Até Onde Pode Ir o Humor


tralhasdavida,

Hoje, no âmbito do Festival Internacional de Cultura (FIC) em Cascais, fui assistir a uma mesa-redonda onde se discutia literatura e humor.

Uma das velhas questões que veio à baila é até onde pode ou deve ir o humor. No fundo, se qualquer tema pode servir de base para fazer piadas ou se há temas mais sensíveis que devem ser deixados imaculados.

É comum a resistência a piadas religiosas, por exemplo, que são muito facilmente consideradas hereges ofensas.

Enquanto se discutia o caso, eu, que tenho uma opinião muito vincada sobre o assunto, lembrei-me de dois excertos sobre o mesmíssimo tema: um que me deu náuseas e outro que me fez rebentar a rir.

No primeiro caso, tratava-se de um sketch do Rui Sinel de Cordes que passou em tempos na Sic Radical onde se via um ringue de patinagem com uma data de gente a patinar e ele comentava em tom jocoso que os portadores de Síndrome de Down poderiam patinar à vontade porque se caíssem, ninguém ia notar qualquer diferença nas suas caras esborrachadas.

Doutra feita, num livro do David Sedaris, este, que tinha resolvido deixar de fumar e começar a fazer natação após anos de inércia total, confessava que na piscina, na pista ao lado da dele, nadava uma rapariga com Down e que ele se via e desejava para a acompanhar. Que, entre pirolitos, falta de fôlego e ameaças de afogamento, tinha firmado como objectivo vir a ultrapassá-la. Era o mínimo dos mínimos.

O que pretendo demonstrar, citando estes dois exemplos, é que não há limites para os temas que podem servir de piada mas que, se o tema é sensível, é bom que a piada seja hilariante. Não pode ser má nem simplesmente cruel.

0 comentários em “Até Onde Pode Ir o Humor”

  1. Obrigado pela coragem e imparcialidade com que abordou os exemplos apresentados.

    Creio que não lhe deva ter sido muito fácil.

    Boa viagem, aproveite esses momentos.

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