, como cansa uma velhinha triste que não se cansa de repetir a mesma história antiga e bafienta, vezes e vezes sem conta.
    No fundo, bem lá no fundo, procuro algo de socialmente relevante que o povo , os trabalhadores, a classe operária tenha conquistado por obra dos seus egrégios defensores de sempre… só o barulho do costume e o ruído surdo à reinvenção social.

    1. É impressionante como ao fim de quatro anos e quatro meses de profundo constrangimento da vida económica e social portuguesa, com impostos altos e cortes salariais e pensões congeladas e desemprego altíssimo, e restrições de toda a ordem, e queda abrupta do nível de vida, o PCP nada beneficia do voto de protesto, mais potenciado que nunca. Estanca nos 400 mil votos que já tinha. Porque também não mudou um milímetro o discurso, cheio de jargão de seita (‘políticas de direita’, ‘pacto de agressão’, ‘governo patriótico e de esquerda’) destinado só a converter os já convertidos. Linguagem velha, incapaz de seduzir novos eleitores.

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