Presidenciais (1)


Pedro Correia,

1. Maria de Belém Roseira, com uma  declaração sucinta à agência Lusa, liquidou hoje as aspirações do  patético candidato Sampaio de Nóvoa ao assumir que irá mesmo concorrer ao Palácio de Belém. Com isto cria uma dinâmica que dificilmente será travada, causando sérios embaraços ao candidato que se proclama independente enquanto mendiga o todo o momento o apoio do Partido Socialista.

A partir de agora ninguém entenderia como é que o PS, tendo no terreno alguém que já foi presidente do partido, poderia endossar oficialmente o apoio na corrida a Belém ao antigo reitor da Universidade de Lisboa, alguém sem credenciais políticas de qualquer espécie.

 

2. Pormenor florentino: a notícia foi tornada pública no preciso instante em que António Costa concedia uma entrevista em directo à SIC Notícias. Confirmando assim que quem vai à guerra (política) dá e leva: Maria de Belém – que apoiou António José Seguro na eleição interna do PS em 2014 – acaba de conseguir que Costa experimente um pouco daquilo que ele próprio provocou no ano passado ao seu antecessor no Largo do Rato.

Escrevi aqui, em devido tempo, que as movimentações de Costa para a deposição de Seguro iriam causar feridas profundas, dolorosas e prolongadas no PS. Assim tem acontecido. Mais do que a situação na Grécia, mais do que a pesada herança socrática, mais do que a incompetência revelada na rocambolesca questão dos cartazes que forçou a substituição do director da campanha socialista, nada afecta tanto o partido da rosa como esse pecado original.

É a vida, como diria o sábio engenheiro Guterres. Tão sábio que se tem mantido à distância disto tudo.

0 comentários em “Presidenciais (1)”

    1. Manuel Alegre percebe muito bem o que outros – Carlos César, Vítor Ramalho… – tardam em entender: é o momento de o PS dar passos concretos no sentido da modernidade apoiando uma candidatura feminina a Belém (e antecipando em meses o que muito provavelmente sucederá com o Partido Democrático nos EUA). Além disso Maria de Belém foi presidente do PS: ninguém entenderia que os socialistas, num arroubo machista, recusassem apoiar alguém que já desempenhou a máxima função de representação partidária no Largo do Rato.

  1. Discordo do pormenor florentino, Pedro. Creio que não existiu.
    Como diz o i esta manhã, o Costa foi avisado tendo estado a falar com a Maria de Belém (“O secretário-geral já sabia a essa hora que a ex-presidente do PS iria fazer um comunicado a confirmar que é candidata. Após a entrega das listas do partido, da parte da manhã, no Tribunal de Justiça, os dois conversaram e Maria de Belém avisou Costa de que iria tornar oficial a sua candidatura. Aliás, já tinha comunicado ao secretário-geral do PS a intenção de avançar, como o i noticiou no dia 10 de Agosto”).
    A surpresa que manifestou não foi diferente daquela que por vezes manifestava na Quadratura do Círculo quando confrontado com determinados factos pelo JPP ou o ALX.
    A surpresa sempre dá um certo distanciamento em relação ao que terá sido acordado. É esta a minha leitura.

    1. Sérgio, tomo os factos pelo seu valor facial. A notícia foi conhecida no País no preciso momento em que o secretário-geral do PS dava uma entrevista em directo à SIC. Teve um efeito imediato e fulminante: matou a entrevista a partir daquele momento. Não mais se falou de Costa: só se falou de Belém.
      Claro que é sempre possível acreditarmos em coincidências. Eu, em política, tendo cada vez menos a acreditar nelas. Em política, como dizia o outro, o que parece é.

  2. “O Ai Jesus e os energúmenos” e “Campanha eleitoral para totós” expresso na irmandade da pena protectora em exercício doloroso a começar no próprio reduto como deve ser. Costas ao fundo.

  3. Concordando com a análise que faz e sendo até muito soft na mesma ao contrário do Post do LML só me resta lamentar que o Pedro Correia sendo o principal autor (pela quantidade de post´s ) ainda não tenha dedicado uma linha sequer a fazer uma análise ao programa PáF ou á Agenda para a Década.

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