Costa, a UTAO e o sms do tau tau


Rui Rocha,

Demos então um passo atrás e voltemos à proposta de avaliação do cenário macro-económico do PS pela UTAO. Certo. Eu sei que a coisa não era para levar a sério. Se fosse, jamais poderia ter sido apresentada por alguém com os índices de credibilidade de Marco António Costa. E sim. Sei também que a utilidade dessa avaliação seria sempre bastante discutível (é ver o que aqui escreve, a esse propósito, o José Meireles Graça). Mas depois do sms enviado por Costa a João Vieira Pereira, a pergunta que se impõe é esta: que legitimidade tem António Costa para recusar tal avaliação técnica de um documento a partir do qual será desenhado o seu programa de governo quando se arroga ele próprio o direito de sindicar, com inusitada violência, em tom ameaçador e com evidente despropósito, o conteúdo de um artigo de opinião? Isto é, UTAO não, mas tau tau por sms sim?

0 comentários em “Costa, a UTAO e o sms do tau tau”

  1. De facto (e é desolador), podemos concluir que os nossos “Guias” ou proclamados “Guias” competem furiosamente no “azelhismo” mais primário, sendo difícil fazer pior. Veja-se o sms de A.Costa em todo o seu esplendor e tudo o que de sinistro daí se pode inferir e, na linha de “porque não te calas”, please, o absolutamente dispensável, para dizer o mínimo, louvor público de P.Coelho a esse insígne cidadão D.Loureiro, de cujos feitos tanto a República, realmente, se orgulha… Ó balha-me Deus!!

  2. Se é assim na montra como será no armazém! Isto não pode ser verdade, ou é Costa com o rabo (do chicote) á mostra?

  3. “Que legitimidade tem António Costa para recusar tal avaliação técnica de um documento a partir do qual será desenhado o seu programa de governo quando se arroga ele próprio o direito de sindicar, com inusitada violência, em tom ameaçador e com evidente despropósito, o conteúdo de um artigo de opinião?”
    Eu respondo: não tem qualquer legitimidade; tomou aquela atitude apenas por que está desesperado. Só isso.

  4. Da Teodoro Cardoso para o escriba do espesso… que salto.

    Costa não tinha necessidade de enviar um SMS. Teria que enviar muitos. – mas se quisesse fazer pressão não era por SMS, manifestamente contraproducente. O comentador, coitado, também não fica muito bem. Quando abrir a boca lá vão dizer, pois…a partir de agora a palavra dele vale metade. Perdeu valor no mercado. Para isso está a infantaria da coligação.

    E o artigo era mesmo fraco. Não valia os cêntimos do envio da mensagem. Por alguma razão o jornal deu sumiço ao caso.

    1. António Costa será levado ao colo, porque a ausência de alternativa precisa de um inútil, balofo, a cumpri-la.
      Assim, para que não se comece a pensar noutras alternativas, claramente indesejadas pelo regime de falsa alternância, o regime de alterne, a imprensa terá que levar o menino de ouro ao colo, mesmo que apanhe em cheio com os seus pés de barro.

  5. Para a gente ficar a saber ao certo o que vale essa proposta, nada melhor que perguntar ao dr. Mário Soares ou ao dr. Jorge Sampaio, que desses assuntos são uns mestres. Também servia o dr. Sampaio II, a quem Soares escreveu uma carta.

    Mandei-lhe uma carta
    Em papel perfumado
    E com letra bonita
    Eu disse ela tinha
    Um sorriso luminoso
    Tão triste e gaiato
    Como o sol de Novembro
    Brincando de artista
    Nas acácias floridas
    Na fímbria do mar

    Sua pele macia
    Era suma-uma
    Sua pele macia
    Cheirando a rosas
    Seus seios laranja
    Laranja do Loge
    Eu mandei-lhe essa carta
    E ela disse que não

    Mandei-lhe um cartão
    Que o amigo maninho tipografou
    ‘por ti sofre o meu coração’
    Num canto ‘sim’
    Noutro canto ‘não’
    E ela o canto do ‘não’
    Dobrou

    Mandei-lhe um recado
    Pela Zefa do sete
    Pedindo e rogando
    De joelhos no chão
    Pela Sra do Cabo,
    Pela Sta Efigénia
    Me desse a ventura
    Do seu namoro
    E ela disse que não

    Mandei à Vó Xica,
    Quimbanda de fama
    A areia da marca
    Que o seu pé deixou
    Para que fizesse um feitiço
    Bem forte e seguro
    E dele nascesse
    Um amor como o meu
    E o feitiço falhou

    Andei barbado,
    Sujo e descalço
    Como um monangamba
    Procuraram por mim
    Não viu ai não viu
    Não viu Benjamim
    E perdido me deram
    No morro da Samba

    Para me distrair
    Levaram-me ao baile
    Do Sr. Januário,
    Mas ela lá estava
    Num canto a rir,
    Contando o meu caso
    Às moças mais lindas
    Do bairro operário

    Tocaram a rumba
    E dancei com ela
    E num passo maluco
    Voámos na sala
    Qual uma estrela
    Riscando o céu
    E a malta gritou
    ‘Aí Benjamim’

    Olhei-a nos olhos
    Sorriu para mim
    Pedi-lhe um beijo
    Lá lá lá lá lá
    Lá lá lá lá lá
    E ela disse que sim
    E ela disse que sim
    E ela disse que sim

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