Reflexões do dia (1)


Pedro Correia,

«A derrota de Tsipras (e, indirectamente, do próprio Estado grego, que viu desmoronar-se o seu já frágil prestígio) marca esta época. Ninguém o definiu melhor do que os seus ministros que se opõem ao acordo com a Europa, qualificando-o de “capitulação” e entendendo que o “não do referendo” se traduziu num “sim humilhante”. Praticamente nenhuma das suas metas programáticas se cumpre: não há compromissos para o perdão da dívida; mantém-se a vilipendiada tróica; haverá memorando e avaliações mensais do seu cumprimento; mantém-se a maioria das privatizações; avança a reforma do disparatado sistema de aposentações (que Atenas admite ser “insustentável”) e a modernização do IVA. Do seu programa, talvez conserve apenas a resistência em reduzir de forma significativa as despesas militares. Se isso é um grande triunfo para um partido da esquerda radical, só Deus saberá.»

Editorial de hoje, no El País

0 comentários em “Reflexões do dia (1)”

  1. O “El País” pegou no seu texto de ontem, e fez dele notícia para hoje.
    Deveria ser processado.

    Porém a notícia de hoje não foi bem a das cedências gregas… foi mais a da não-cedência alemã nas reuniões de ontem.
    Por exemplo,

    http://www.noticiasaominuto.com/mundo/420071/nao-me-tome-por-um-imbecil-tera-dito-schauble-a-draghi

    … eu sei que isto não interessa à narrativa que o Pedro tem aqui conduzido durante centenas e centenas de posts, mas pronto.
    Não faz mal variar, pois não?

    Agora a Alemanha quer o Grexit, e a França não quer… então estragaram as contas ao Sr. Cavaco?
    19-1 = 12+6
    Olhem que o homem ainda se baralha com divisões dos 18, que ele já fez a tabuada há muito tempo, e até chumbou um ano… (deve ter sido no ano em que teve dúvidas, mas não se enganou).

    1. Há contínuas alusões ao Governo de Tsipras como representante da opinião pública grega, mas omite-se por sistema que os restantes governos da UE também representam as opiniões dominantes nesses países. Se os alemães, os finlandeses e os holandeses se opõem a um novo resgate financeiro da Grécia, os governantes não podem ser cegos e surdos a isso.

      1. Pura demagogia de cobardice anti-democrática.
        Se querem ter a mesma legitimidade de Tsipras na matéria, então que organizem um referendo na UE sobre a proposta grega.
        Vão fazê-lo?
        Claro que não… cobardolas, rodeados de cobardolas, são o que são.
        Arriscavam-se a perder, e sabem disso.

        Legimitidade representativa dos governos?
        Eu votei PSD nas duas últimas eleições, já o disse aqui várias vezes.
        Não confundamos querer-nos ver livres de Sócrates com qualquer outra coisa, ok? Não inventemos outras virtualidades representativas, que este sistema não tem, nem se pode arrogar de ter.
        Se querem ter legitimidade ao nível de um referendo, que façam um, senão calem-se na sua insignificância de decisores ocasionais.
        Senão, o único caminho de nos fazermos entender será mesmo com bazucas nas ruas.

          1. Não as calo: até as divulgo para que todos saibam bem até que ponto há uma sintonia clara entre a esquerda populista e eurofóbica e a direita eurofóbica e populista.
            São duas faces da mesma moeda. Havia de ser fabulosa, uma Europa governada pelo UKIP, pela Frente Nacional, pelos Verdadeiros Finlandeses, pelo Podemos, pelo Cinque Stelle, pela Liga Norte… Uma maravilha.

          2. Um princípio geométrico simples é que, quando se colam as extremidades num hemiciclo, passamos a ter um círculo.
            Logo, o que antes estava no pretenso centro, passa a estar numa posição tão extrema quanto os restantes. Porque num círculo não há extremos.
            Geometria elementar, meu caro.
            Pena é que os políticos saibam pouco da poda, e muito da… uva.

          3. A clivagem nesta Europa deixou de ser esquerda/direita. Passou a ser europeístas/eurocépticos.
            Tenho dificuldade em entender o discurso eurofóbico no pequeno continente em que vivemos, capaz de produzir 1/4 da riqueza mundial.
            Olho para o globo e não encontro alternativa melhor.
            E, conhecendo a História como conheço, sei que a explosão dos nacionalismos é a trave-mestra para novas guerras. No vigésimo aniversário do massacre de Sbrenica, último resquício do sangrento século XX na Europa, parece-me um excelente tema de reflexão.

  2. A nossa esquerda com o atrelado de ocasião Costa a pendurar-se á boleia está a ver-se mais grega que os próprios gregos. Trocam mãos e pés e nem sequer notam que já vimos a criancinha a escapar-lhe com estrondo por entre os dedos de cima e de baixo.

    1. Na primeira linha da crítica ao desempenho do Governo grego têm estado alguns ilustres membros da família socialista europeia. Por exemplo, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schultz. E o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel. E o presidente do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem.

  3. A melhor do dia é a Grécia sair por cinco anos. Isto só pode ser anedota, dita por anedotas ainda maiores.

    1. A melhor do mês foi o “referendo” grego. Destinado a reprovar um acordo com as instituições europeias e que acabou por abrir caminho a um acordo ainda mais penalizador para Atenas.

      1. Qual referendo? A decisão há muito que está tomada e é clara, fora com a Grécia. Se eles saírem, os próximos a irem de vela somos nós. Depois falamos.

        1. Há uma semana, nestas caixas de comentários, vinham muitos anónimos festejar a enorme “vitória” de Tsipras no referendo plebiscitário. Uma semana depois o tom é totalmente diferente, como se vê.
          Vitória de Pirro, como lhe chamei. Dizendo, desde o primeiro minuto, que não havia motivo algum para festejar.
          Uma semana depois é o que se vê…

          1. Grande vitória, grande capacidade de encaixe, para aturar tantas incompetências que o rodeiam e que não sabem fazer mais nada, senão destroná-lo. Vê-se à vista desarmada que é um lutador nato que luta, contra dezoito que temem que a sua vitória, dê a vitória ao Podemos. Uma semana depois, vê-se que não pretendem ajudar a Grécia e tudo têm feito para que saia da zona euro, o que é muito mau para a Europa.

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