“Desta comparação parece, pois, resultar claro que o mau desempenho da zona euro durante a crise não era inevitável; que esse desempenho poderia ter sido melhor; que se o não foi, tal não pode deixar decorrer da política económica seguida; e que, por conseguinte, tudo sugere que a política económica usada pela zona euro para responder à crise foi desadequada.“(…)
“A zona euro dedicou mais de um terço da sua vida a um ajustamento desequilibrado, que empobreceu toda a zona. Os custos desse ajustamento recaíram quase exclusivamente sobre os países mais pobres, empobrecendo-os ainda mais e aumentando o seu desnível para com os mais ricos.” (…) – Vítor Bento, economista, Conselheiro de Estado

Francisco Assis, cabeça de lista do PS ao PE:
Uma estranha mistura de marxismo analítico, populismo retórico e neokeynesianismo económico parece estar a tomar conta de uma parte significativa da esquerda europeia. A vitória do Syriza suscitou arrebatamentos inesperados em sectores e personalidades que extravasam largamente o espaço político tradicionalmente identificado com a esquerda mais extremista.
Por seu turno, a esquerda que recusa fazer do anticapitalismo um programa, que procura permanecer fiel a uma herança liberal e que rejeita a adesão a um discurso tendencialmente messiânico é violentamente atacada e colocada sob suspeita de traição doutrinária. O despudor com que se reescreve a história recente remete mesmo para o plano da falsificação pura e simples. Sintomaticamente, assistimos à revalorização de pensadores que declaradamente contestam a supremacia da democracia representativa e apelam à construção de modelos de participação política não muito distantes do velho vanguardismo bolchevique. Um filósofo de inegável talento, Alan Badiou, reclama explicitamente a adesão a uma nova utopia comunista, opondo desde logo Rousseau a Voltaire com o que isso significa de desvalorização de uma tradição individualista, tão cara à esquerda moderada da Europa.
O que importa, porém, é ter em consideração a natureza das reacções suscitadas, nomeadamente nalguns sectores do próprio Partido Socialista. Nessa perspectiva, a demonização do PASOK, que alguns levaram a cabo com uma leviandade assustadora, constitui um sinal deveras inquietante.
Na verdade, seria trágico para o país que uma parte do Partido Socialista se afastasse de uma linha até aqui historicamente prevalecente, inscrita numa tradição de compromisso europeu, quer no plano doutrinário, quer no âmbito político. Essa linha não está morta e tem dado sinais de inequívoca vitalidade nos últimos meses. Esses sinais traduziram-se em importantes alterações de comportamento das principais instituições europeias, com reflexos positivos que se começam a perceber. Aqueles que descrêem das virtualidades deste caminho, e que preconizam a teoria do confronto a nível europeu, partem de uma avaliação errada da natureza política da Europa e enfermam de uma certa confusão doutrinária que nada auspicia de bom.
Tem a noção de que esse comentário é o equivalente blogosférico de tapar as orelhas e gritar “bla bla bla bla, não estou a ouvir o que estás a dizer!, bla bla bla bla!”
Sim, de facto, Assis tem sido um referencial de coerência ideológica. Ele e Durão Barroso.
Na minha opinião de catedrático de administração da pensão mínima, o grande mal foi os países “tesos” querem ( com ilusões várias) entrarem no clube dos ricalhaços… Ainda por cima, terem o topete de querer comerem à mesma mesa!
Tou certo ou errado?
Mais um esquerdista diletante com a cabeça cheia de contos de crianças, aposto.
Caro Sérgio,
O problema aqui, como o Victor Bento identificou no artigo e que vinha sido realçado por outros, é que se por um lado os países “deficitários” (como ele chamou) tinham de reestruturar e reformar as suas despesas públicas (o que NÃO é subir impostos ou cortar de vendas nos olhos), os “excedentários” tinham o dever de canalizar esse excedente para os outros países.
Posto de outra forma: sim, nós temos de cortar despesa do Estado, congelar salários, combater perdas, facilitar a actividade privada, etc. Mas os Alemães, os Holandeses e os Finlandeses (entre outros) têm de nos comprar coisas, de GASTAR (não dar ou emprestar, GASTAR) dinheiro connosco, com a Grécia, com a Itália, com Espanha, etc. E essa segunda parte, nicles!
Caro Carlos Duarte,
Eles são mais do tipo “poupadinho”. Com o deles, é claro.
Pois, isso são. Mas o burro do inglês já não se aguenta muito em pé.
Aos poucos e poucos todos eles se darão conta de quão erradas foram todas as suas teses. Mas como não há tese sem antítese…
A vingança é um prato que se serve frio, ou desdizer o que se andou durante anos a dizer e a escrever. O que só por si (mudança radical de opinião), não traz mal ao mundo, porque como se costuma dizer, só os burros é que não mudam de opinião.
Exactamente como os que andam nos blogs a citar este artigo de Vitor Bento e que antes o acusavam de andar alinhado com o governo e, pior ainda, com as teses da Alemanha.
Victor Bento e outros, esqueceram-se deste pormenor. O Presidente do Eurogrupo “holandês” afirmou: a Holanda deve mais que a Grécia, um dia, quando a coisa estourar vai ser uma catástrofe. Afinal quando estoira? Não estoira porque infelizmente, são os países do sul que estão a pagar os desvarios dos outros.
Ainda vamos ter a prazo choque maior do que o do euro: a concorrencia dos BRICs.
O zona euro tem hoje mecanismos que não tinha antes e que permitiu que governantes irresponsáveis fizessem autoestradas e não unidades de produção; mas não é razão para tanto pensador defender que os governantes d’alem é que tiveram a culpa; e acharem que os eleitores de Munich têm o dever de cobrir os erros de quem votou nos palhaços de Atenas ou de S.Bento. Naturalmente para lá da narrativa simpatica o sr ministro alemão respondeu seco e simples :temos muita pena mas os problemas gregos vão ser resolvidos na Grecia. E falar que 2% é um perigo para a UE só por uma autoestima exagerada(e não convem demasiado autoconvencimento)
Caro Anonimo
O problema não está no “dever”… mas como se chegou à dívida.
Eu devo ao merceeiro e ao padeiro… não devo ao stand da Mercedes nem à agencia de viagens…
….
Só um modestíssimo exemplo:
Minha tia (67 anos) é cabeleireira, trabalha que se farta…
Na Syricusa, cabeleireira é considerada uma profissão de desgaste… reforma ao 55 anos!!!! Os holandeses e “alamões” que paguem a crise..
Quem teve culpa de isso acontecer na Grécia, não foi a cabeleireira nem o jardineiro, foi o governo em quem confiaram que lhes proporcionou isso e aqueles que enviavam, o dinheiro, para eles fazerem isso. Chega de se dizer que os alemães vão pagar a dívida porque não vão e sabe disso muito bem. Pergunte aos holandeses porque razão não estoira nem nunca vai estourar a dívida deles?Porque os parvalhões cá de baixo pagam. Até o Victor Bento deu a mão à palmatória e o senhor insiste. O anónimo tem nome e AM, não é nome de ninguém, o que dá no mesmo.