Portugal e a Europa


Luís Naves,

The_Abduction_of_Europa,_Jean-François_de_Troy.jp

 

Nos anos 70 e 80, ninguém poderia antecipar a grande transformação que se aproximava. A derrocada do bloco comunista alterou o mundo de ontem e as tecnologias digitais produziram uma ruptura económica cujas consequências não são ainda totalmente compreensíveis. Portugal viveu ainda mais intensamente este período, pois ele coincidiu com o colapso do império português.

Passaram quatro décadas e Portugal soube reinventar-se. Hoje, o País é membro da maior parceria política do mundo, a União Europeia, por sua vez ancorada numa firme aliança com a hiperpotência americana. Os países europeus (e, por extensão, Portugal) não enfrentam qualquer ameaça existencial visível, sendo esta uma situação inédita. Há crises nas fronteiras: o fracasso das primaveras árabes acentuou a instabilidade no Médio Oriente e agravou um onda de refugiados que está a criar situações humanitárias difíceis de resolver; milhares de pessoas tentam atravessar o Mediterrâneo em frágeis embarcações que podem virar-se ao mínimo movimento de pânico a bordo, outros milhares chegam por terra; entretanto, a guerra civil numa região separatista da Ucrânia ameaça criar um Estado falhado ou desencadear perigosas paixões nacionalistas.

A recente crise financeira atingiu duramente a UE, Portugal foi um dos países mais afectados, e, no entanto, os efeitos políticos não se comparam ao que aconteceu, por exemplo, na década de 30 do século passado. Alimentados pelo descontentamento, há movimentos populistas de extrema-direita ou de extrema-esquerda em vários países, mas à excepção do Syriza, na Grécia, nenhum deles ultrapassa um quinto do eleitorado. O êxito político da União Europeia é negado por muitos observadores, mas a tese da irrelevância europeia não resiste ao confronto com os factos. Como é que pode ser um fracasso uma união sem inimigos externos ou ameaças visíveis? Sendo uma zona de paz e de prosperidade sem ambições imperiais, a Europa de hoje encontra-se de novo num período de mudança rápida e a opinião pública precisa de perceber que os próximos 40 anos de Portugal dependem da forma como vamos participar nessa mudança.

0 comentários em “Portugal e a Europa”

  1. Não auguro um grande futuro nesse tipo de participação que refere. E isto tem uma explicação: nós somos na realidade participantes de algo que não construímos e para o qual não contribuímos activamente.
    Nós só somos verdadeiramente portugueses fora das fronteiras territoriais, local onde nos é possível libertar a imaginação e verdadeiramente empreender.

    Como povo só teremos futuro se formos capaz de aproveitar esta oportunidade digital, local onde se concentra 90% do saber, para reconstruirmo-nos. E esta reconstrução tem de partir da pessoa em si. Já não é possível acreditar nas falsas “elites” que existiram, e que ainda existem, e que vincaram esta inércia visível que possui carácter hereditário.
    Significa isto que a única revolução que destrói criativamente é a que se opera no interior de cada um.

    Portugal não é um país criativo, é vaidosamente e oportunisticamente corporativo. Estas corporações, a que chamam elites, que são transversais à sociedade, pois abrangem o domínio político, judicial, empresarial, educacional, cultural, sanitário, económico-financeiro, sugam parasitariamente não só os recursos económicos mas a capacidade criativa e transformadora que habita cada pessoa.
    Associado a isto não existe em nós, enquanto pessoas e povo, a ousadia do risco. Portanto, a ambição de cada pessoa resume-se ao facto de querer participar nesta qualquer coisa que em cadeia vai oferecendo migalhas aos seus associados, e faz parecer em cada um uma importância que na realidade E A não possui.
    E o único orgulho que faz-se sentir, e necessita-se transmitir, é a posse da casita, do carrito e da vidita que parece ter sido vivida mas que não possui vida. E a forma de esbater esta não vida é também reflectida no pressuposto de que foi vivida em prol de uma família na qual não se semeou a vida, e também num qualquer trabalho ou ofício realizado onde se consumiu a vida que não foi vivida.

    Há uma revolução a realizar, libertar a geração que VIRÁ de cada uma destas gerações que aqui estão.

    VIVA CAMÕES!

    1. Por favor, onde se lê “que na realidade E A não possui”, leia-se que na realidade E A realidade não possui.

  2. A escolha da figuração é muito boa, o rapto contra-natura da Europa, não poderia ser melhor ilustrado por um acéfalo boi manso.

  3. «Qualquer que seja o acordo que os gregos acertem com as instâncias europeias, ele não será suficiente. É preciso um compromisso de longo prazo, defende Martin Schulz, que se opõe à subida do IVA na saúde e a mais cortes nas pensões.
    Atenas vai ter de continuar a trabalhar com a Europa, mesmo que consiga chegar a um acordo que garanta dinheiro fresco aos cofres gregos antes do final do actual programa de resgate. “Sejamos honestos: o que quer que se acorde, nesta semana ou na próxima, não vai resolver o problema; é uma solução de curto prazo. Os problemas gregos têm de ser resolvidos com base numa estratégia de longo prazo”, defende Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu.»

    1. Muito obrigado. Lindo menino. Já reparaste como eu mereço o valor das avenças. Tudo começa a encaixar no que tenho dito. Obrigado pela justiça que me fazes. Os credores já cederam. A outra parte da solução, de que fala Schulz, conto-ta daqui por uns tempos. Só para ficar entre nós.
      Na realidade já tinha conhecimento. Não sei se reparaste, mas eu conheço muitas coisitas.

      http://economico.sapo.pt/noticias/schulz-contra-novos-cortes-de-pensoes-na-grecia_220716.html

      Como castigo, determino a leitura de todos os meus comentários e que os escrevas no “tableau” (estás a ver onde o nosso Zeinal aprendeu a falar irlandês? Foi comigo) 300 vezes.

    2. E para concluir o que Schulz pretendia dizer, aqui tens as notícias fresquinhas das 19H13m:

      http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=190216

      Por último, eu sei que deixaste-te de apresentar como habitualmente te identificavas. Digo-te isto só para dizer-te que teus comentários não passam de chico-espertices e de vaidades tuas vistas no espelho para onde olhas. Mas como tens sentido de vergonha e não queres desmascarar-te perante um ego que incha de nada resolves-te escrever umas coisitas onde colocavas a tua identidade.
      És mesmo muito baixinho e um ignorante a armar em gente entendida. Os teus truques já os percebi vai muito tempo. Não vales nada, e só te dei atenção para humilhar teu ego.
      Embrulha e mete no saco.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *