DEBATE ANTÓNIO COSTA-PASSOS COELHO
Três jornalistas da rádio deram hoje uma excelente lição do que deve ser a condução de um debate político. Uma lição que deve ser assimilada pelos colegas da televisão, que no anterior debate entre António Costa e Passos Coelho não souberam coordenar-se entre si para dali sair um esclarecimento cabal dos eleitores. Interrompendo sucessivamente os dois políticos, fazendo perguntas descabidas, olhando em excesso para o cronómetro, procurando um protagonismo que não lhes cabe.
Hoje o local foi o mesmo – o Museu da Electricidade, em Lisboa. Mas o desempenho dos jornalistas foi muito mais eficaz, o que beneficiou largamente o frente-a-frente. Com mais tempo para as respostas e uma gama de temas mais vasta, incluindo a política europeia e o drama dos refugiados, que estiveram ausentes do debate anterior.
Graça Franco (Rádio Renascença), Maria Flor Pedroso (Antena 1) e Paulo Baldaia (TSF), com larga experiência em jornalismo político, foram responsáveis pela moderação daquele que foi até agora o melhor debate desta pré-campanha – e eu vi-os todos. Fizeram perguntas concretas e objectivas acerca de questões que realmente interessam aos portugueses: emprego, impostos, educação, segurança social.
Merecem ser felicitados por isso.
Passos Coelho mostrou-se em melhor forma do que no embate anterior com Costa, em que saiu derrotado. Foi mais enérgico e assertivo: deixou-se de alusões descabidas a José Sócrates, substituindo-as desta vez pelo substantivo “retórica”, que colou com eficácia ao secretário-geral socialista.
Costa ia embalado numa espécie de remake do primeiro debate. Tanto assim que abriu as hostilidades com o mesmíssimo tema: acusou o executivo de Passos Coelho de ter sido o primeiro, em trinta anos, a fazer regredir o PIB português. E não tardou a repetir que o primeiro-ministro tudo fez para “ir além da tróica”, esmagando o País com doses acrescidas e escusadas de austeridade ao longo da legislatura que agora termina.
“A austeridade teria sido evitada se o PS não tivesse conduzido o País à quase-bancarrota.” Bastou esta réplica para se perceber uma diferença assinalável de tom entre o Passos do debate televisivo e o Passos do debate radiofónico.
Mas o secretário-geral socialista perdeu o debate de hoje por não ter sabido esclarecer sem equívocos uma medida relevante do seu programa eleitoral apesar de ter sido interrogado com insistência a esse respeito.
Coube a Graça Franco fazer-lhe a pergunta: “No seu programa de Governo propõe, ao longo da legislatura, uma poupança de 1020 milhões de euros com a introdução da condição de recurso em prestações não-contributivas da segurança social. Esses novos cortes vão abranger que tipo de prestações?”
A questão foi-lhe dirigida cinco vezes, com Costa sempre a chutar para canto. Flor Pedroso insistiu, também sem êxito.
Passos aproveitou a deixa para uma estocada no antagonista: “É aqui que se vê como a retórica e a demagogia chocam com a realidade. Mil milhões de euros é muito dinheiro. O senhor tem mesmo de dizer que prestações serão afectadas. Se não sabe dizer, significa que lhe puseram um número que o senhor não compreende a que é que diz respeito.”
O incómodo do secretário-geral socialista – que já tinha deixado por esclarecer como tenciona alterar os escalões do IRS, algo igualmente previsto no programa eleitoral do PS – era então bem visível. Faltavam ainda alguns minutos para o debate acabar. Mas para ele, na prática, terminou ali.
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FRASES
Passos – «Tsipras dizia o mesmo que o senhor diz.»
Costa – «A política que o senhor fez foi a política que quis fazer, por isso quis ir além da tróica.»
Passos – «É muito bonito estar agora com esta retórica. Outra coisa é estar no Governo a resolver os problemas.»
Costa – «Todos os dias o senhor é confrontado com o desmentido desse oásis que nos desenha do País.»
Passos – «Está disposto, no dia seguinte às eleições, quer ganhe quer perca, a sentar-se connosco para discutir uma reforma séria da segurança social?»
Costa – «A grande reforma da segurança social foi feita pelo nosso Governo em 2007.»

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Retrato em 3 passarinhos:
1-Costa não sabe do que fala e não fala do que sabe; 2-Faz-me lembrar algumas mais atrevidas de uma certa classe profissional que chamam ás outras antes que lhe chamem a elas;
3- Confiar neste dito Partido Socialista seria mais uma aproximação fatal a novo suicídio colectivo .
Quero hoje substituir profissionais da comunicação de fraca memória lembrando que Costa achava muita curta, face ao desgaste do actual governo, a vantagem de Seguro nas sondagens como nas europeias e correu com ele. Agora perante um percurso atribulado, uma vitória da bondade e uma derrota sem espinhas que até os mais envergonhados seguidores tem dificuldade em engolir simula estar aí para ficar. Esperemos perante a sentença soberana se vergue definitivamente e vá fazer a tal travessia.
Concluindo, pretendo sublinhar que Costa não passa de um derrotado precoce apesar dos amparos que o tem protegido com vitórias de secretaria e derrotas a que alguns pretendem atribuir a inclinação do campo. Chega a ser deprimente a saída de rastos perante o homem que soube conduzir o País na floresta de cacos que lhe deixaram com o consequente preço a que sujeitou a sociedade e ao qual nunca se furtou.
Espero em 4 de Outubro ver o baile das muletas transformado em instrumento do jogo do pau de subúrbio. Os pauliteiros de Miranda rejeitariam tal sucata.
Na realidade Costa mostrou-se igual a si mesmo, porque tem programa e solidez.
Passos, porque não tem programa e solidez, quis discutir programas que desconhece sem poder comparar com o que não tem.
Perante tal cenário quis fugir para o marialvismo porque é este que agrada umas certas hostes na coligação.
Mas gostei mais de o ouvir na entrevista dada à RTP1. Aqui sim, ele foi cristalino e pôde revelar toda a sua perspectiva.
E a perspectiva de Passos verificou-se na indignação que demonstra pelo facto do seu opositor não concordar consigo, isto é, com Passos e não com o programa que a coligação não tem.
É claro que uma situação destas merece uma exaustiva atenção na Assembleia da República para que haja um acordo entre todos no sentido de rever a Constituição e aí incluir a proibição dos partidos da oposição em estar em desacordo com o que mal governa.
E também se mostrou indignado pelo facto do seu opositor insistir na chatérrima pergunta do corte de 600 milhões na SS que está garantido assim como a privatização da mesma.
Porra!, não vale a pena insistir no que é transparente. A oposição tem de ser comedida nas perguntas que coloca.
Isto sim, isto é ser claro. Passos devia ter feito isto desde o princípio ao invés de andar a fazer-se de morto para disfarçar a morte.
Sabão macaco lava mais branco.
Depois de ouvir uma Manuela Ferreira Leite agoniada e tolhida da voz, um Jorge Coelho rudimentar e boçal, como um Pacheco Pereira furtivo e ressabiado, deu-me a certeza de que Costa já bateu no fundo.
Há um ano discutia-se a amplitude da putativa “maioria absoluta” do PS. Agora discute-se se conseguirá ganhar por “poucochinho”.
Razão tinha o outro: o mundo muda muito num par de meses.
Estou farto de ouvir o Costa a gabar-se que foi ele quem reduziu a dívida da Câmara de Lisboa, contra-atacando o PSD (lei-a Passos), dizendo não saber o que o governo fez ao restante dinheiro, proveniente da privatização da ANA.
Se há argumentos demagógicos, este é um deles. Já vi escrita desmontando o argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue, senão vejamos: a Lei Quadro das Privatizações (Lei nº 11/90 de 5 de Abril de 1990) estabelece no seu Artigo 16º o seguinte:
Destino das receitas obtidas
As receitas do Estado provenientes das reprivatizações serão exclusivamente utilizadas, separada ou conjuntamente, para:
a) Amortização da dívida pública;
b) Amortização da dívida do sector empresarial do Estado;
(…)
E assim sendo, onde queria o Costa aplicar a receita proveniente da privatização da ANA, se, por força da lei, só a podia destinar à amortização da dívida da Câmara? Porque levanta ele dúvidas sobre a aplicação do valor restante, por parte do governo central?
Se sabe de alguma coisa esquisita tem obrigação de denunciar; o que não deve fazer é levantar dúvidas sobres as contas do Estado, atirando a pedra e escondendo a mão.