Chamar os bois pelos nomes


jmmcc,

Sobre o terminal de contentores e a actuação do governo na concessão reconcedida e desfazada no tempo, Mário Lino não se limita a rejeitar as conclusões fundamentadas do Tribunal de Contas. O ainda ministro das Obras Públicas afirma que este não encontrou nenhuma ilegalidade, nem recomendou a anulação do contrato». Mais: acha até que é um procedimento normal o Tribunal de Contas enviar o seu relatório sobre o caso ao Ministério Público.

Errado. Começo a entender que já tudo possa ser considerado normal, mas faço questão de lembrar que o normal e desejável é o Tribunal de Contas encontrar tudo limpinho, tudo claro e em ordem, e não enviar coisa alguma para investigação criminal. Eu entendo a actual anormalidade normal das coisas, mas prefiro continuar a chamar os bois pelos nomes, se me dão licença.

Faça-se a justiça de reconhecer que o Tribunal de Contas tem cumprido bem o seu importante papel. Não encontrou qualquer ilegalidade, nem recomendou a anulação do contrato? Então fez o quê? Fez o elogio do negócio?

O que os políticos mandatados hoje em dia passaram a achar normal, mais não é do que uma perversa inversão dos valores que temos obrigação de preservar. Já que eles não cuidam disso, como lhes competia.

9 comentários em “Chamar os bois pelos nomes”

  1. Lembras-te, João, do alarido que o PSD e o CDS fizeram quando Guilherme OM foi indicado para o Tribunal de Contas?
    A realidade mostrou o contrário, o que demonstra que a oposição se fartou de atirar bolas fora nesta matéria.
    Quanto à reacção do Jamé, não me espanto. É a imagem do descontrolo e do auto convencimento a que este governo nos habituou.

    1. Lembro-me perfeitamente, Carlos, e também me lembro que não foi preciso muito tempo para o actual presidente do Tribunal de Contas mostrar ao que ia.

      Quanto ao Jamé, respeito o teu comedimento. Mas deixa-me dar um passo em frente: descontrolo e auto-convencimento não definem; despudorada falta dos valores mais básicos assenta melhor.

        1. No fundo, o que Guilherme d’Oliveira Martins (que tem logrado um prestígio no cargo que o PS jamais lhe daria) manda para o Ministério Público mais não é do que a legítima análise da falta de valores que tem andado a prejudicar o Estado (todos nós).

  2. Sempre tive boa opinião de Guilherme Oliveira Martins e tenho visto que tenho razões para isso.

    Este teu post sobre a “anormalidade normal” lembra-me uma declaração recente e extraordinária de João Nabais, entrevistado à porta do Diap a propósito do caso BPN e do seu cliente Arlindo de Carvalho: “Não vejo porque é que fazem tanto alarido com isto. Hoje em dia, ser-se constituído arguido é perfeitamente normal”.
    Fiquei esclarecida.

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