Mariano Gago


Sérgio de Almeida Correia,

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(16/5/1948 – 17/4/2015)

Podemos ser enormes sem precisarmos de deixar de ser como somos.

 

0 comentários em “Mariano Gago”

  1. Fiquei triste, apesar de eu nunca ter nutrido proximidade ao PS, muito cedo passei a admirar Mariano Gago, era ele ainda Presidente da JNICT e tinha-o como apartidário, depois passei a considerá-lo o ministro mais tecnocrata dos governos socialistas mas com um objetivo claro para a ciência em Portugal que sempre tentou pôr em prática, mais recentemente conheci-o pessoalmente através de amigos comuns e a minha consideração por ele subiu ainda mais. Portugal fica mais pobre com a sua morte tanto no domínio político como científico. R.I.P.

  2. Os bons partem, mas ficarão para sempre imortalizados. Os maus e os medíocres ficam, mas depressa serão esquecidos.

  3. Pareceu-me de um enorme despropósito a tentativa de unanimismo acerca da figura de Mariano Gago, agora falecido.

    É hábito querer reescrever-se a história para conveniência política, mas acho que o exagero neste caso vai longe demais.
    Nem falo da sua interferência ridícula para defender Sócrates.

    Numa altura em que chegava dinheiro, deu-se dinheiro para formação. Eu recebi dinheiro da JNICT para doutoramento, e não foi preciso nenhum Gago para isso. As coisas funcionavam bem, sem burocracias parvas.
    O que se passou a seguir foi que chegou ainda mais dinheiro, no tempo de Guterres, e ele foi sendo cada vez mais canalizado para “a malta”, e não faltava aos outros.

    Mesmo quando já começava a escassear, Gago esbanjou dinheiro a rodos para financiar universidades americanas, num projecto MIT da maior mediocridade nacional, e cujo resultado como hoje se vê, foi nulo.
    Quis ainda converter universidades em fundações, colocando lá a sua malta, como já tinha desmantelado os laboratórios públicos trazendo-os para a sua alçada.
    Criou o seu CLA, de laboratórios associados, um clã da malta subsidiária, que dependia da sua generosidade pessoal. Financiamentos variáveis e em casos negociados pessoalmente… enfim, uma tristeza quando a podridão instalada nem é bem corrupção.
    No final de contas, sendo ele um cientista sem uma publicação própria digna desse nome, consegue agora uma imagem que só é possível num “país do faz de conta”.
    Claro que isto não é feito por ele que parte… é apenas pelos que ele cá deixa, para preservação da raiz filogenética.
    Bicharada que já cheira a mudança do vento.

    1. Caro da maia, eu discordo bastante da sua nálise a Mariano gago, mas não tenho agora tempo para ela. Faço apenas uma observação em relação a Gago como cientista.

      Fiz a minha procura (muito rápida) sobre Gago na Scopus, que como certamente conhece é um excelente motor de pesquisa para publicações. Econtrei duas hipóteses: José Mariano Gago e J.M. Gago (este do Técnico). No primeiro caso encontrei apenas duas publicações sobre o ensino e a investigação (do político). no segundo encontrei 76 publicações e apenas até 1991 (quando teria uns 48 anos). Não me parece má produção. O indíce-H de Gago é de 25, ou seja, tem pelo menos 25 publicações com pelo menos 25 citações, outra coisa que não é de somenos.

      Não sei avaliar Gago como cientista (não é a minha área, nem de longe nem de perto), mas julgando pela sua produção e pelas citações que teve (o seu artigo mais citado, de 1989, tem 165 citações, ou seja, não podem ser apenas auto-citações), Gago esteve claramente acima da média, especialmente considerando que trabalhou num campo onde nada existiria em Portugal.

      Isto diz alguma coisa sobre gago-ministro? Não, mas não quis deixar passar em claro esse argumento de Gago como «um cientista sem uma publicação própria digna desse nome». Não o era.

      1. Caro João, sim, foi-me dito que Gago tinha o nome em bastantes publicações, e por isso enfatizei “publicação própria” e “digna desse nome”.
        Por isso deve excluir publicações entre 20 e 50 autores, onde imagino que até poderá aparecer o nome da empregada da limpeza, e o rato do laboratório, especialmente quando ele nunca aparece nos primeiros cinco ou seis lugares, segundo consta. Ora, se dividir 80 publicações por 50 autores, ou 20 que seja a média, verá quanto lhe dá. Parece-me não chegar para a meia-dúzia.
        Quanto a citações… LOL, se 50 autores não conseguem mais que 200 citações, ao fim de todos estes anos, é porque nem eles citavam os seus trabalhos!

        Agora, é claro há muitas formas de contar a história. A mim contaram-me, em tom de brincadeira, imagino, não sei, que a função dele no laboratório francês era ir ligar e desligar um botão duma máquina.
        Também me contaram que na antiga URSS o chefe político de laboratório tinha o direito de escolher o lugar onde aparecia, e nem sempre era no fim. Isso favorecia aparecerem nomes de vulto, mesmo que por trás estivesse apenas um burocrata.
        É bom não esquecer que, em certas áreas, a maioria dos gestores de ciência tem pouco de cientista, e tem muito mais de mero burocrata.
        Mas dessa malta, já tive a minha dose há muito tempo, e quero distância… foi uma geração de incompetentes que se aproveitou para tomar conta disto. Apanharam o sistema escancarado pela revolução, quiseram abocanhar tudo, exigiram tudo dos mais novos que se seguiam, e pouco mais que nada lhes foi exigido. E não se lhes podia exigir nada, porque era tudo oco, balofo.
        E isto foi em todas as áreas, não foi apenas na ciência e tecnologia. Homenagens? Veja lá a idade média dos governantes, e verá que alinhou sempre com os mesmos, ou seja, os que tinham 20/30 anos nas décadas de 70/80, e depois com os descendentes que esses escolheram.

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