Mais espaço…


fiodeprumo,

Por norma diz-se que a idade traz mais sabedoria e mais conhecimento. Comigo, isso não acontece. Quanto mais envelheço mais consciência tenho do que não sei. E também me importo menos com o facto, já que quer o acessório quer o essencial, tambem vão mudando.
Assim, não personifico o ditado que afirma “quanto mais velhos somos, mais coisas sabemos”. No meu caso, o que vou aprendendo substitui o que já sabia e deixou de ter interesse. Assim, em termos de quantidade, não haverá grande variação. Em termos de qualidade terei algum benefício com a permanente actualização.
Mas aqui surge uma outra variável, que respeita à capacidade que cada um tem de absorver coisas novas. E este é o cerne da questão. Há novidades para as quais não tenho, hoje, a mínima aptência ou interesse. Logo passo-lhes ao lado, não chegando sequer a dar-lhes forma de conhecimento. O que me torna menos sábia, mas mais saudável.
Os últimos meses e em particular estes dias que nos separam de 4 de Outubro, constituem a prova do que acabo de dizer. São tão desinteressantes, que nem sequer banham as minhas margens. Assim, fico com muito mais espaço mental livre para aprender coisas novas e de maior utilidade. Trata-se, sem dúvida, de uma das poucas vantagens do envelhecimento. É que aprendemos a ser muitíssimo mais selectivos relativamente a tudo o que nos pretendem impingir!

0 comentários em “Mais espaço…”

  1. “Por norma diz-se que a idade traz mais sabedoria e mais conhecimento. Comigo, isso não acontece.” Comigo também não. Nem com o Cristiano Ronaldo que começa a ver o fim da carreira. Não acontece com ninguém e toda a gente o sabe. É uma afirmação idiota e hipócrita que só serve para consular os velhos, isto é, os velhos tontos, os que ainda têm cabeça sabem que estão a ser gozados quando ouvem aquilo.

  2. Completamente de acordo com tudo o que aqui é dito, especialmente no último parágrafo. Eu até posso vê-los na tv mas, tal como nos anúncios, tiro o som e divirto-me a observá-los, ou então aproveito para ler qualquer coisa e desligo a televisão.
    🙂 Antonieta

  3. Com a idade, apenas se vai aprendendo que nunca se consegue ter um conhecimento com certezas absolutas sobre alguma coisa, uma consciencialização que é bem melhor do que falar sem saber. Quem pensa que sabe muita coisa, normalmente tem pouca disponibilidade ou vontade de aprender mais ou mudar alguma coisa. Em contraposição, quem sabe que não sabe, muitas vezes quer mudar essa situação, mostrando desejo de aprender.
    No entanto, a idade também traz uma coisa chamada experiência e há quem a descreva como meras “autoestradas” que, baseadas em conhecimentos previamente aprendidos (a bem ou a mal) vão reconhecendo mais rapidamente padrões de causa/efeito, claro que essas autoestradas podem, conforme as pessoas e, propositadamente ou não, estar “atulhadas”; de interesses pessoais, arrogância, orgulho, preconceitos… uma enorme lista que, invariavelmente, pode levar ao engano ou à manipulação dos que desconhecem que, há coisas que se repetem, muitas vezes com “outras máscaras” mas com os mesmos efeitos devastadores. Muito sofrimento evitável, se todos vivessem num espírito de verdade, verdade (quase utópica na nossa própria espécie) porque teria de ser, acima de tudo e de todos os interesses particulares, em grande parte mesquinhos e com intensões muito específicas.
    Basta olhar para os problemas deste nosso mundo global, para ver as consequências que decorrem do sentimento de superioridade que algumas pessoas ou entidades, em posição privilegiada têm em relação aos demais.
    Muitos deles até têm Experiência e até sabem as consequências das suas decisões, no entanto, o interesse geral para o bem comum e da Humanidade, não faz parte dos seus planos.
    Fica tudo resumido entre… os que reconhecem os padrões e não podem fazer nada e os que reconhecem os padrões e os usam em seu próprio benefício. Claro que estão bem visíveis as consequências desta dualidade. Naturalmente, os mais jovens a quem falta, ainda, percorrer esse longo caminho de reconhecimento de padrões, acabam por desconfiar e não poder aproveitar da experiência dos mais velhos… esses jovens, na sua aprendizagem, sofrerão menos ou mais, dependendo de muitas circunstâncias que até inclui a classe social onde nasceram porque, infelizmente, alguns não têm sempre à mão… “bálsamo, nem paninhos quentes”.

    1. Ó Marisa, desculpe lá mas não consegui ler o seu arrazoado até ao fim. As tais auto-estradas chamam-se, em linguagem corrente, Alzeihmer, disfunção erectil (ou se calhar eretil pelo tal de acordo), artroses, etc. etc. Tenho quase 80 anos e, por favor, não me gabem a velhice. Como sou optimista e bem disposto costumo rir e responder aos que gabam a minha experiência “olhe vá gozar para o caraças” (frequentemente prefiro o vernáculo).

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