Intolerâncias


escafandro,

Alastram, são cada vez mais assumidas, tornam-se moda. Quem, há vinte ou trinta anos, ouvira falar da intolerância à lactose ou ao glúten?

0 comentários em “Intolerâncias”

      1. De facto, uma coisa é a lactose, outra é o glúten.

        Os médicos desde sempre souberam que o leite não-humano, especialmente o leite de vaca (o de ovelha e, sobretudo, o de cabra muito menos), provoca alergias nos humanos. Não o dizem às pessoas para não incorrer na ira da poderosa indústria dos laticínios.

        Qualquer pessoa que deixe de consumir leite de vaca pode facilmente verificar isso – que uma data de pequenos mas, às vezes, irritantes problemas de saúde desaparece.

        Não é por acaso que não se pode dar leite de vaca aos bebés. Aos adultos também não se deveria dar.

        1. Sim, está provado que o ADN dos europeus se começou a modificar, há alguns milhares de anos, para que pudesse suportar e digerir o leite de vaca. Ainda assim, há muita gente alérgica ou com intolerância à lactose. Quantos bebés não terão morrido, no passado, devido a este problema? Lembro-me, há cerca de 25 anos, no Porto (portanto, num tempo e num local com acessibilidade a cuidados médicos) de uma senhora andar angustiada, pois a neta definhava. A mãe não estava em condições de a amamentar e a bebé recusava-se a beber o leite substituto que lhe davam. Pensavam que morria, quando um médico teve a ideia de que talvez fosse alguma alergia ou intolerância ao leite de vaca. Começaram a dar-lhe leite de soja e a bebé “ressuscitou”, engordando a olhos vistos.

          Outros povos têm ainda hoje dificuldade. Lamento, não estou agora certa, mas penso que são os asiáticos que não toleram leite de vaca. E ainda se está para ver se tal leite é realmente prejudicial à saúde, mesmo para pessoas que, aparentemente, não têm problemas com ele. Já com outros produtos lácteos é um pouco diferente, pois em alguns não existe lactose, como no queijo, por exemplo.

          Também com o glúten se pode passar algo parecido. Antigamente, havia muita, mas muita gente, com problemas digestivos crónicos. Ninguém sabia porquê, acho que se dizia que eram fracas de fígado, ou de estômago, ou sabe-se lá de quê. Até podiam ser. Mas quantas vezes não seria o glúten o culpado?

          Sou sempre um pouco cética, quando se diz que hoje em dia há mais alergias e intolerâncias do que antigamente. Nada o prova. Os conhecimentos de medicina deixavam muito a desejar e morriam muitas crianças pequenas, a maior parte, não se sabia de quê. Talvez a falta de higiene e de cuidados médicos não fossem os únicos responsáveis…

          1. penso que são os asiáticos que não toleram leite de vaca

            A produção de leite (nem todo de vaca, é certo – as búfalas de água também são importantes) na Índia tem aumentado brutalmente nos últimos anos, o que tem contribuído muito substancialmente para melhorar o consumo de proteínas por parte de muitos indianos.

            Os indianos não parecem ser particularmente intolerantes ao leite de vaca…

          2. Confesso que não fui pesquisar. Talvez ainda vá, se tiver tempo. Mas ouvi num documentário televisivo que realmente são os europeus os que melhor toleram leite de vaca, há outros povos com mais dificuldades.

            Já agora, digo que tive um namorado, há mais de vinte anos, que nem podia ver leite. Durante a infância, foi obrigado a bebê-lo,o que lhe causava grandes sacrifícios e incómodos. Assim que se livrou da dependência dos pais, nunca mais tocou em leite. É óbvio que devia ter alguma intolerância à lactose. Naquela altura, dizia-se apenas que ele era teimoso…

  1. E se recuar mais vai descobrir que ainda se desconheciam mais doenças e as pessoas sofriam e morriam ainda mais na ignorância. Era vontade de Deus, e por culpa dos pecados, ou assim.

  2. É muito feio falar com essa “leveza” do que não se conhece, ou melhor, do que não nos atinge. As alergias e as intolerâncias alimentares estão a aumentar, como estão também a aumentar as respiratórias. Se é moda para alguns, não o será para outros. Mas para quem não o é (tenho uma amiga que já usou 8 pens de adrenalina desde Novembro passado no filho de 4 anos, que tem uma alergia tão extrema que não pode, por exemplo, respirar os vapores de uma lasagna a ser cozinhada, porque entra em choque anafilático; quem diz lasagna diz leite ou qualquer derivado). Tem alergia extrema ao leite, ovos, frutos secos, entre outras coisas – e não há medicamento que o valha, a não ser evitar tudo o que é alérgico e a pen de adrenalina quando já foi exposto. Além da batalha que é encontrar produtos sem vestígios dos alimentos que mencionei, bem como mantê-lo vivo, tentando protegê-lo da ignorância alheia, diga lá que não é giro ainda levar com pérolas do género “o teu miúdo não tem nada, isso é uma moda”. Moda que ela abdicaria de bom grado, era sinal que o filho deixaria de estar constantemente em risco de vida. Mas continue a falar de moda – afinal, pimenta no rabiosque dos outros para si deve ser refresco.

        1. – Querida, como se chama aquele senhor alemão que me deixa doida?
          – Alzheimer, avó.

          (E, sim, gosto muito da familiar que sofre da doença, apesar de ela insistir – finge, claro – em não me reconhecer.)

          1. Alguém duvida que a sua familiar tem alzheimer e por isso descura os cuidados com ela por duvidar? Não. Já divulgar a ideia de que as alergias e as intolerâncias são moda pode levar uns quantos a não dar a devida importância a uma doença séria que pode matar em alguns minutos. E como poderá imaginar, as crianças que dela padecem passam muito tempo mais isoladas, porque, por exemplo, um beijo de outra criança que acabou de beber leite pode matá-la. Claro que estou a falar de casos extremos, mais raros, mas cada vez menos raros. Da minha parte, e porque já tive um filho que foi durante 3 anos intolerante à proteína do leite de vaca (e não eram “só” diarreias, eram diarreias que provocaram extensas lesões rectais, não assimilação dos nutrientes e consequente sofrimento e atraso no cresimento até se descobrir), prefiro alertar as pessoas para o problema, que pode ou não ser muito sério. É que demasiadas pessoas já acham que é uma moda e não tratam o assunto com a seriedade que ele merece.

          2. VG:

            Vamos lá então, agora a sério. Claro que este tipo de intolerâncias pode ser um problema grave. E claro que é sempre chato quando alguém brinca com um assunto (não necessariamente do foro médico) que nos toca de perto. Entendo e respeito isso. O que me incomoda é a tendência que parece alastrar para exigir abordagens assépticas (e, no limite, o silêncio) quando há a mínima possibilidade de incomodar alguém – em vez de assumirmos que é melhor viver num mundo onde se dizem besteiras e, ainda que certos tipos de humor (quase todos, na verdade) não agradem a muita gente, mais vale permiti-los, sem partir para reacções de índole pessoal. Ou seja: acho perfeitamente legítimo que chame a tenção para o facto de estarmos perante problemas sérios. Mas permitir-me-á que brinque com a circunstância de alguns deles – é a minha opinião; discorde à vontade – parecerem tornar-se fenómenos de moda. Numa nota final (e, espero, ligeiramente humorística), deixe-me dizer-lhe que quanto mais moda se tornarem estes problemas, mais fácil será encontrar alimentos adequados a eles.

          3. Vejo as coisas de forma diferente. Hoje li uma “piada” sobre a queda do voo da Germanwings: “Pelo menos não sofreram de jet lag”. Desculpe, o Sr. até pode achar piada, mas eu não consigo. Há demasiado sofrimento envolvido para lhe achar piada e há milhares de coisas mais com que fazer piadas. O mesmo aplico ao que falávamos antes, com a agravante da “publicidade negativa” subjacente à “piada”.

          4. Pede desculpa porquê? Não concorda comigo e pronto. Tudo bem.

            E, sim, acho piada à piada. Mas, acima de tudo, acho que cada um deve decidir com o que brincar e quem não gostar pode perfeitamente fazê-lo saber mas de modo nenhum pretender impor o seu critério.

          1. É verdade. Especialista. Inclusive sou conhecido entre os meus conhecidos por já ter rido algumas vezes. Quanto ao mail, não se incomode que eu leio o Delito de Opinião há mais tempo do que você escreve nele.

    1. As alergias e as intolerâncias alimentares estão a aumentar, como estão também a aumentar as respiratórias.

      Há duas (pelo menos) seleções artificiais negativas a atuar sobre a população, as quais são certamente responsáveis por muits das alergias.

      A primeira seleção é que a maior parte das pessoas hoje em dia só têm um único filho. A percentagem de filhos primogénitos na população está portanto a aumentar brutalmente. Ora, é mais que sabido pela medicina, já desde há décadas, que os primeiros filhos têm uma saúde pior do que a dos restantes. (Porque o corpo da mulher ainda não está “habituado” à tarefa de criar um filho e fá-lo de forma menos perfeita.)

      A segunda seleção é que hoje em dia a medicina consegue curar grande parte das doenças infantis. Consequentemente, crianças com uma saúde frágil, que antes morreriam muito novas, sobrevivem até à idade adulta. Consequentemente, a saúde da população em geral deteriora-se.

      Um exemplo simples destas duas seleções é o meu filho mais velho, que desde muito cedo sofreu de asma. Se ele tivesse nascido há 50 anos teria, com toda a probabilidade, morrido antes dos dois anos de idade num ataque de asma. Com a medicina moderna sobreviveu, mas continua a sofrer de asma. Ou seja, há mais um asmático no mundo basicamente porque a medicina moderna conseguiu salvar um primogénito de saúde débil, impedindo-o de morrer quando era novo.

      1. Já muito comentamos, entre amigos, acerca dos primogénitos terem uma saúde mais débil, mas não sabia que já tinha sido comprovado (de alguma forma, estatísticamente, presumo). Porque realmente é algo que salta à vista.

        1. Sim. O meu pai, que era médico, disse-me que os primeiros filhos têm até um nome especial em medicina (o qual nome já não recordo), precisamente porque já é mais que sabido, desde há décadas ou talvez há séculos ou talvez há milénios, por simples observação estatística, que eles têm quase sempre uma saúde inferior à dos restantes filhos.

          Não se sabe, é claro, a que é que isso se deve, mas em princípio será porque as mães não os “fabricam” tão bem, por o seu corpo ainda estar “destreinado”.

          (Há outros efeitos curiosos desse “treino” do corpo materno. A barriga da primeira gravidez é sempre muito mais pequena do que a das restantes gravidezes – na segunda gravidez a barriga da mulher cresce mais cedo e maior. E os partos vão-se tornando mais rápidos e menos dolorosos com o tempo – quando a mulher vai no décimo parto aquilo já é relativamente fácil…)

        2. Note-se aliás que em medicina não se designa o primeiro filho por “primogénito” precisamente porque era bastante frequente, no passado, os primeiros filhos morrerem deveras novos. Os filhos “primogénitos” eram de facto, frequentemente, os segundos…

  3. Não desejo mal nenhum a este senhor nem a ninguém, mas este tipo de pessoas deveria de ter estas doenças para dar valor a quem passa por elas. Sou mãe de um alérgico à proteína do leite de vaca, lactose, ovo e soja. Por esse motivo, sei o que é ter um filho muito mal e com risco de vida por estas alergias todas. Além das alergias tem inúmeros problemas derivados desta situação. Desejo que o sr. José António Abreu nunca conheça ninguém nesta situação. Pois tenho dúvidas se acodia a pessoa ou lhe matava. Sendo mãe de uma situação destas sei o que é as pessoas, e a própria família, dizeram que são manias. Mas felizmente tenho cá o meu filho por tantos cuidados que tenho com ele. Já dei importância a mais a uma pessoa sem raciocínio lógico.

    1. “Não desejo mal nenhum a este senhor nem a ninguém, mas este tipo de pessoas deveria de ter estas doenças “

      Isto é um paradoxo, em que a primeira parte da frase apenas serve para aliviar a consciência. Lamento a sua situação (e, mais ainda, a do seu filho) mas não muda o meu ponto de vista. Começa a não se poder brincar com a saúde, já não se pode brincar com a religião (mas, evidentemente, somos todos Charlie), é melhor não brincar com a morte e o Pedro Mexia contava há umas semanas que até uma analogia meio disparatada – e totalmente inocente – que fizera envolvendo (se bem me lembro) tecelagem de tapetes de arraiolos ou algo similar (talvez fosse renda de bilros) gerara um protesto indignado.
      E permita-me que lhe diga mais uma coisa. É natural que, perante situações que nos tocam, não gostemos de certas piadas ou posições. Mas se pensar um pouco vai chegar à conclusão de que:
      1. O humor – todo mas especialmente o negro – é uma forma de defesa;
      2. São normalmente as pessoas que levam tudo muito a sério que colocam bombas ou fazem despenhar aviões.

  4. As alergias e as intolerâncias alimentares estão a aumentar, como estão também a aumentar as respiratórias.

    Acredite que não é moda.

    Se tivesse um filho que pudesse morrer nos seus braços por causa deste assunto sério, acredite que não ía dizer que era moda.

    É um assunto sério mesmo.

  5. Uma moda??? gostava de ver o sr a asfixiar-se cada ves que bebesse leite… como acontece com a minha filha… que moda tão gira correr com ela para o Hospital cada vez que entra em choque anafilactico…

    O sr sabe o que diz?? e o que fala??

    espero que nunca tenha que passar por uma moda destas…

  6. É engraçado poder dar – se ao luxo de brincar com problemas sérios que afectam cada vez mais pessoas.. como profissional de saude, espero sinceramente que o inteligentes Simões criador deste comentário sem nexo não de entrada com uma dessas doenças da moda que agora afectam imensa gente – AVC’s, infartes, etc. – e ao dirigir – se aos cuidados especializados banalizou a situação porque, precisamente, esta na moda. Saliento que “antigamente”, já se padecia destas ditas doenças, apesar de não haver uma nomenclatura porque era fora de moda. Ass: mãe de um bebé com APLV

  7. Boa tarde,

    Eu não posso concordar que seja uma moda, porque uma moda eu podia ESCOLHER … numa DOENÇA não há opção!

    Eu não sou charlie, não sou muçulmana nem afins… mas não sou charlie… parece-me que demasiadas vezes foram abusivos em nome da dita liberdade (sem limites!!) Obviamente que tenho os pés na terra e sei que uma caneta é muito diferente de uma arma e não justifica uma acção daquelas…

    No seu tempo de antena pode escolher ter piada e ser útil ou ser apenas um imbecil! Boas escolhas!

    E sim sou mãe de menino com GRAVES alergias alimentares, que apenas com o cheiro de uma pizza faz paragem respiratória, que com um beijo da minha médica teve que ser reanimado, isto que a Dra tinha almoçado bacalhau com natas… etc… Se não viu aconselho vivamente a ver a Grande Reportagem SIC “beijo proibido” http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2014-08-22-beijo-proibido-as-alergias-alimentares o menino da praia e fisioterapia é o meu filho!

    Obrigada!

  8. Mas ainda se dão ao trabalho de comentar e responder a este senhor?!?
    Ele apenas é ignorante no assunto e tem de se respeitar, coitado mas ainda vai a tempo de desenvolver uma alergia e um dia se tiver um choque anafilatici como muitos alérgicos ele logo percebe. Até lá deixem lá o senhor divagar sobre o que não sabe e achar-se o dono da verdade.
    Eu só tenho pena de em vez de se informar que queira continuar na ignorância.

    1. Agora teve piada! Provavelmente as suas intolerâncias serão outras quaisquer, mas pode responder-me que as não tem.

    2. Agora teve piada! Provavelmente as suas intolerâncias serão outras quaisquer, mas pode responder-me que as não tem.

  9. Não li de longe um décimo dos comentários anteriores…
    Vou me abster e comentar apenas o comentário post inicial do autor José Antonio Abreu…
    O meu filho infelizmente tem intolerância ao Glúten; à PLV, ao OVO, à soja e a alguns peixes… temos sofrido muito ao longo destes 2 anos em que temos que lidar com estas restrições todas, não podendo sequer ir a um restaurante ou a uma festa de anos sem levar comer para ele pois qualquer coisa pode estar contaminada!!!
    Devia-se informar antes de colocar um post deste…
    Consulte a pagina da APC ou da Alimenta entre outras!!!
    Quanto ao que acontecia há 30 anos atrás basta dizer-lhe que as pessoas morriam sem saber sequer do que padeciam, assim como, pergunte-se porque é que hoje em dia existem tantos cancros do colon( anos e anos de corrosão das paredes do intestino)…
    Espero que não passe, nem nenhum dos seus familiares, por estes problemas!!! Porque só quem passa por eles sabe dar o valor!!!
    Boa noite

  10. Realmente é muita a ignorância… Criar este posto sem conhecimento de causa.
    Se o seu filho lhe estivesse a morrer nos braços com um choque anafilático talvez o seu olhar sobre o assunto fosse mais inteligente e informado, é uma pena que assim não seja…espero que que as intolerâncias e as alergias alimentares não lhe batam à porta!

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