Lisboa, 21 de Junho de 2015
Entrámos hoje no Verão. Não é uma estação que me seduza. Nem agora, nem antes. É um período excessivo de pormenores dos quais não gosto: muito sol, muita gente, muito suor, muito álcool.
Sou mais das quadras intermédias, como o Outono ou a Primavera, embora esta me cative menos do que a primeira, que também possui alguns excessos. Sobretudo de vida, que desponta por todo o lado.
Dir-me-ão que o Outono tem um lado triste, de fim que se aproxima. É verdade. Mas tem aquele amarelo laranja das folhas caídas das árvores que atapetam as ruas – e pessoalmente me tocam fundo -, que dão ao campo e às cidades uma uniformidade que nas outras estações se não descortina. Aliás, essa “tristeza outonal”, que tantos referem, é o bálsamo indispensável para compensar os cúmulos estivais.
Muitas vezes me tenho perguntado o porquê desta preferência, quando a minha alegria atávica pouco parece ter de comum com tal tristeza. Começo a acreditar que é o balanço psicológico que tal determina e que a sabedoria popular tão bem explica, quando afirma que os opostos se atraem. É um facto, comigo. E não só no campo meteorológico…


O Outono é mágico, pois é quando ocorre a verdadeira transformação que nos prepara para todas as outras estações.
Podemos fundar um clube?
Contigo, já!
:-))
que também possui alguns excessos. Sobretudo de vida, que desponta por todo o lado
É verdade. Na Primavera tenho sempre imenso trabalho para manter minimamente limpo o quintal, no qual surgem ervas e silvas por toda a parte. E nas propriedades é a mesma coisa, e depois têm que ser limpas antes que chegue o verão, porque as ervas secas arriscam incêndios.
Também padeço de balanços psicológicos, embora nas estações do ano seja de extremos. Adoro o Inverno, mas só conceptualmente, já que o não posso passar dentro de casa com o frio e a chuva lá fora. Com o Verão renovo-me, tenho vontade e vida a dobrar para tudo.
Nasci no Outono. Gosto muito do Outono e não saberia viver sem ele, sem a sua espera.