Falsas verdades e mentiras verdadeiras (2)


imagenscomhistoria,

Na Suécia, os trabalhadores têm direito a 42 dias de descanso por ano. Na Alemanha têm 40, na Dinamarca 38. E por aí adiante.

Em Portugal os dias de férias oscilam entre os 22 e os 25 e com os feriados podem ir, num ano bom, aos 10 ou 11. Somados, os portugueses têm entre 32 e 36 dias de descanso por ano.

No entanto, apesar de haver horários de 45 horas semanais – que, com raras excepções, já não se praticam nos países civilizados- , são muitas as vozes que se levantam  a proclamar que somos dos países da Europa onde menos se trabalha. Que temos muitos feriados e muitos dias de férias, blá, blá, blá.

Enchem-se páginas de jornais a corroborar esta afirmação, difundindo “estudos” e  fazendo “investigações” com objectivo de demonstrar que somos calaceiros e trabalhamos pouco.

Como este aqui, que fui obrigado a desmontar com dados assentes não em estatísticas, mas na realidade

7 comentários em “Falsas verdades e mentiras verdadeiras (2)”

  1. Caro Carlos…o que diz até pode ser verdade mas facto é que os países que nomeia são mais produtivos que Portugal. Porque será?
    Basta andar no transito. Em Portugal as filas estendem-se pela manhã inteira, por exemplo. Alguém que ande na marginal ás 9/10 da manhã ainda apanha fila! A que horas é que essas pessoas chegam aos seus empregos?

  2. Carlos,

    As horas anuais de trabalho que conheço são, por exemplo, estas (o gráfico está um bocado desactualizado, mas foi o que encontrei de imediato):

    http://en.wikipedia.org/wiki/File:Yearly_working_time_2004.jpg

    Onde cada trabalhador português aparece como trabalhando mais que um trabalhador sueco, alemão ou dinamarquês. Coincidindo com o que afirmas. As estatísticas, pelo menos as que consulto, são óptimo retrato da realidade. E dificilmente alguém provará o contrário.

    “Como este aqui, que fui obrigado a desmontar com dados assentes não em estatísticas, mas na realidade”

    Confesso que fui ler e não vi desmentido nenhum estudo, Carlos. Aceito a tua tese que há muito ‘estudo’ feito à medida para assentar em determinadas teses. Mas existem ‘estudos’ e estudos. Os sérios, como os que são elaborados pela OCDE ou pelos colaboradores do Banco de Portugal, não são possíveis de contrariar em meia dúzia de linhas.

    Já agora, a propósito do comentário da Daniela Major, vale a pena consultar isto:

    http://en.wikipedia.org/wiki/File:OECD_Productivity_levels_2007.svg

    O que se constata? Todos os que trabalham menos horas do que nós são muito mais produtivos. É impossível fazer a leitura do número de horas trabalhada sem levar em conta que um sueco, em média por cada hora trabalhada, produz 45 dólares, enquanto um português não chega a 30 dólares.

    1. Concordo com tudo o que escreves, Jorge. As objecções que coloco são as mesmas que as tuas. Em relação aos estudos e às estaísticas. Quanto ao “estudo” pus propositadamente ente aspas. Trata-se de mera intoxicação informativa. Pensava ter desmontado isso, mas pelos visto enganei-me
      Abraço

      1. “Quanto ao “estudo” pus propositadamente ente aspas.”

        Não tinha reparado, Carlos. Mas o meu comentário vem também na sequência do post anterior, onde relativizas bastante o papel dos estudos e das estatísticas. Ora, o problema português, e digo-o, sem saber se concordaremos nesse aspecto, é precisamente a inexistência de estudos e estatísticas feitos para o contexto português. São tão poucos que tomam-se decisões importante sem ter em consideração a realidade concreta das coisas.

        “Pensava ter desmontado isso, mas pelos visto enganei-me”

        Tanto não te enganaste que, como disse, as estatísticas confirmam o que afirmas. O que pretendi dizer é que aquilo a que te referes no post em questão não é, certamente, um estudo. Mas nisso parece que também estamos de acordo.

        Um abraço.

        1. Mais uma vez estamos de acordo, meu caro. Mas, talvez ainda pior do que a falta de estudos, é haver estudos que são encomendados, com o objectivo de se obterem determinados resultados e extrapolar conclusões. Conheces, certamente, mutos exemplos.
          A minha crítica, por outro lado, não visa a rejeição dos estudos, mas sim a utilização absiva que muitas vezes se faz deles. sei pefeitamente que não é o teu caso, mas nos próximos posts sobre este tema- e tendo como enfoque as medidas deste governo para a Administarção Pública, creio que ficarás a perceber melhor onde quero chegar.
          Abraço

  3. Muitas horas de trabalho não significa automaticamente uma maior produtividade. Antes pelo contrário. Asfixia a criatividade e o engenho.

    A questão abordada não deverá ser o número de horas, mas a falta de dotações adquiridas pelos portugueses. Quanto maior a formação, mais produtividade terá cada trabalhador.
    Os média é que gostam do alarido costumeiro. Infelizmente, nada de novo…

    Um abraço

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