Não votaram porque não vêem alternância na alternância possível. Não votaram porque não se sentem representados pelos partidos. Não votaram porque se desiludiram com a democracia. Não votaram porque não são de esquerda e a direita os decepcionou. Não votaram porque são de uma esquerda que nunca chega a governo. Não votaram porque são de centro esquerda mas não acreditam neste PS. Não votaram porque o folclore eleitoral já não os demove. Não votaram porque votaram toda a vida e afinal para quê?
Não votaram porque são os políticos que fazem os (não)eleitores.

Não votaram também porque tiveram que emigrar e é muito difícil o voto por correspondência. E também não votaram porque depois de mortos não conseguiram fazer um requerimento solicitando que fossem removidos das listas eleitorais.
Não votaram na esquerda porque têm medo, vergonha de dizerem que votaram PCP ou BE. Têm medo e têm vergonha e porque todos dizem que os partidos referidos são papões são maus e dos pobres. Esses partidos nunca foram governo pelas razões que escrevi, só por isso. Não votaram porque abominam este governo. Não votaram PS porque não perdoaram, o que o próprio PS fez a António José Seguro.
Os partidos “referidos” PCP ou BE quando estiveram no poder noutros países assassinaram, mataram, empobreceram.
E os Liberais que não votaram no Socialista Passos – o salvador do regime do 25 de Abril – que cobra 50% do que é produzido, acrescentou leis e prebendas a grupos. Ou seja aumentou o Poder do Estado e de grupos dependentes do Estado?
Mas quem escreve este texto também não concebe a vida fora da política.
A diferença não existe. Todos devem ser políticos.
A não-política. O convencimento que os problemas não se resolvem pela política como antes também os problemas não se resolviam pela religião.
Isso não pode ser. A política tem mesmo que resolver…
Os motivos que apresenta são os politicamente correctos e quanto a mim não espelham os verdadeiros motivos da cada vez maior abstenção.
Não votaram porque estão desempregados (sem meios de subsistência), não votaram porque tinham de estar a trabalhar (ou estiveram), não votaram porque estão longe (emigrados) a ganhar o sustento.
A abstenção é o reflexo do estado anímico da sociedade que á medida que o tempo passa vai definhando, as pessoas já só se concentram no básico, são obrigadas a viver para o dia de amanhã, não fazem planos a médio prazo, quanto mais a longo prazo.
Uma das consequências desta crise (que é muito mais que económica), é uma destruição dos valores da vida em sociedade, hoje o que se faz é por obrigação, não por altruísmo, abnegação.
Desta vez votei
Não votaram por essas razões todas, válidas. Mas deviam, nem que fosse em branco… Mostrar que apesar de não haver alternativa na alternância, a democracia vale a pena e continua a ser “o pior de todos os sistemas, com a excepção de todos os outros (W Churchill)”…
Não interprete o post como um apoio ainda que velado à abstenção. Revejo-me em cada uma das suas palavras.Já votei em branco, mas nunca me abstive de votar.
E para além do que já foi dito pela autora do post e pelos comentadores, não votaram porque:
1) têm a sensação de que a política não intersecta as suas vidas
2) abominam os políticos e a política
3) vêem a abstenção como uma mensagem de desprezo para com os candidatos e todo o sistema
4) há muitos eleitores que, teoricamente, podendo votar não o fazem (doentes, idosos, estudantes deslocados, emigrantes, pessoas que vivem longe dos locais de voto, etc)
De alguma forma acho que contemplei os dois primeiros pontos. O quarto não considerei porque é uma “abstenção” por motivos de força maior e não é essa que merece reflexão. O terceiro ponto é que não considerei e tenho pena. Não duvido que houve muitos que se abstiveram para passar essa mensagem de desprezo. Só que o voto em branco, neste caso, seria a opção correcta.
Sim, contemplou os dois primeiros pontos. Eu transformei-os numa forma ligeiramente mais terra-a-terra.
O voto em branco é a opção correcta para os “que desprezam”.
No entanto, tem dois entraves: 1) dá trabalho ir votar na perspectiva de quem não acredita em tudo isto e 2) há a suspeita de que os votos em branco são convertidos em votos num qualquer partido.
O quarto não é bem por razões de força maior, na minha opinião, mas um sintoma de que não se faz o esforço suficiente para facilitar o voto. É certo que há casos em que é possível votar antecipadamente, mas para as pessoas (preguiçosas por natureza – é mesmo assim) é demasiado trabalhoso. Agora que penso nos idosos incapacitados de se moverem, estes estão, na prática, arredados das eleições.
Não votaram, porque a “Cristina” não publicou a minha foto…
Não votaram porque não existem.
Sim… convém notar que os cadernos eleitorais estão propositadamente errados, e não actualizados, há mais de duas décadas.
É certo que não houve 41% de abstenções, coisissima nenhuma, porque simplesmente não há 9,4 milhões de eleitores.
Basta reparar que a população portuguesa é 10,4 milhões, dos quais 2 milhões têm menos de 19 anos.
Portanto, com idade de votar devemos ter 8,5 milhões, ou seja a abstenção real terá sido de 36%, o que ainda assim é bastante, mesmo com emigrados.
Agora não há dúvida que os erros nos cadernos eleitorais dão jeito à “malta”…
Não votaram por que não existem, ou, se existem, não estão em Portugal ou não têm condições para poderem votar. E assim vai continuar enquanto os partidos políticos tiverem interesse nisso.
Se não sabem, eu explico: as juntas de freguesia têm mais membros se a freguesia tiver mais eleitores; os membros das juntas de freguesia têm um salário relacionado com o número de leitores – quanto mais eleitores, maior o salário.
Quem quiser entender que entenda!
Se as pessoas não votam, pelo menos em branco, que legitimidade têm elas para depois criticar o governo e a situação do país? Queremos uma democracia mas depois abstemo-nos de participar nela? Para isso venha a ditadura. Na minha opinião quem não vota não está interessado na vida política do seu país. Mesmo que não nos sintamos identificados com nenhum partido, ao menos expressamos o nosso descontentamento com um voto em branco.
Se votar não resolve nada, não votar resolve menos ainda. Felizes os governos com um povo que não se importa…
Concordo!
E não é o voto em branco que diz tudo isso?
Não votaram.
Mas como sempre, vão-se queixar que o Governo não presta.
Mas também nada fazem a não ser queixarem-se.
Dá menos trabalho e mais que dizer.
Não votei, porque:
O PS me roubou um quarto do vencimento – fui enganado por uma lei do PS que me retirou o que anteriormente havia na lei;
O PSD, me fez repôr o dinheiro que uma lei me pagou e outra lei me retirou, ou ainda por o PSD retirar um horário de trabalho à minha companheira, através de um concurso (MEC) onde foi esse horário ocupado por outro colega que anteriormente não tinha trabalho;
No MRPP, porque em 15 minutos no escritorio do GP me surrupiaram 1200€, quando lhes pedi apoio sobre o ponte anterior e simplesmente nada fizeram, limitando-se ao fim do mês retirarem-se do processo;
No BE, porque há familiares de um individuo que ajudou a destruir o País e algumas empresas importantes para a economia Nacional, como a Lisnave – escreveu em livro como que a pedir perdão por tai atos suicidas;
No Livre, porque há uma terrorista que antes e depois de Abril andou a colocar bombas, podendo eu ser uma das vítimas;
E neste blog, porque sei que este desabafo não vai passar
Será mesmo democracia o sistema de votos em um partido, como o actual ?.
Representativa !
Será que algum daqueles fulanos PS PSD tem a mais remota identificaçāo com um desempregado ?.