Temos tendência a personificar aquilo que não entendemos. Veja-se o exemplo de Deus, a quem chamamos muitas vezes de velhinho com barbas. Porém, se Deus foi O Criador, Ele está presente em tudo. Deus é o sol que brilha em cada manhã, é a brisa morna dos dias quentes de Verão, é a maresia, a areia, é tudo o que a natureza nos oferece de forma gratuita. Se O reduzirmos a um velhinho com barbas, estamos a perder a magnificência que O caracteriza e a vastidão onde O podemos encontrar.
Procure Deus na natureza que o rodeia.
Se não acreditar em Deus, procure ver a beleza que a natureza nos revela a cada instante, independentemente do seu criador.

Pode-se procurar nas catástrofes tipo tsunami que matam 200 mil de uma vez só?
Vai haver sempre acontecimentos terríveis, mas cada um de nós sabe no que quer investir o seu tempo e energia. Eu claramente prefiro apreciar as coisas boas, porque é olhando para elas que se aceita o que de menos bom acontece.
“Temos tendência a personificar aquilo que não entendemos. ” Qual é o sujeito de temos? No islamismo e no budismo, por exemplo, não é assim.
Então como é que é?
Como é que é? Não personificam e pronto.
No budismo não há Deus pelo menos no nosso sentido. Ou poderá dizer-se que é o Universo, a natureza, o que existe. Nada que possa sugerir um velhinho, nem de barbas nem escanhoado. No islamismo até proibem as representações com bonecos. Nas mesquitas não há ídolos nem nada que se pareça com humanos.
Suponho que, na sua frase, o sujeito de temos somos nós os cidadãos da cultura ocidental. Mas há mais coisas além de nós. Além de europeus há outros.
O sujeito são as pessoas que lêem estes pensamentos. Quanto ao resto, foi exactamente o que eu disse, independentemente da crença, Deus não é uma pessoa, muito menos um boneco, é tudo o que existe. Por isso, ao contemplar a natureza, está a contemplar Deus. A Igreja Católica nunca disse para se adorar Deus através de uma imagem, mas através de tudo o que existe. Claro que a Igreja Católica tem muitas pontas por onde se lhe pegar, e depois vamo-nos afastando do que é a verdadeira doutrina.
Joaninha,
Deus é um instante que nunca passa. A contemplação da natureza é algo que devemos fazer a partir da nossa natureza biológica, pois somos constituídos com esses mesmos elementos (precisamos reconciliar-nos com o que nos envolve a partir desta consciência). Porém, para quem crê, há algo mais que nos distingue de tudo isso: O sopro do Espírito. É isto que nos diferencia de tudo e até mesmo do macaco, apesar das macacadas que lá vamos fazendo.
E, desde que moderado, sabe que fenómeno da natureza sabe bem sentir no rosto? Vento!!!
https://www.youtube.com/watch?v=jorJh8DT MVM
🙂
Muito bem! E em perfeita sintonia com a encíclica do papa Francisco “Laudato si'”.

Eu sempre me dei bem com a frase: Cada um tem o deus que precisa.E acho que responde sem duvidas a resposta balofa se deus existe.
Cada um ter o Deus que precisa parece-me correcto. Porém, porque é que a resposta à pergunta “Deus existe” é balofa?
Inutil ou prejudicial talvez reflicta melhor o que quero dizer.
È redundante por um credo a dialogar com outro ou por um credo a dialogar com um não crente; os conflitos em muita parte do mundo justificam o prejudicial; o inutil é quando uma pessoa (como eu) que acha tolo seguir ensinamentos que quando foram implementados tinham uma razão por traz e uma logica, e que pelos avanços do conhecimento se tornaram contraproducentes.
Ex: a razão porque não se deve comer carne de porco=mal cozido mata, é mantido tola mente hoje; jihab,burka,reza 6 vezes ao dia o imaginario da figura de deus, para quem valoriza a ciência são aberrações e tolices( e todas elas lógicas quando implementadas.
Daí ser conflituoso, inutil e desajustado discutir esses assuntos.
Gosto muito de ler Saramago,mas condenei o irredutível mente de ser por a discutir com os religiosos. Cada um tem o deus que precisa, ponto.
Concordo em parte. Concordo completamente quando refere que os conflitos religiosos são prejudiciais. Eu defendo que todas as religiões têm o seu lugar no mundo e que devemos respeitar as crenças ou não crenças de cada um.
Devemos respeitar as crenças do Estado Islâmico? Quem não é muçulmano merece a morte!
Pois, essa é uma questão difícil. Apetece dizer prontamente um “claro que não”. Porém, temos de separar as coisas. As religiões não se devem pautar por fanatismo, radicalismo ou violência. Isto é tudo o que uma religião não deve ser. Por isso, penso que devemos pôr de lado essa questão e centrarmo-nos nas verdadeiras religiões, aquelas que unem os povos em torno de um Deus.
“Pois, essa é uma questão difícil.” Com esta afirmação concordo. Com o resto é mais difícil concordar senão impossível. É uma questão de lógica. Há uma crença que diz “devemos respeitar as crenças ou não crenças de cada um” (transcrevi e chamo-lhe afirmação A). Muita gente concorda e acha bonito. Mas há uma outra crença que diz “só a nossa crença é válida e não devemos respeitar nem tolerar as não válidas”. A esta chamo afirmação B. Os seguidores da afirmação A devem então respeitar os adeptos de B!
“Por isso, penso que devemos pôr de lado essa questão”. Mas um pensador não pode pôr nada de lado e muito menos o que lhe não convém. Muito menos aquilo a que não sabe responder: para estas deve procurar resposta.
“centrarmo-nos nas verdadeiras religiões,”. Mas quais são as verdadeiras? E quais são as verdadeiras crenças? A que designei por A ou a que designei por B? Parece que a sua frase “devemos respeitar as crenças ou não crenças de cada um” tem de ser substituída por “devemos respeitar algumas crenças e outras não”. Segue-se o problema de definir quais são as respeitáveis e quais não são. Aqui há diversas opiniões, umas respeitáveis e outras não. Haverá luta. Sempre.
A afirmação A faz sentido, a B é irracional. As verdadeiras religiões são as que não instigam a lutas e morte. Nunca fujo a nada e muito menos ao que não sei responder, porque se não souber a resposta, pode acreditar que vou à procura. Além disso, por vezes sei mais do que digo, porque há discussões que não valem a pena. O tempo é um bem precioso e investi-lo em “discordo só porque sim” não faz o meu género. Uma boa noite!
Ao contrário, é a A que não faz sentido (ou, pelo menos, do ponto de vista lógico traz grandes complicações). Quanto à B a avaliação que faz é do ponto de vista moral e não do ponto de vista lógico.
Pela última parte do seu comentário parece-me que pensa que isto são banalidades mas não são. Como não parece interessada sugiro só que veja “Teoria dos Tipos” na Wikipedia e depois clique em “Paradoxo de Russell” (Sim, é o Bertrand Russell e dá pano para mangas).
Paradoxo também poderia ser a afirmação B, mas não. É mais do que irracional, que irracionais somos todos em certa medida, é arrogante. Achar-se mais que os outros é limitador, porque se só uma opinião conta e as outras não têm qualquer valor, então não aprendemos nada.
Eu não sugeri que fossem banalidades e muito menos revelei falta de interesse. Repare no seguinte: iniciámos esta conversa com ideias distintas, eu defendo que não deverá haver visões radicais, o leitor defende o contrário e acha que isso é irrefutável, ao estilo eu estou certo e tu estás errada. Assim sendo, eu tento entender o porquê de uma afirmação tão castradora, mas o leitor acha que a minha abrangência é que está errada. Entramos agora num verdadeiro paradoxo, sabe qual é? Eu acho que a minha opinião é válida e a sua não é. Há tantos paradoxos!
Está bem mas veja na Net o que lhe aconselhei. Estou cheio de curiosidade para saber como aprecia isso.
Prometo que vou e depois comento, mas preciso que deixe de ser anónimo… Se não quiser revelar a sua identidade publicamente, envie-me um email para: joana.nave@sapo.pt. Obrigada.
Estou cheio de curiosidade para ver como reage uma pessoa com uma formação muito diferente da minha.
E que formação pensa que tenho? Olhe que não me conhece…
Diferente da minha, de certeza.
“deixe de ser anónimo” Sou um bocado tímido mas vou pensar.
Quem tomou Deus e a religião Católica em doses maciças quando era pequeno, ou pauta-se toda a vida pela fé, ou depois de revoluções em que a religião é o ópio do povo e a malta tem o sangue na guelra, tem tendência para desvalorizar Deus , mesmo que não perca totalmente a fé nem oblitere radicalmente os dogmas que lhe assistiram na infância. Os santos são idolatria, a missa é uma fantochada, o Cristo não é o que a Bíblia conta… e lê-se com 15 anos “Eram os Deuses Astronautas” e fica-se com a cabeça a fervilhar com ideias contraditórias cada uma mais fascinante do que a anterior.
E os dias passam e a pessoa envelhece. Nunca podemos dizer que estamos bem, e quando somos postos à prova, surge-nos então o pensamento de Deus, do Deus a quem rogamos, o mesmo que sempre esteve presente, nunca nos deixou, que renegámos e teimámos não ver. Espantamo-nos por reencontrar a fé intacta ( apesar de no fundo continuarmos a pensar que os santos são idolatria, a missa é uma fantochada, o Cristo não é o que a Bíblia conta… ) e sentimo-nos gratos pela outra face.
O desespero redescobre a nossa devoção. Nunca mais olharemos o céu , o mar e cada um de nós do mesmo modo. Daremos sempre graças a Deus.
PS.: Os plurais e tempos verbais devem-se a sermos muitos lá em casa e não a nenhuma enteomania bíblica.
É isso mesmo, na hora do aperto todos clamam por Deus, seja qual for a religião, e até mesmo os não crentes.
“E os dias passam e a pessoa envelhece. Nunca podemos dizer que estamos bem, e quando somos postos à prova, surge-nos então o pensamento de Deus, do Deus a quem rogamos, o mesmo que sempre esteve presente, nunca nos deixou, que renegámos e teimámos não ver”
e
“É isso mesmo, na hora do aperto todos clamam por Deus, seja qual for a religião, e até mesmo os não crentes.!”
Se Deus não existisse teria de se inventar. E foi o que se fez.
Inventou-se a fim de dar resposta ao sofrimento, à velhice e à morte. Buda deu outra solução. Do ponto de vista racional preferível mas menos eficaz para resolver o problema do sofrimento e da morte. A crença em Deus é muito mais eficaz…mas isso não torna nada verdadeiro. Infelizmente. O sofrimento e a morte não têm mesmo solução. Têm de se enfrentar ou… fugir-lhe através de crenças.
É por isso que tudo é mais fácil quando se conciliam os ensinamentos de Deus e de Buda. Aceita-se o sofrimento e a morte, porque se imagina que existe um lugar onde todos estão bem e cujas almas descansam em paz. Porém, para suportar verdadeiramente a dor temos de nos focar no momento presente, aceitar os acontecimentos com serenidade e sabedoria, porque a vida é este instante que passa e só contam os nossos sentimentos.
De uma forma simples:
a relatividade estuda o que é infinitamente grande, a mecânica quântica o que é infinitamente pequeno e Deus do que é infinitamente belo.
Gosto das coisas simples.
Sim, mas só a noção de infinito é complicada.