João Bosco Mota Amaral
É o político há mais tempo continuamente em funções em Portugal. Desde que entrou na Assembleia Nacional caetanista, em 1969, nunca mais parou: liderou a autonomia açoriana, como primeiro presidente do Governo Regional; foi segunda figura do Estado, como presidente da Assembleia da República; mantém-se como deputado social-democrata.
Não falta quem diga, eventualmente com muita razão, que Mota Amaral, fundador do PPD/PSD tem ambições presidenciais. Depois de vários presidentes da Maçonaria, chegará a hora de haver um do Opus Dei?
Açoriano de Ponta Delgada, tem 71 anos. Signo Carneiro.
Prós – Seria o mais forte candidato a vencer as presidenciais nos Açores, onde até muitos socialistas votariam nele. Habilitava-se a ser o primeiro Presidente de direita a usar cravo vermelho nas sessões solenes do 25 de Abril: durante anos, foi o único deputado do PSD que o fez. É um firme opositor do aborto ortográfico.
Contras – Muitos eleitores de esquerda não gostariam de ter como Chefe do Estado alguém que foi deputado antes do 25 de Abril, embora na chamada “ala liberal”. O sotaque cerrado de Mota Amaral daria algumas dores de cabeça aos tradutores-intérpretes. Apreciariam os portugueses um Presidente sem primeira dama?

![mota_amaral_1_pagina[1].jpg mota_amaral_1_pagina[1].jpg](http://7.fotos.web.sapo.io/i/Bf2063045/18133974_dzAAg.jpeg)
Estranhei ter aparecido a botar opinião há dias, isto quando prima pelo silêncio faz imenso tempo. Recordo-me de ter, em tempos de outras eleições para Belém, afirmado que a sua candidatura a PR estava em lume brando.
Desconhece-se de todo que contributos terá vindo a dar na última fila da bancada da AR – está lá há demasiadas legislaturas e apenas, parece-me, por vício ou por não saber fazer mais nada.
Figura actualmente apagada e desde sempre beata… nem de segunda escolha.
por vício ou por não saber fazer mais nada
Deve ser isso, mesmo. Repare-se: entrou na assembleia com 26 anos de idade. Vindo de São Miguel, uma das regiões mais desiguais (ao contrário das restantes ilhas açorianas, que têm sociedades geralmente igualitárias) do território nacional. É bom de ver que deve ser um patrício, oriundo de uma muito boa família, abastada, que entrou na política por ser quem é (não só pela família, mas também pela religião) e que nunca aprendeu a fazer mais nada na vida. E manteve-se na política por isso mesmo, não pelos seus méritos intrínsecos, que não se lhe conhecem nenhuns.
Seria uma razão para votar nele. Tanto quanto sei, o sistema político não é monopólio dos ateus…
Não ser beato é ser ateu? Desconhecia.
Se o feminino de beato é beata, o feminino de ateu será atua?
entrou na Assembleia Nacional caetanista em 1969
Seria interessante saber com que bases é que entrou na Assembleia Nacional um miúdo de 26 anos. Quem o pôs lá, que poderes serviu para ser nomeeado candidato, etc.
A senhora deputada Rita Rato entrou no parlamento com que idade e quem a pôs lá?
Claro, essa é a comparação correta. É evidente que Rita Rato terá trabalhado bastante para o PCP (provavelmente já desde a adolescência, na JCP) para que este tenha decidido pô-la na assembleia. E é por isso mesmo que pergunto, para quem trabalhou Mota Amaral?
Aos 26, em 1969 já tinha feito umas coisas. Era licenciado em direito desde os 22, "na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e concluiu, na mesma escola, com distinção, em 1966, o Curso Complementar de Ciências Político-Económicas, defendendo uma tese sobre o tema Responsabilidade Civil da Administração Pública.
Desde cedo iniciou colaboração na imprensa escrevendo sobre temas económicos, sociais e políticos. De 1965 a 1969 foi chefe de redacção da revista Rumo, de Lisboa. Colaborou também no vespertino micaelense Diário dos Açores.
A partir de 1967 exerceu advocacia em Lisboa, especializando-se em questões de direito administrativo e fiscal. A partir de 1975 transferiu o seu escritório de advogado para Ponta Delgada.
Entre 1969 a 1975 foi membro do Centro de Estudos Fiscais e participou, integrado na delegação portuguesa, nas negociações do Tratado de Comércio com a Espanha (1970) e em diversas reuniões do Grupo de Trabalho da OCDE sobre dupla tributação."
Fazia parte da Ala Liberal, que teve pessoas com a craveira intelectual de um Miller Guerra.
Ao contrário de Adriano Moreira, tão incensado pelo regime actual, não foi ministro de Salazar e breve delfim do regime fascista. Também não é maçon, o que não lhe assegura boa imprensa.
Os dessa Ala Liberal desiludiram-se todos com o marcelismo e mandaram passear a Assembleia Nacional. Com uma única excepção: este.
Conferi e houve não uma mas duas excepções: Mota Amaral e José Correia da Cunha.
Quem lhe disse que não se desiludiu? Provavelmente, terá pensado ser mais útil dentro da Assembleia do que fora dela.
“Post facto” é sempre fácil saber decidir – e condenar.
Não sei se teria o meu voto para esse cargo, dependeria dos outros candidatos e, aliás, nem sempre voto nas presidenciais, pois nem sou um republicano convicto. Agora uma coisa é certa, representa uma versão católica da social-democracia, esta última no seu sentido ideológico, e como tal, bem à esquerda do posicionamento atual do PSD, mas pelo menos pela ideologia está bem mais próximo do meu modo de pensar que muitos outros potenciais candidatos que se perfilam pelo País.
Não sou também republicano convicto. Na verdade, bem mais importante para mim do que a questão monarquia ou república é aquilo que um regime, dentro do modelo de democracia de tipo ocidental, tenha a apresentar a título da sua acção. O nosso actual, tão cioso da sua tão fervorosamente invocada “ética republicana” e da sua superioridade, arrogantemente erigida em dogma, sobre a fórmula monárquica, se não está absolutamente esgotado anda lá próximo e é, isso sim, terreno fértil para a mais despudorada venalidade, o mais descarado nepotismo e o triunfo do salve-se quem puder e à custa de quem for.
Bem pode então esta república – nascida, convém não ignorar, de um duplo homicídio e do rompimento pela violência de uma ordem constitucional inquestionavelmente democrática, fazendo-lhe suceder anos de terror e de bem discutível democracia, antes mesmo de se assumir como ditadura (e estes são factos indiscutíveis, por muito republicano que se seja) – gabar-se da sua ética.
Não sendo também um católico praticante, defendendo a separação clara entre o espiritual e o temporal, e tendo da Igreja Católica uma visão frequentemente bem crítica, não nego a matriz cristã – e dentro disso, católica – da minha formação (e que suponho o seja também da formação de grande parte dos que por aqui, ou onde for neste país, se afirmem ateus, agnósticos ou anticlericais). Não me repugna por isso, à partida, a ideia de um social-democrata assumidamente católico, e sem necessidades de se desculpar da sua fé, na presidência da república.
Mais não seja por ser bem tempo de alguma afirmação cristã, como contraponto ao que bem sabemos: da intolerável arrogância bélica de outras confissões, ou feita à sua sombra e sem da parte destas uma demarcação taxativa e bem clara, à insuportável ausência de valores num mundo de “empreendedores” e “empreendedorismo”, e erigidos em exemplo civilizacional.
Nem se aponte a este homem o seu passado nem o que tenha feito – ou porque tenha participado (ou entrado) – no tempo do Estado Novo. Haveria que o fazer de outros que prosperaram, e precisamente na coisa pública, depois de 1974. Há uma diferença, de facto: desses alguns correram a militar mais à esquerda; o que num país de raciocínios simplistas e pouco dado a pensar, pode de facto ser um trunfo.
Não sei se teria o meu voto – é também bem possível que nem vote – mas de todos os que por aqui já desfilaram, e por contraditório que pareça, este e A. Barreto estariam, se a fizesse, numa “shortlist ” minha.
Costa
Costa
Não desmobilize já porque ainda aparecerão aqui outros candidatos que hão-de merecer a sua simpatia.
Os açoreanos deram os primeiros dois presidentes da república.
Mas isso foi porque cá no rectângulo todos tinhamos vergonha de acabar com 800 anos de tanto rei.
Agora este não, e por muitas razões, principalmente a idade, é muito novo.
Agora a moda é diferente. Há reis para tudo. O rei das bifanas, o rei das farturas, o rei dos pneus…
Até tivemos D. Godinho, o rei da sucata.
Não é casado? Nem sabia. Não sei se os presidentes ligariam à falta de primeira-dama, mas isso pode ser ideia errada minha.
Em teoria não devia haver qualquer problema. Mas o último Presidente que tivemos sem primeira dama, salvo erro, foi Teixeira Gomes, que abandonou subitamente Belém, rumando à Argélia, já lá vão oitenta anos.
E nunca mais voltou.
Bom, problema resolvido, basta pedir aos argelinos que lhe proíbam a entrada :).
Candidato partidário de acordês, que se vá candidatar à presidência da Guiné Equatorial, esse grande país lusófono, campeão da democracia.
Ou escreve português legítimo e defende o nosso património cultural ou não terá o meu voto.
Aí está um ponto em que terá você toda a razão. E nesse aspecto A. Barreto não cedeu.
Dos que já por cá passaram, tanto quanto sei, os seguintes são contra o acordês:
– Carvalho da Silva
– António Barreto
– Marcelo Rebelo de Sousa
– Medina Carreira
– Freitas do Amaral
– Alberto João Jardim
– Carlos Carvalhas
– Bagão Félix
– Rui Moreira
– Mota Amaral
Fervorosos acordistas são:
– Francisco Balsemão
– Marinho e Pinto
– Santana Lopes
– Oliveira Martins
– Vasco Lourenço
– Vital Moreira
Ignoro as posições de Jaime Gama, Leonor Beleza, António Vitorino, Rui Rio, Fernando Nobre, Sampaio da Nóvoa, João Cravinho e António Guterres (presumo que pelo menos os três últimos são acordistas).
Marcelo Rebelo de Sousa é acordista e enche a boca de “lusofonia”. Como muuitos defensores do acordo tem um particular gosto pelas petas. Engoliu e não desmetiu a a acusação que lhe foi feita pelo Portas do jantar em Belém – a disse que tinha ido, mas não fora e para o qual inventou uma ementa completa.
Ter mais um tipo destes na presidência, para quê?
Quanto aos acordistas, não sabia que Vital era maçon, que é a única explicação para alguém com dois dedos de testa ser partidário daquele crime.
Já os outros parecem não levantar dúvidas quanto à pertença àquela agremiação que se tem ocupado em impor o acordês a Portugal ilegalmente, à revelia da vontade dos portugueses e em sabotar qualquer tentativa de discussão.
Marcelo já disse, mais que uma vez, que é contra o aborto ortográfico. Tenho de tomar esta declaração pelo seu valor facial.