“Mas o que sobressai são as aplicações financeiras que António Varela, que tem uma larga carreira no sector financeiro e foi indicado pela ministra das Finanças para o cargo que actualmente exerce, possui em diferentes bancos. De acordo com o documento, que, como manda a lei, chegou ao Palácio Ratton após a nomeação, o gestor detém 1357 acções do Santander e uma acção do BCP, além de títulos de outras cotadas portuguesas, como a Mota- Engil e a Portugal Telecom. E é ainda dono “de metade”, como o próprio refere, de outras 506.261 acções do BCP, de 37.824 do suíço UBS, de 1253 do Santander Central Hispano, de 110 do Deutsche Bank e de 25 acções preferenciais do Banif (com o valor nominal de 1000 euros).
O portefólio de investimentos do administrador do Banco de Portugal abrange ainda obrigações (dívida) de diferentes entidades, incluindo uma do Santander US, com um valor de 100 mil euros, duas do BCP (avaliadas em 50 mil euros cada), uma do BBVA no mesmo montante e ainda 50 do Banif (a 1000 euros cada). António Varela também é detentor de obrigações de outras empresas, como a EDP ou a Telefónica, tendo investido igualmente em dívida grega.
A carteira declarada ao Tribunal Constitucional estende-se ainda a participações em diversos fundos de investimento, alguns dos quais rela- cionados com a evolução de títulos da banca, de divisas ou de dívidas soberanas. (…)” – Público, 21/04/2015, p. 18
Como é possível transmitir uma imagem de seriedade e confiança aos portugueses – já nem falo em garantir a isenção e a independência de actuação e decisão – quando se nomeia para regular quem tem interesses naquilo que regula?

De facto, o homem, se queria deter ações e obrigações de empresas, bem que podia ter optado por empresas que não fossem financeiras.
Ainda por cima, as ações das empresas financeiras estão mesmo na mó de baixo…
Bem, se não escondeu nada, não vejo se é ilegal, ou imoral, ou integral, ou mesmo o mal.
De resto, para alguém da Banca, ficaria muito admirado que não tivesse acções, participações, comissões, atracções no ramo.
Saber dominar uma área e não investir algo de si nela seria algo raro, para não dizer estúpido.
Mas como se fala mal de tudo e por tudo e por nada, eis um bom exemplo da promiscuidade intelectual. Ou diarreia mental.
Talvez seja eu que vejo mal a coisa e seja fácil de explicar isto. Mas deve ser mesmo complicado. Vou falar com os meus botões.
Creio que foi o ministro Pires de Lima que quando decidiu aceitar o convite para ser ministro da Economia se desfez de todas as acções que tinha para não se sentir limitado nas decisões que iria tomar. E houve quem para se candidatar à Presidência da República vendesse todas as acções que possuía.
Se o Zé Luís não vê nisso qualquer problema, então é porque deve estar tudo bem.
se não escondeu nada, não vejo o mal
O mal não é ter escondido seja o que fôr. O mal é estar a regular um setor no qual se tem interesses financeiros pessoais.
para alguém da Banca, ficaria muito admirado que não tivesse acções, participações, comissões, atracções no ramo
Eu compreendo que um funcionário de um certo banco detenha ações desse banco. Já me parece estranho que detenha também ações de outros bancos.
Não deixo de reconhecer fundamento razoável à crítica, mas continuo a não ver o mal. Ao contrário do que diz, ele não escondeu nada mesmo, ao que se sabe agora.
Quanto ao regular isto e aquilo, ter o portfolio que tem é à partida inibidor para qualquer um aceder ao posto em causa. Ou vender o que tem. Deve ser isso a liberdade de escolha.
Bom exemplo de Democracia que o LL dá. Fica bem. Mas é a chico-espertice habitual, se me permite.
Voltando ao princípio: para a Banca ou o BdP vai um merceeiro, se não for possível, e aconselhável, um marceneiro. Porque dificilmente será acusado de conflito de interesses.
Como disse antes, para a Banca vão os trolhas e os banqueiros vão cozer marmelos.
Nada como separar as águas.
Nem sei como neste avanço civilizacional as mulheres querem deixar de parir e pôr os homens a sofrer as dores de parto. Certo é que alguns até gostarão de arriscar… há taras e manias.
Bom proveito.
Ele até pode ser sério, mas ninguém vai acreditar na seriedade de seu trabalho e competências.
A ocupação destes cargos e também dos cargos políticos devem ser constituídos por pessoas com total abnegação, para além da competência.
“O mal é estar a regular um setor no qual se tem interesses financeiros pessoais.”
Hmm…
Quem ganha com os impostos, quem determina os impostos: políticos
pois é…
Não sei quem é o sr Varela, nem de onde lhe veio o dinheiro para comprar tanta acção dos bancos. Mas é ilegal? e onde é que o facto de ele ter acções dos bancos, alguns deles até estrangeiros, interfere na sua acção de regulação sobre os bancos.
Continuamos a olhar para o acessório e a ignorar o essencial. E a ver fantasmas em todo o lado.