Não fosse o ditame “crescei e multiplicai-vos” e a sexualidade jamais seria tolerada pela moral cristã. Mas como para povoar a Terra é absolutamente necessário ceder aos prazeres da carne, não há outro remédio senão abençoar o acto, mediante certas condições, como se sabe. Uma é o casamento, outra é a cópula espiritualmente assistida, ou seja, estritamente orientada para a procriação.
Tudo o mais é luxúria, egoísmo, concubinato. Felizmente vivemos numa sociedade livre, em que até os católicos podem aligeirar estes preceitos e constituir família com muitos, poucos, ou filhos alguns. Não se livram, os casais menos férteis, é de levar com o epíteto de egoístas, só porquepreferem juntar dinheiro para comprar um jeep ou para ir de férias, do que para aumentar a prole.
Mas se vamos a falar de egoísmos também podemos considerar o dos casais que têm filhos por capricho, ou por uma questão de afirmação social, ou para preencher vazios existenciais. Esses egoísmos geram muitas famílias disfuncionais, por isso quando não se tem condições para assumir uma paternidade responsável por razões profissionais, psicológicas ou outras igualmente respeitáveis, mais vale comprar um jeep do que trazer ao mundo crianças infelizes.
Nos tempos que correm, parece-me muito mais adequado pregar o amor e disponibilidade que se deve aos filhos que se planeiam e não o dever de os ter, até porque ter filhos por dever é triste.
A paternidade responsável passa pela gestão controlada do número de crianças. Pode ter consequências graves para a demografia, só que esse não é um problema das populações, mas de quem as governa. Por isso a pressão deve ser feita sobre as políticas sociais e não sobre as pessoas. Ninguém faz filhos por causa da demografia.
(foto de Dorothea Lange (Migrant Mother, de 1936)


Pois… mesmo que Deus ou Cristo ou seja lá quem tiver sido, tenha dito “crescei e multiplicai-vos”, devia, pelo menos, ter dado uma pista acerca do número até ao qual essa multiplicação é aceitável…
Olá meus amigos, como é maravilhoso encontrar sites com este seu. Parabéns pelo belo trabalho, já estou seguindo.
Aproveitando a oportunidade gostaria de compartilhar com você nosso
blog. Ficaremos felizes por vossa visita e mais ainda se seguir-nos.
AGUARDAMOS SUA VISITA
Atenciosamente
Josiel Dias
http://josiel-dias.blogspot.com
Rio de Janeiro
Obrigada, Josiel. Vou visitá-los com certeza. Volte sempre
O smile, que não consigo apagar nem por no sítio certo, era para o Gustavo.
Pode surpreender mas o que descreve no primeiro paragrafo não é tanto assim e nem a igreja diz que a cópula seja apenas para procriação… na carta de São Paulo aos Coríntios que aconselho vivamente a sua leitura está descrito no capítulo 7, versículos 3 a 5 o seguinte: “O marido cumpra o dever conjugal para com a sua esposa, e a esposa faça o mesmo para com o seu marido. A esposa não pode dispor do próprio corpo, mas sim o marido; e, do mesmo modo, o marido não pode dispor do próprio corpo, mas sim a esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de mútuo acordo e por algum tempo, para vos dedicardes à oração; depois, voltai de novo um para o outro, para que Satanás não vos tente devido à vossa incapacidade de autodomínio.”
Contudo subscrevo na íntegra o último parágrafo… Ninguém faz filhos por causa de demografias ou estatísticas ou a olhar para as taxas do IRS…
Caro Cabanas, creio que a passagem que cita visa essencialmente prevenir o adultério e o onanismo, questões que muito preocupam a Igreja, como sabe.
esse, outro ou todos os capitulos, nem digo maquilhados, sao uma coisa, a realidade outra, por acaso a que o post retrata : a igreja so tolerava o sexo porque essencial para a procriaçao. Claro que estou a referir a igreja dos nossos dias, de ontem. Alias a igreja é o contrario da liberdade, mas nao conseguiu impedir o progresso e a …mini saia. E agora vou colocar o dedo noutra ferida : a igreja controla a assistencia social, esta paga pelo estado. Ou seja, a igreja é a interessada em que nao haja controlo de naascimentos, e como sao bem vindas e auxiliadas as maes adolescentes. Já agora, outra coisa ;: alguem se lembra de , noutros tempos, a igreja criticar e mesmo puchar as orelhas aos casais pobres do seu rebanho que tinham ninhadas de filhos ?
Talvez não seja um bom conselho a uma pessoa que diz que “a igreja é o contrário da liberdade” e “controla a assistência social ” porque “as mães adolescentes são benvindas”, mas vou considera tudo isso ironias espúrias. Agora é absolutamente falso que a igreja só aceite o sexo para procriação: basta ir ao Catecismo da Igreja Católica. Olhe aqui esta passagem: “O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou.” Para a Igreja, a sexualidade serve para amar, também para procriar, e o elemento prazer está igualmente incluído.
Obrigada João, ia buscar a mesma passagem quando li a sua resposta.
Aproveito para adicionar a passagem anterior, que reforça aquilo que também a mim foi transmitudo – o sexo é bom e é bom que um casal o pratique.
“Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer.” (in Catecismo da IC)
Teresa, pode criticar artigos, opiniões e comportamentos…mas pelo menos saiba que a posição oficial da IC e de (muitos) católicos é de que o sexo é bom, é querido por Deus para nosso usufruto – acontece que desse usufruto surgem potencialmente outras vidas, o que o torna algo diferente de ir à praia ou mascar uma pastilha… Por isso é que este tema convém ser pensado em maior profundidade e gera tanta polémica.
Dito isto – e apesar da proposta da Igreja ser a que mais me corresponde – concordo que é crucial o Estado criar condições para a sua prática, o que não acontece.
Catarina
Afrodisíaca, essa receita de entremear marmelada (mas por pouco tempo, que é como quem diz rapidinhas) com orações. Provavelmente, de joelhos e bem se sabe que “de joelhos” a “de gatas” se vai num instante. Mais excitante que entremear marmelada com cigarradas. Prometo tentar experimentar.
Parabéns pelo excelente texto com o qual concordo inteiramente.
Só queria acrescentar o seguinte: Sou católico e não sou comunista. Por isso digo, para aumentar a natalidade só era preciso duas coisas: Dar estabilidade profissional às pessoas e empregos bem remunerados. Talvez assim as pessoas tivessem mais filhos. Tudo o resto, como por ex. o cociente familiar, os cheques bebé e outras medidas avulsas, não passam de conversa da treta.
Obrigada, Paulo. Não duvido que essas medidas que sugere seriam um óptimo ponto de partida.
ok, é verdade que todos os dias somos metralhados com a necessidade de aumentar a natalidade. Mas, como noutras materias, nao existe o contraditorio, e outras pessoas qualificadas preferem nao envolver-se nesse contraditorio. A verdade é que, tal como é moda as ameaçadas climaticas, ainda hoje mesmo é noticia um novo fim do mundo para as 23h 57, a sociedade vai evoluindo, adaptando, portanto nenhuma tragedia. A quebra, como se fosse o aumento de natalidade, é progressivo, nao instantaneo. E o estado já esta a vender divida a 30 anos, a vender e tem compradores. Já agora, ate para o estado fica mais barato, apoiar a natalidade mas de ricos, nos ricos.
Eu não sei a que cristãos se refere, Teresa. A questão do egoísmo, que se espelha no CIC de 1992, tem que ver única e exclusivamente com o facto de se fazer filhos sem essa paternidade ou maternidade responsável. Isto é, tendo em conta condições económicas, de saúde and so on.
Claro está que o restante é meramente uma questão de ordenamento social, isto é, tem de ser a sociedade a criar condições para a paternidade ou maternidade, responsável.
Não obstante, deixe-me dizer-lhe que eu considero a ciência um método natural.
Siga o link, Vento. Encontrará um dos cristãos a que me refiro. E são muitos os que pensam assim, como sabe. Vá lá, não disfarce.
Ó Teresinha, bá lá menina. Os cristãos são como aquelas pílulas multicolores, aquelas que os putos comem, “di chicolate”. Cada um vive segundo a sua consciência.
Você quer cascar nos católicos e lá vai falando em cristãos para não parecer mal. Ó Teresinha, eu já faço o pino há alguns anitos.
Olhe que me tenho deparado com umas rapariguitas sem confissão e sem confessor que nesta matéria não sei em que era as colocaria. Tão bloqueadinhas que vivem. Eu estou falando de matéria sexuada. Vê como eu lh´ amando bem na literatura?
Digo-lhe isto porque um gajo gasta um tempão do camano a explicar que nestas matérias somos como bichinhos álacres e sedentos; e que é necessário que não compliquemos o vocabulário para nos podermos entender.
Estou contigo!
Não esquecer também a autodeterminação que a mulher, por mérito próprio, conquistou de modo mais acelerado nos últimos 50 anos.
A evolução académica, a independência económica e a pílula, generalizaram no sexo feminino uma independência ausente em séculos anteriores.
Quanto ao resto, pode o lobo mau uivar,
Que a caravana continuará a passar…
Modernices que só têm dado preocupações à Santa Madre Igreja…
genial, cara Teresa. e no entanto é sempre a mesma coisa, a libertaçao, a emancipaçao humana, o progresso foi e continua a ser uma dor de cabeça para a igreja. Que no entanto fatura hoje como nunca, e não é com os paroquianos que vao á misssa.
Sou um Jovem já com 44 Anos, vivo junto já ha uma boa quantidade de Anos e optei junto com a minha Esposa em não termos Filhos, por opção e não por ser ou deixar de ser Fértil. Respeito quem goste de ter filhos, e acho que eles são necessários para a continuidade da vida no Planeta, mas não considero nenhuma obrigação, pois como seres Humanos devemos ser livres de toda e qualquer decisão para ter ou não descendentes. Optei por não ter primeiro porque não nasci para isso, segundo porque acho que vivemos numa sociedade decadente, egoísta e cada vez mais deprimente, e acho que seria puro egoísmo e tortura colocar qualquer ser vivo neste Planeta… Acho também que estamos condenados muito brevemente a passarmos muitas dificuldades, fome, senão guerras quem sabe de Terrorismo e biológicas… Para quê trazer uma criança ao Mundo para isto ?? Vale mais comprar um Jipe, aproveitar as Férias enfim e gozar um pouco a vida… Para terminar, e para aqueles que teimam em ter Filhos para que um dia na velhice tenham em quem se pendurar, fica um conselho, informem-se bem, pois a maioria das pessoas hoje em dia, prega com os velhotes num Lar tão rápido que eles nem se apercebem disso…
Quem diz lares, diz abandonados num Hospital á sua Sorte…
Resultado, estou muito bem assim, e não e arrependo nem por um dia de não ter procriado…
Parabens ao Blog.
Um dos direitos da criança é “ser desejada”. Quem critica os casais que não se sentem vocacionados para a paternidade devia pensar nisso antes de falar.
o comentario é comovente. Nao sei como dizer (mas atençao que desde sempre defendi a maternidade responsável ) mas a situaçao como é descrita choca de alguma maneira. Genero situaçao que sabemos existir mas preferimos nao contactar. Ademais o retrato, alem de muito pormenorizado também é excessivamente realista, e portanto, parece-me, existirá gente competente (alguma até será seria ) para o rebater.
João Silveira,
Jamais me passaria pela cabeça tecer juízos de valor sobre a sua falta de vontade em ter filhos por isso dispensava bem os seus juízos sobre quem os quer ter. Intencionalmente ou não, chamou-me de egoísta, irresponsável e torturador de crianças, só pelo facto de eu e a minha mulher (jamais conseguiria ter filhos com uma esposa) termos decidido procriar.
ao Xico. Jamais me passaria pela cabeça, chamar seja a quem for irresponsável ou o que quer que seja pelo facto de querer ter filhos. Cada qual sabe com que linhas se cose, e se tem ou não condições para criar os filhos que optou ter.
Acho que cada um tem a consciência da responsabilidade que isso acarreta, e quando decide ter, terá então de viver com isso e de assumir na integra a responsabilidade de.
Não tenho nada contra quem tem filhos, pois se tivesse, teria algum problema psicológico, afinal são os filhos que permitem a continuidade da vida, a única coisa que aqui vim transmitir foi a minha solidariedade para com quem não quis ter Filhos por opção, pois de certa forma somos olhados como “aberrações” por termos tomado esta decisão, quando ela é plena e inteiramente nossa, afinal a responsabilidade é nossa, o dinheiro para os criar é nosso, e se temos ou não condições para os ter, é assunto nosso. Portanto, e aos que nos “olham” com esses olhos, apenas queria transmitir isso, nada mais. aos que tomaram a decisão de os ter, que tenham muita sorte e que sejam muito felizes é o que lhes desejo, pois não quero mal a ninguém, respeito todos os seres vivos na terra, sejam eles mais ou menos importantes. Bem haja.
quero ampliar a coisa, e como que acrescentar : os pobres, todos quantos nao tenham uma vida suficientemente equilibrada para poder ter filhos, seriam impedidos de os fazer. Tambem porque essa coisa de fazer filhos como unica forma de aceder á assistencia social… E nao existe, nem nunca existirá problema demografico. Trata-se de mais uma das tretas para entreter o ze pagode.
Tema muito interesante sem duvida ( em relacao a fotografia que acompanha este artigo, foi pedida autorizacao para a utilizar, o dar os creditos ao artista?)
É um hábito preguiçoso, o de ir ao Google Images para ilustrar sem mais os textos que se escrevem. Tem toda a razão no reparo que faz. Vou corrigir.
Se a autora tivesse lido por exemplo a Família Cristã – e de há 20 anos atrás- saberia que isto é falso, mentira :
“…outra é a cópula espiritualmente assistida, ou seja, estritamente orientada para a procriação.Tudo o mais é luxúria, egoísmo, concubinato.”
São os resultados de estar fechado no mundo da Esquerda.
E como já escrevi algures a Esquerda teria abortado os avós, bisavós, trisavós … e quiçá os país porque não seria “responsável” traze-los à terra naquelas condições, sem Estado Social.
Para a Esquerda, Leonardo da Vinci, Beethoven, Mozart, não deveriam ter nascido. Quiçá até Hegel e Karl Marx…
No futuro os descendentes de Esquerda defenderão que só é “responsável” criar “vida” quando esta tiver as mais variadas protecções biónicas. E eu, a autora nunca teríamos deveríamos ter nascido nestas “condições”.
Tanta demagogia, Lucky!
Extraordinário texto, Teresa. Parabéns.
Obrigada, Rui
Lamento, Teresa, não sei que padres conheceu na sua vida, se algum lhe disse que os casais deviam ter filhos por razões demográficas, mas já vi que tal como alguns comentadores, não conhece o catecismo da Igreja Católica. Talvez se surpreenda. E sobre o progresso, referido também nalguns comentários, só posso dizer que tem muitos exemplos lamentáveis (alguns metidos na gaveta mas que regressam agora) e que bem faz a Igreja em opôr-se.
Em que parte do meu texto é que leu que os padres aconselham as pessoas a ter filhos por “razões demográficas”?!
Na sua primeira frase e quando diz “outra é a cópula espiritualmente assistida, ou seja, estritamente orientada para a procriação”. Nos comentários seguintes parece ser da opinião que a Igreja apenas aceita a sexualidade por razões reprodutoras, o que não é de todo o que vem nos Evangelhos nem na doutrina.
Aceito que me diga que essa questão é polémica entre os católicos, até porque é público e notório que são muitos, para não dizer a maioria, que ignora essa orientação, mas iludir que essa é uma posição que tem sido assumida por muito boa gente é querer tapar o sol com a peneira.
Ainda agora em resposta a um outro comentador recordei o episódio que ficou célebre ocorrido entre Natália Correia e o mui católico deputado Morgado, que defendeu no parlamento o sexo com fins estritamente reprodutores. A sua intervenção valeu-lhe uns versos da poetisa que o imortalizaram.
Sim, eu sei, ainda há pouco num quiz voltou a surgir a história do “poema” de Natália Correia. É verdade que nem sempre os pastores da Igreja (e muitos fieis) distorcem muitas vezes a Mensagem e fazem interpretações no mínimo restritivas (o “Crescei e Multplicai-vos”, entre outras coisas), e nem sempre para as aplicar somente a eles próprios. Mas a verdade é que, como lhe digo em cima, essa não é a posição oficial da Igreja, por muito que a caricatura que dela fazem e a comunicação da própria e de alguns fieis dêem essa imagem.
Teresa, chego tarde à discussão e por isso perdi muita coisa interessante. Ainda assim um ponto que me parece essencial e que só parcialmente tem a ver com religião: a economia moderna assenta no conceito de crescimento. Se todo o mundo tivesse, mais ou menos, o mesmo nível de desenvolvimento, o crescimento seria possível em termos clássicos apenas com o aumento da população ou inflacção. Mesmo com a desigualdade entre níveis de desenvolvimento, por vezes economicamente vale mais um aumento de população de 2% nos EUA que um crescimento do PIB de 20% no Botswana e no Paraguai.
Claro que muitas destas teorias económicas (que, à semelhança da democracia, serão as piores possíveis à excepção de todas as outras) foram desenvolvidas por pensadores que seriam profundamente religiosos. Isso não será coincidência.
Eu sei, estou a ser algo malthusiano (a teoria parte da análise económica, algo que é muitas vezes esquecido), mas tenho a convicção que Malthus estava certo no essencial: a teoria económica que temos levará inexoravelmente ao consumo dos recursos do planeta. E a isso não será alheia a nosse mentalidade em relação à reprodução.
PS – nas razões para ter filhos parece-me que falta uma: a pressão social. Seja dos pais do casal para que possam ter netos, ou do resto da família e amigos. Os homens frequentemente são pressionados porque não “provam a sua masculinidade” sem ter filhos e as mulheres ouvem de outras que não serão completas “sem serem mães”.
Olá, João. Quando falo em ter filhos por uma questão de “afirmação social”, é também a essas pressões familiares e sociais que me refiro.
Quanto ao malthusianismo, as premissas hoje são muito diferentes. O progresso deu-nos recursos tecnológicos para incrementar a produção alimentar, mas também capacidade para destruir o meio ambiente a um ritmo nunca antes visto. Até que ponto estas circunstâncias influenciam a nossa atitude em relação à reprodução? Sinceramente acho que nada. Acho que ninguém faz ou deixa de fazer filhos por causa da demografia.
Prezada Teresa,
Não sei a que moralidade se refere, mas de certeza absoluta à cristã não é.
“Mas como para povoar a Terra é absolutamente necessário ceder aos prazeres da carne, não há outro remédio senão abençoar o acto, mediante certas condições, como se sabe. Uma é o casamento, outra é a cópula espiritualmente assistida, ou seja, estritamente orientada para a procriação.” Não sei onde foi buscar estas ideias, mas de certeza absoluta não foi ao “Livro de Instruções” dado por Deus: as Sagradas Escrituras. Não sei se sabe, mas na Bíblia (do Grego “biblía”-livros, plural de “biblíon”-livro), que contém 66 livros (39 no Velho Testamento e 27 no Novo Testamento), existe um livro erótico: Cantares de Salomão (que se não foi o primeiro livro erótico a ser escrito, foi dos primeiros).
Também escreve o seguinte: “Felizmente vivemos numa sociedade livre,”… Livre??? Livre em que aqueles que não alinham pelo pensamento dominante (que de cristão nada tem) são achincalhados, criticados, motivo de chacota e, como a senhora faz neste texto, ridicularizados só porque não pensam da mesma maneira…
Mais adiante escreve: “Mas se vamos a falar de egoísmos também podemos considerar o dos casais que têm filhos por capricho, ou por uma questão de afirmação social, ou para preencher vazios existenciais. Esses egoísmos geram muitas famílias disfuncionais, por isso quando não se tem condições para assumir uma paternidade responsável por razões profissionais, psicológicas ou outras igualmente respeitáveis, mais vale comprar um jeep do que trazer ao mundo crianças infelizes.” Então isso equivale a dizer que os que não têm filhos (podendo-os ter, pois há aqueles que infelizmente não os podem ter) não o fazem por capricho, ou por uma questão de afirmação social, ou para preencher vazios existenciais??? E esses egoísmos por não terem filhos não têm famílias disfuncionais???
Mas também concordo em absoluto quando escreve “Nos tempos que correm, parece-me muito mais adequado pregar o amor e disponibilidade que se deve aos filhos que se planeiam e não o dever de os ter, até porque ter filhos por dever é triste.”, pois é isso que o cristianismo sempre ensinou.
“A paternidade responsável passa pela gestão controlada do número de crianças.” Mas controlada por quem???
Meu caro, não é por acaso que a Bíblia tem dado tanto trabalho a gerações e gerações de teólogos. É um livro muito rico, onde podemos encontrar versículos à medida para quase tudo. Não é a Bíblia que discuto, mas justamente as interpretações que dela tem feito a Igreja.
Não pretendi achincalhar ninguém. Apenas critiquei uma moral que tem sido apregoada por muitos católicos e que de facto considero já muito ultrapassada.
Ficou para a nossa história recente o episódio que levou Natália Correia, então deputada, a dedicar uns versos a um seu colega do parlamento, por este ter defendido em plenário que o sexo era só para procriar. Conhece o episódio? É um bom exemplo do testemunho que muitos católicos dão sobre este assunto.
Prezada Teresa,
quanto ao facto da Bíblia ser “um livro muito rico” sou forçado a concordar inteiramente consigo. Mas se nós atentarmos para a Sua simplicidade e não complicarmos a coisa, então ainda mais impressionante se torna…
Compreendo… e escreveu muito bem: “católicos”, não cristãos…
Sinceramente não me recordo desse episódio com a Natália Correia, mas ele apenas e só é mais um exemplo da mesquinhez, pequenez e afins (para ficarmos só por aqui) dos deputados e governantes que nos têm dirigido desde o 25 de Abril…