Nada teu exagera ou exclui


cronicasnofeminino,

Para que conste. Nada me choca que Eusébio esteja no Panteão, só me incomoda porque aquilo não tem um ar nada confortável, é tudo muito mármore, branco e ascético, muito frio e deve haver poucas farras, como o Eusébio gostaria e que se saiba a Amália também era rapariga para alinhar numas festas e cantorias. Sou contra qualquer visão elitista da vida. Não acho que um escritor possa, a priori, valer mais do que um futebolista ou uma fadista. Ai de nós se as margaridas rebelo pinto desse mundo granjeassem um lugar na casa dos deuses apenas pelo seu epíteto e ai de nós se, a juntar-se aos que já lá estão, fosse aquela a última morada dos tonis carreiras deste canto luso apenas porque há que garantir quotas e igualdade de género. Os portugueses são feitos de muitos, e nesses muitos, cada um se destaca e se ergue sobre os demais pela sua grandeza, igual se escritor, futebolista ou artista plástico, igual se andou a jogar futebol com uma bola de trapos ou a estudar francês e a tocar piano. Como diria um poeta e um homem grande ‘para ser grande, sê inteiro’. É quanto chega, mas nem todos lá chegam.

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0 comentários em “Nada teu exagera ou exclui”

  1. “!Nada me choca que Eusébio esteja no Panteão,” A mim nada, mesmo nada, me choca, já vi tanta coisa! Algumas dão-me é vontade de rir. Nesta de Panteão, e para ser levado a sério, deveria ter uma disposição que vedasse a possibilidade de qualquer maduro ir para lá sem terem passado 50 anos sobre o falecimento. Assim é uma brincadeira ridícula própria de Cavaco e companhia.

    1. Bem, nem vale a pena ir por aí, as coisas que se têm visto nos últimos tempos põem o tal porco a andar de bicicleta a um canto, tem razão. Podia ser um critério sim, mas a minha questão não é tanto essa. Desta vez, o Cavaco deve estar meio inocente, já que foi a AR que votou por unanimidade a trasladação de Eusébio. E olhe que quase conto os dias para que este país fique menos conspurcado.

  2. Não se trata de elitismo. O problema é que Eusébio representa um clube não o País. Com a camisola das Quinas nunca ganhou nada e já outros foram bem mais longe. O que se trata aqui é da pieguice benfiquista do Regime, mas como tb já tive oportunidade de dizer noutro lado não estou minimamente preocupado com quem atafulham o templo republicano. Acho é que deviam tirar dali
    Almeida Garrett.

    1. Rejeito completamente essa sua tese !

      Aquando do falecimento de Eusébio inúmeros adeptos de outras cores reconheceram (já muitos o tinham reconhecido em vida) a Grandiosidade de Eusébio que até ver (só para lembrar) fez parte de uma geração de futebolistas que fez o maior brilharete da Selecção Nacional de Futebol que sendo um desporto é muito mais do que um mero desporto.

      Para mim Eusébio merece inteiramente esta forma de agradecimento do Povo Português.

      De um Português com memória e coração Azul e Branco !

      P.S. – Para mim será sempre o Maior, Sempre.

  3. Mas o Constelação de Heterónimos descansa no templo das viagens,ao exterior e
    com ele ao Interior.Descanse em paz até àquele dia “que tu sabes quando é”.

    1. Era uma mensagem subliminar, claro. A fotografia que acompanha o post é minha e sei onde a tirei 🙂 Não precisam todos de ir para o Panteão, mas essa seria uma outra questão. O meu ponto é que já que existe um Panteão, que na verdade não me diz muito, não me choca que um dos que lá repousa e se destacou no seu mester não seja um homem de cultura erudita. Não gosto de elitismo. Não mesmo.

      1. Sem dúvida,ponham lá quem quiserem,não penso ir lá,nem dou grande crédito àquilo.
        Aproveitei a sua foto para pedir que pelo menos deixem Este em paz,está bem onde está,e nunca foi “de companhias”.E lê-lo será a melhor maneira de o homenagear.

        1. Companhia era o que não lhe faltava com aqueles heterónimos todos, mas sim, está bem onde está, se opinar nos é permitido quanto à última morada dos grandes, e quando tirei a fotografia estava Maio num dia de sol deslumbrante em Lisboa. Nunca os Jerónimos me tinham parecido tão belos. Ler é sempre a melhor maneira de homenagear um escritor, não posso concordar mais.

  4. Uma das qualidades mais notórias deste “regime” (entenda-se por regime o conjunto de valores operacionais e práticas que a cúpula governativa dispõe e deixa para a comunidade) é a divisão e as escolhas unilaterais que dividem o povo em humores contrários. Optam por más opções simbólicas (como a bandeira ou a ortografia) e têm um discurso miserabilista que reflecte más escolhas e um posicionamento que destrói a unidade do Povo. Será um tique republicano ou uma característica de um povo? Não arrisco dizer. Mas arrisco dizer que a imagem da República é muito pobre. Basta ver as fotos da cerimónia que estão no Observador: parece um funeral da máfia napolitana. É tudo feio, porco e mau.

    1. Se vamos falar desta gente que nos (des)governa, a conversa é outra. A fileira de camafeus que nos tem desgraçado a vida não acolhe o menor apreço da minha parte e não vejo o dia em que eles todos desapareçam de vez. Envergonham-nos, desprezam pessoas, têm um discurso moralista abjecto e são mentirosos compulsivos. Contudo, o problema não é da República. Sou republicana convicta. Para o bem e para o mal, e deste mal sei bem do que falo, a voz do povo deve ser ouvida.

      1. Mas esse é o problema da República: são escrivãos com mau gosto promovidos a chefes, sem sensibilidade para compreender que um País é feito de símbolos. Duvido que possa ser outra coisa dado a sua natureza burocrática e ideológica, sem nada de anterior e ulterior à pobre coisa que constitui.

  5. Quem repousa no Panteão que seja conhecido no resto da Europa? Dos que lá estão
    Eusébio e Amália são os UNICOS que são conhecidos em todo o MUNDO!Não esqueçam: em todo o MUNDO!

  6. um Papa recente teve a feliz ideia de renovar os santos, e montou no vaticano uma fabrica, tipo fazer salsichas, e desatou a fabricar santos, como se o mundo estivesse a acabar. O problema do Panteao é o espaço, muito espaço para poucos mortos. Sem saudosismo, mas gostava de conhecer o objetivo que presidiu á construçao do Panteao. Ok, parece que á luz da nova onda, é justo receberem Eusebio. Mas pelo andar, o Panteao nao tarda está esgotado…

    1. Eu também tenho uma dúvida: será que o Saramago alguma vez irá para lá?
      É que todos estiveram “quase” a ganhar, mas ele foi o único que efectivamente ganhou um prémio de prestígio mundial: uma honra para Portugal e para a Língua Portuguesa.
      Só que há uma enorme diferença entre o vermelho e o encarnado, não é?
      Gosto que o Pessoa esteja onde está e lamento que a Sophia, tão magnificamente solar, esteja naquele gélido local.
      Este poema do Ricardo Reis era um dos favoritos do Saramago.
      🙂 Antonieta

      1. Saramago nunca reuniria o consenso que reuniu Eusébio e a estou convicta de que a sua família não concordaria. Na minha humilde opinião, acho que fariam bem porque Saramago detestaria estar naquele lugar. Por outro lado, nunca nesta legislatura. Mentes pequenas e ignorância é o que mais pulula na classe dirigente. Gosto de homenagens singelas e o local onde repousa Saramago tal como Pessoa têm essa singeleza. Retomo algo que já disse antes, nem todos os grandes têm de repousar no Panteão.
        Sou uma fã confessa e assumida da escrita de Saramago 🙂 e tenho com o seu nome uma relação de afecto por questões pessoais.

        1. Completamente de acordo, Leonor, ele detestaria ir para o Panteão.
          Gostei muito de saber que também aprecia a escrita do Saramago.
          🙂 Antonieta

          1. Saramago é dos único escritores que continua a maravilhar-me pelo seu génio. Quando releio o “Memorial do Convento” é sempre com renovado espanto.
            Bom fim-de-semana, Antonieta, e boas leituras 🙂

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